ROG.e 2026
Especialistas com experiência internacional discutiram o potencial da infraestrutura para ampliar segurança do suprimento e flexibilidade no mercado brasileiro.
Redação TN Petróleo/Assessoria GBS Storage
A expansão das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira e as mudanças estruturais no mercado de gás natural criam um cenário maduro para o desenvolvimento de projetos de Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN) no país. A avaliação foi um dos principais pontos discutidos no Fórum Executivo sobre Armazenamento Subterrâneo de Gás, realizado pela GBS Storage, que reuniu especialistas internacionais, no Rio de Janeiro, em evento paralelo à ROG.e 2026.
Os especialistas enfatizaram que a estocagem subterrânea de gás envolve diferentes dimensões, desde a escolha e a conversão dos ativos até a operacionalização e estruturação comercial, além da integração com os demais elos da cadeia.
Carlos Montalvo, Diretor Comercial da Geostock, apresentou uma visão internacional sobre o desenvolvimento de projetos de estocagem e as diferentes possibilidades de utilização dessa infraestrutura. "A estocagem pode absorver oscilações do consumo, contribuir para a otimização do sistema energético e oferecer maior flexibilidade diante das variações dos preços internacionais do gás. São fatores que reforçam a relevância dessa infraestrutura para o Brasil", disse.
Já Mercedes Perisse, Head de Armazenamento Subterrâneo de Gás Natural da YPF Midstream Gas, abordou a perspectiva de um mercado que já utiliza a estocagem subterrânea como parte da infraestrutura de gás natural há 25 anos. "A estocagem subterrânea transforma os desequilíbrios sazonais entre oferta e demanda em flexibilidade para o sistema de gás natural. Também permite responder às variações de consumo ao longo do ano, otimizar a utilização da capacidade dos gasodutos e ampliar o aproveitamento do gás produzido localmente, reduzindo a dependência de GNL importado e de combustíveis líquidos. E, ainda, pode reaproveitar os reservatórios exauridos e de instalações existentes para prolongar a vida útil desses ativos", afirmou.
Rodrigo Milani, Diretor Associado da CERA Consulting, braço de consultoria da S&P Global, contribuiu com uma visão de mercado sobre as transformações na oferta e na demanda de gás a partir da estocagem e os fatores econômicos que podem influenciar na expansão dos serviços no mercado de gás. "No Brasil, onde o consumo de gás é fortemente influenciado pela necessidade de complementar a geração hidrelétrica em períodos de menor afluência, o armazenamento funciona como um amortecedor entre a produção variável e a demanda contínua, oferecendo flexibilidade para o abastecimento e otimização econômica do sistema", comentou.
Para Celso Silva, CEO da GBS Storage, o debate demonstrou que a estocagem de gás é uma tecnologia consolidada no mundo e que o Brasil tem plenas condições de avançar em projetos desse tipo e que o gás armazenado pode servir para ancorar a expansão das energias renováveis, garantindo suprimento e flexibilidade ao sistema elétrico. "Temos uma matriz elétrica cada vez mais renovável, uma demanda que tende a crescer e um mercado de gás em processo de abertura e desverticalização. Nesse cenário, a estocagem subterrânea pode cumprir uma função estratégica ao oferecer flexibilidade e confiabilidade ao sistema", afirmou.
A GBS Storage detém 20% de participação no campo offshore de Manati, na Bahia, que tem potencial de conversão para estocagem subterrânea. "A transformação de campos depletados em instalações de armazenamento pode prolongar a utilização de infraestruturas existentes e postergar o descomissionamento, além de preservar empregos e desenvolver conhecimento especializado em uma nova atividade do setor", disse Celso Silva, acrescentando: "A estocagem faz parte de um ecossistema que envolve produção, transporte, comercialização, importação, distribuição e geração de energia".
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