Pesquisa

Fiesp: empresas brasileiras não importam da Argentina por desconhecer fornecedores

Uma pesquisa elaborada pela Fiesp mostra que 24% das empresas brasileiras não importam produtos da Argentina por desconhecerem os fornecedores do país. De acordo com o presidente da federação, Paulo Skaf, as compras do país vizinho, que hoje somam R$ 2 bilhões, podem aumentar para R$ 6 bilhõe

Agência Brasil
09/05/2012 09:34
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A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou na terça-feira (8) uma pesquisa revelando que 24% das empresas brasileiras não importam produtos da Argentina por desconhecerem os fornecedores do país vizinho. A medida permitiria maior integração entre as duas maiores economias do Mercosul.

Outro dado levantado na pesquisa, que ouviu 221 empresas, é que 45% delas consideram viável ou muito viável a substituição de suas importações por produtos argentinos em médio prazo, de três a cinco anos.

O levantamento selecionou, do país vizinho, 38 produtos competitivos no mercado internacional e que  poderiam ser importados pelo Brasil. Hoje, as compras brasileiras de produtos dessa lista somam US$12 bilhões - e apenas 16,9%, ou cerca de R$ 2 bilhões, é importado da Argentina.

“Poderíamos comprar mais da Argentina. Desses US$ 12 bilhões, ao longo dos próximos três anos, poderíamos aumentar as compras brasileiras de produtos argentinos em US$ 6 bilhões”, destacou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Para aumentar as compras brasileiras, entre outras medidas, Skaf sugeriu que o país se abrisse comercialmente aos estaleiros argentinos, já que esse setor brasileiro está sobrecarregado. “Os estaleiros brasileiros estão vendidos dez anos. Darmos abertura para a indústria naval argentina atende ao interesse brasileiro e atende ao interesse argentino”, ressaltou.

De acordo com Skaf, o interesse da entidade em aumentar as compras brasileiras do país vizinho visa a elevar o comércio mútuo entre os dois países e diminuir barreiras comerciais entre eles.

“A visão da Fiesp é que o Brasil teria que vender mais para a Argentina, mas também teria que comprar mais. O nosso objetivo não é ficar encontrando formas criativas de como criar obstáculos um para o outro, e sim como eliminar os obstáculos e como aumentar o nosso comércio”, afirmou.

Skaf, no entanto, ressalvou que a preferência deve acontecer sem prejuízo das indústrias brasileiras. “Não queremos que uma montadora brasileira deixe de comprar peças de empresas brasileiras para comprar de indústrias argentinas, mas que as montadoras brasileiras deixem de comprar de terceiros países para comprar mais na Argentina”, exemplificou.

As discussões ocorrem no momento em que a União Europeia e os Estados Unidos ameaçam retaliações ao governo argentino devido à expropriação da petrolífera YPF, administrada pela espanhola Repsol. Logo depois de anunciada a expropriação, autoridades argentinas vieram pedir o apoio do governo brasileiro para manter os investimentos da Petrobras no país.
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