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EUA abrem Iraque para investimentos em petróleo

HOUSTON, TEXAS - Os Estados Unidos vão abrir o território do Iraque para investimentos das companhias estrangeiras de petróleo. O presidente do Departamento de Comércio Americano para reconstrução do Iraque, William Lash, anunciou, porém, que esse movimento ainda vai demorar um pouco a ocorre


10/05/2004 00:00
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HOUSTON, TEXAS - Os Estados Unidos vão abrir o território do Iraque para investimentos das companhias estrangeiras de petróleo. O presidente do Departamento de Comércio Americano para reconstrução do Iraque, William Lash, anunciou, porém, que esse movimento ainda vai demorar um pouco a ocorrer, embora já estejam definidas algumas das diretrizes do processo. A abertura se dará por meio da concessão de blocos, a exemplo do que já ocorre no Brasil e na maior parte dos países.
Em relação às oportunidades para empresas brasileiras, Lash afirmou que o processo de reconstrução do Iraque poderá contar com grupos do Brasil. No setor de infra-estrutura, no entanto - considerado o filé mignon -, essa participação está restrita à condição de subcontratados de empreiteiras dos países que apoiaram o esforço americano para depor no ano passado o ditador Saddam Hussein. Nos demais segmentos, porém, as empresas brasileiras poderão ser contratadas diretamente pelo futuro governo, que assumirá o comando do país em junho.
O secretário americano recorreu às estimativas do Banco Mundial (Bird) para anunciar que a reconstrução do Iraque demandará US$ 55 bilhões nos próximos três anos. Segundo ele, o Congresso americano já autorizou o governo Bush a desembolsar US$ 18,4 bilhões do Tesouro para financiar parte desse esforço. A expectativa do secretário é que os governos dos países aliados contribuam com pelo menos outros US$ 13 bilhões, enquanto o restante deverá ser financiado pela iniciativa privada.
Lash participou nesta quinta-feira (06/05) de um almoço com mais de 150 empresários dos Estados Unidos e do mundo, durante o encerramento da 35 edição da Offshore Technology Conference (OTC), que desde a segunda-feira reuniu em Houston algumas das maiores fornecedoras de equipamentos do setor petrolífero mundial - inclusive grupos já presentes
em território iraquiano, como a americana Halliburton.
Atualmente, 14 companhias estão presentes no setor petrolífero iraquiano, que é o único ainda fechado para investimentos estrangeiros naquele país. Lash explicou, no entanto, que os detalhes do novo modelo ainda deverão ser estudados pelo conselho que governa o país desde a queda do ditador Saddam Hussein.
Segundo estimativas do representante americano, o país deverá receber US$ 2 bilhões de investimentos apenas no setor petrolífero, o que ampliará a produção do país, que ainda importa gasolina. Lash revelou que o objetivo do governo americano, a curto prazo, é aumentar a atual produção de petróleo do país de 2,5 milhões de barris por dia para 3 milhões de barris em janeiro do próximo ano. Até 2010, afirmou, a idéia é estar com uma produção de 6 milhões de barris por dia.
O representante do governo Bush foi a grande atração do dia, com um discurso marcado pelo otimismo exacerbado em relação às condições de segurança do país e um apelo quase messiânico, pontificado por frases de efeito. "O presidente Bush diz que a reconstrução do Iraque é mais do que uma oportunidade de negócio.
É um dever moral", disse. Em outro momento chegou a afirmar que os americanos são tão bem-vindos no Iraque que, além de circularem sem problemas com a bandeira americana, as tropas "já até podem ouvir rap nas ruas de Bagdá". "O Iraque é hoje um país seguro para se investir".
Entre os segmentos com maiores oportunidades para os empresários americanos, Lash enumerou não só o de infra-estrutura, como o de telecomunicações, óleo e gás e energia elétrica, como também o de serviços, incluído aí o de seguros e o de saúde. "Os iraquianos precisam de hospitais e precisam de escolas. Eles querem reconstruir o país", lembrou o secretário.

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