Etanol

EUA e Brasil discutirão transferência de tecnologia e taxas de importação

A transferência de tecnologia é defendida para padronizar o etanol com o objetivo de constituir um mercado de commodities. A eficiência energética do etanol brasileiro é cerca de oito vezes maior que a do americano. A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) inclui taxas de exportação


02/03/2007 00:00
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Ao solicitar ao governo brasileiro a inclusão da discussão a respeito das taxas cobradas sobre a exportação de etanol para o mercado norte-americano no encontro entre os presidentes Luís Inácio Lula da Silva e George W. Bush, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Única) pretende garantir participação no mercado ainda escasso para o produto.

O secretário geral da Única, Fernando Moreira Ribeiro, assegura que não há competição entre Estados Unidos e Brasil, mas, sim, falta de mercado para o produto, atualmente com consumo representativo apenas nos dois países com grandes produções. O executivo considera que o movimento de transferência de tecnologia, embutido, na idéia de padronização do produto não prejudica o Brasil, mas ao contrário, permite o desenvolvimento de um mercado internacional de etanol mais amplo.

A consultora Amarillis Romano, da Tendências Consultoria Econômica aponta para o risco de perda de liderança na produção internacional, mas defende a padronização. Para o executivo da Única a perda da liderança tem pouco significado: "Perder a liderança para os Estados Unidos não significa nada, apenas que eles estão produzindo mais do que a gente. O Brasil não tem como ser o supridor internacional", destaca.

Ribeiro comenta, ainda, que o foco dos usineiras é o atendimento do  mercado interno e que a exportação para qualquer país é complementar. Os número fornecidos pela próprias Única são coerentes: em 2006, a produção brasileira de etanol foi de 18 milhões de litros e as exportações chegaram a 3,5 milhões, sendo 2 milhões para os Estados Unidos.

Ainda assim, eficiência do etanol brasileiro em relação aos combustíveis de mesmas características produzidos em outros países revelam o desenvolvimento da tecnologia nacional."Para cada unidade de combustível fóssil utilizado na produção de etanol de milho, consegue-se 1,6 unidade de energia proveniente do combustível verde. No caso alemão, onde se utiliza o trigo para produzir álcool, a relação de uma unidade de combustível fóssil para 1,2 unidade de energia. No caso da cana-de-açúcar brasileira a relação é de uma unidade de combustível fóssil para 8,1 unidades de energia do etanol", explcica Ribeiro.

O Brasil utiliza o combustível proveniente do próprio bagaço da cana, enquanto nos Estados Unidos e Alemanha, onde também há uma pequena produção, utiliza-se queima de combustíveis fósseis.

Além do protocolo de entendimento para a padronização do etanol afim, o governo brasileiro aceitou incluir na pauta da reunião com o governo norte-americano, a questão das taxas, embora o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tenham antecipado aos representantes da Única que não haverá uma solução nesta reunião do dia 9 março. Os importadores do etanol brasileiro são obrigados a pagar uma taxa de US$ 0,54 por galão do produto comprado para os Estados Unidos.

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