Combustíveis

Etanol barato só investindo

DCI
26/04/2011 09:58
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A história se repete todos os anos no período que antecede o início da nova safra de cana. Em 2011, não foi diferente. No ano de 2009, o consumo interno do etanol foi de 16 bilhões de litros e em 2010 caiu para 15 bilhões. No final do período passado, os preços do etanol subiram e há o prenúncio da falta do combustível, a fim de assegurar a regularidade do abastecimento nacional. Com a sensível quebra da produção açucareira na Índia, o alimento extraído da cana ficou valorizado no mercado internacional - US$ 345 em 2009 e US$ 456 em 2010. Em decorrência, algumas indústrias sucroalcooleiras exportaram maior quantidade do açúcar (24 milhões de toneladas em 2009 e 28 milhões em 2010), produzindo menos etanol. As exportações de açúcar resultaram na somatória de US$ 13 bilhões. Na safra 2010/2011, foram processados 560 milhões de toneladas da cana, 3% a mais que no período anterior. A produção de açúcar cresceu 17%, enquanto a do etanol, 7%.


Todos os combustíveis aumentaram as suas vendas em 2010, alcançando o recorde de 118 bilhões de litros.


Somente o diesel, diante da retomada econômica da nação, alcançou vendas de 50 bilhões de litros, a fim de movimentar caminhões, ônibus, térmicas e boa parte dos processos industriais. Com a dieselização da frota, o País passou a importar diesel. Mais de 12% foi a alta havida em 2010, em relação ao ano anterior de 2009.


As vendas de gasolina também não ficarem atrás. Elas subiram 18%, enquanto o uso de querosene nos aviões apresentou incremento de 15%, eis que o brasileiro está substituindo, gradativamente, o transporte rodoviário pelo aéreo.


O mundo inteiro está comendo mais açúcar, que cresceu quase 12% em 15 anos. A fim de manter as mencionadas taxas de crescimento, haverá a necessidade de mais de 50 milhões de toneladas de açúcar anuais, nos próximos dez anos. Hoje, o Brasil fabrica 40 milhões de toneladas, a cada ano.


Mais de 3 milhões de carros (flex) movidos a etanol ou gasolina foram vendidos em 2010, alcançando 12,5 milhões de carros. Para a Agêncika Nacional do Petróleo (ANP), se 80% da frota flex usassem o etanol o consumo anual do derivado da cana suplantaria a soma de 20 bilhões de litros. Conforme as previsões da Anfavea, até o final de 2011 o consumo potencial do etanol será de 25 bilhões de litros do tipo hidratado.


Diante desse desafiante cenário, torna-se fundamental a elaboração de normas e marcos regulatórios para a armazenagem do etanol na entressafra da cana, protegendo os usuários dos veículos flex, além do aumento da produção do combustível nas usinas.


Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, quando se analisa os indicadores como o custo de produção por hectare, balanço energético e redução nas emissões de gases de efeito estufa, a cana de açúcar se apresenta como a matéria prima mais competitiva para a produção de biocombustível.


Paradoxalmente, a pátria do etanol e da energia limpa e renovável importou, em abril de 2010, 200 milhões de litros do álcool de milho das destilarias norte-americanas.


Com a falta do etanol, disparou, da mesma forma, o emprego da gasolina, Em decorrência da opção pela gasolina, ficou mais acentuada a poluição ambiental na megalópole paulistana, crescendo as enfermidades respiratórias e do coração. Toda a gasolina recebe 25% de álcool anidro, o que melhora a qualidade (octanagem) do subproduto do petróleo.


Diante dessa conjuntura, há quem recomende a organização na ANP de uma estrutura similar ao do extinto IAA, a fim de solucionar os problemas da indústria sucroalcooleira, com a concessão de cotas de produção, do açúcar e do álcool e controle do plantio da cana.


Em recente pronunciamento, o estudioso das questões energéticas brasileiras, o professor Rogério Cerqueira Leite, ponderou sobre os riscos da produção do etanol serem ínfimos, em comparação com os do petróleo do pré-sal, cuja tecnologia de extração não está ainda desenvolvida.


Ademais, salienta que os riscos de vazamento do petróleo, em grandes profundidades marítimas e sob altas pressões, são imprevisíveis.


Apesar do petróleo já superar na média os US$ 120 por barril (160 litros), no início do segundo trimestre, podendo chegar a US$ 140 nos próximos meses, a gasolina continua com o seu preço congelado, entre nós, não havendo reajuste. Daí, o uso da gasolina ganhar um subsídio artificial, pois, atualmente, o preço da gasolina americana encontra-se 15% mais alto que o preço local. O etanol é competitivo com o petróleo - seu custo de produção equivale a US$ 40 por barril, gerando milhares de empregos no campo e nas cidades, além de ser produzido (100%) com equipamentos e tecnologia nacional.


Os planejadores da FEA/USP assinalam que o Brasil necessita construir pelo menos 15 novas destilarias de etanol a fim de conseguir o aumento da oferta do energético e evitar, desta forma, a alta histórica do preço do combustível no período da entressafra canavieira a cada ano.


Nos próximos dias de abril, com o início da nova safra, a produção alcooleira voltará à normalidade e os preços do etanol tendem a cair, embora o repasse aos postos seja demorado. A fim de evitarmos a repetição da instabilidade da produção/consumo do etanol, em 2012, urge que o governo elabore uma série de medidas de incentivo para que a indústria sucroalcooleira retorne os seus investimentos em novas usinas e na expansão do seu parque produtor.


A produção alcooleira é regida pelo mercado. Há cerca de 1 ano, fabricar açúcar rendia 150% mais do que produzir etanol hidratado. Nos dias atuais, resulta 30% e apenas 1%, respectivamente.
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