Termelétrica

Expansão de termelétrica a gás depende de garantia do insumo

DCI, 13/07/2018
13/07/2018 10:47
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A redução da capacidade dos reservatórios de hidrelétricas e o avanço de fontes renováveis - mais instáveis - na matriz energética brasileira têm fortalecido a importância da geração termelétrica para garantir a segurança do sistema elétrico. Contudo, há grandes desafios para essa expansão.

"As usinas térmicas têm como característica despachar energia a qualquer hora, diferentemente de eólicas, por exemplo. Quando não há vento, o ideal seria que as hidráulicas entrassem para compensar, mas atualmente, não conseguem cumprir totalmente esse papel", explica a consultora da Thymos Energia, Daniela Souza.

Para reduzir o impacto ambiental, foram feitos investimentos em usinas hidrelétricas sem reservatórios, conhecidas como fio d´água. Isso, somado a alguns atrasos em obras e secas que atingiram o Nordeste, causou a diminuição da oferta de energia hídrica, a principal fonte do País. Embora exista um crescimento de fontes renováveis em detrimento das térmicas, consideradas caras e poluentes, essas formas de geração alternativas não são capazes de armazenar energia.

O presidente da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget), Xisto Vieira Filho, diz que a geração térmica mantém importância justamente pelo crescimento das eólicas e solares. "Não existe renovável sem térmica. Eólica e solar são espetaculares para o meio ambiente, mas ainda são caras, se tirar todos os subsídios, e são intermitentes. As termelétricas são necessárias para garantir a estabilidade do sistema."

De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia (MME), a geração térmica corresponde a 27,4% do total do sistema elétrico brasileiro. A fonte se divide em gás natural, biomassa, petróleo, carvão e nuclear. Nesse tipo de geração, a eletricidade é produzida a partir da queima de combustíveis.

Por essa razão, a geração torna-se mais cara e poluente. "As eólicas não têm custo de operação direto, o vento é de graça. Mas quando não venta, é preciso colocar algo no lugar dele", destaca Vieira.

Para o representante da Abraget, o sistema deveria levar em conta todos os atributos de cada tipo de geração. "O ideal é a diversificação da matriz."

Nos últimos leilões de energia nova, a fonte térmica teve destaque, atraindo interesse de players estrangeiros, como a Mitsubishi Hitachi. "Em dezembro, no leilão A-6, a participação foi maior que o esperado", aponta Daniela. De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a fonte térmica vai continuar crescendo com biomassa e gás natural.

Entre os principais desafios para isso se concretizar, estão o impasse na renovação do contrato de fornecimento de gás natural com a Bolívia, que termina em 2019, e a falta de infraestrutura para garantir o aumento de distribuição. Havia expectativa de melhor desenvolvimento do mercado com a venda 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG), malha de gasoduto que atende ao Norte e Nordeste, por parte da Petrobras.

Porém, a estatal anunciou a suspensão da operação na semana passada, após decisão cautelar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que condiciona a venda do controle de empresas públicas a autorização do congresso.

A especialista do escritório Souto Correa, Lívia Amorim, acredita que a possibilidade de expansão de energia térmica decorre do fato da matriz brasileira ser historicamente dependente de hídricas. "Em outros países, especialmente na Europa, havia uma predominância de térmicas. Assim, fica mais visível a necessidade de uma política de reduzir em favor de eólica ou solar. No Brasil não ocorre esse esgotamento. O que existe é uma reorientação da matriz por conta da diminuição dos reservatórios."

O professor de direito financeiro da Universidade de São Paulo (USP), Heleno Torres, defende que há uma necessidade urgente de investimentos em hidrelétricas. "A maior projeção das térmicas pressupõe queda da geração hídrica. Os investimentos não estão sendo feitos e os prazos não têm sido cumpridos. Isso cria um custo que onera o setor e o País."

Sistema integrado

Para especialistas, a operação do Sistema Integrado Nacional (SIN) partia da premissa de que as hidrelétricas poderiam acumular e transmitir energia para todo o País.

Agora, essa condição não existe mais. "Isso é coisa do passado, não temos mais grandes reservatórios", aponta Vieira. O novo cenário causa problemas regionais, com as secas deixando o Nordeste mais exposto ao desabastecimento.

"Hoje, o Nordeste requisita muito mais o sistema e essa energia acaba vindo do Sudeste. No atual modelo de leilão, não é possível escolher o local de onde vem a energia, o que acaba causando esse problema logístico", explica Daniela.

Vieira acredita que os sistemas regionais deveriam ser mais autossuficientes. "Não tem mais isso de jogar energia de um lugar para o outro. É um princípio de confiabilidade, recentemente houve um problema no Norte e caiu no Nordeste.

Quanto menos dependente for, menos isso iria ocorrer. O ideal é fazer leilões por tipo de fonte e por região." Daniela faz um diagnóstico semelhante. "A energia térmica é um seguro, proporciona capacidade de resiliência para o sistema se recompor.

O ideal é que houvesse mais projetos no Nordeste, para que houvesse um menor risco e menor dependência de energia externa."

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