Internacional

Estratégia para Argentina não mudou, diz Petrobras

Valor Econômico
27/01/2011 09:29
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A Petrobras afirmou que "não mudou sua estratégia na Argentina" - país onde chegou em 2002 no setor petrolífero -, mas admite que a produção de óleo de sua subsidiária despencou nos últimos cinco anos. Segundo informou a companhia, por meio de comunicado, respondendo seis perguntas enviadas pelo Valor à sua assessoria, a extração diminuiu de 58 mil para 45 mil barris por dia, no período entre 2006 e 2010. A estatal brasileira argumenta que essa redução ocorreu "em função da tendência de declínio natural da produção, dada a elevada maturidade dos campos".
 

A Petrobras também reconhece a queda em sua participação na comercialização de combustíveis, que atribui à falta de interesse em "aumentar seu market share, priorizando investimentos em outros segmentos de negócios". A companhia, no entanto, contesta frontalmente os dados da Secretaria Nacional de Energia - compilados pela consultoria IES - sobre a queda em sua produção de gás natural.
 

De acordo com as estatísticas oficiais, a produção total de gás da Argentina teve retração de 8,4% desde 2006, enquanto a produção da Petrobras encolheu 10,9%. A estatal brasileira corrigiu os números. Informou que sua produção de gás saltou de 6,8 milhões de metros cúbicos por dia para 7,5 milhões de m³ no período, um aumento de 10,3%. Segundo a própria empresa, o erro pode estar associado ao cômputo de outras operações na América do Sul, reunidas sob a Petrobras Energia SA (atual Petrobras Argentina SA).
 

O declínio natural dos campos exigia fortes investimentos em exploração para manter e, talvez, aumentar a produção. A questão é que, pela maturidade de seus campos, a Petrobras foi mais prejudicada do que a média com a paralisia do setor desde que o governo apertou a regulação. Além de um imposto de 45% sobre as exportações de petróleo, os preços de revenda dos combustíveis foram controlados e o governo tenta manter o litro da gasolina no patamar de 4 pesos (cerca de US$ 1), enquanto a inflação tem subido ao ritmo de 25% ao ano e os custos com a mão de obra disparam.
 

Pelo menos um grande investimento em exploração começará a ser tocado, em fevereiro, quando um consórcio formado pela Petrobras, a YPF Repsol e a Pan American Energy (sociedade da família Bulgheroni com a chinesa CNOOC) iniciarão um projeto superior a US$ 150 milhões para buscar petróleo nas imediações das ilhas Malvinas.
 

A Petrobras tem 33% de participação no consórcio, enquanto as duas outras empresas detêm 33,5%, cada uma. Os trabalhos, a 289 quilômetros da costa sul da Argentina ocorrerão fora da área marítima em disputa com o Reino Unido. A YPF será operadora. É o maior projeto offshore da história petrolífera argentina.
 

No ano passado, companhias britânicas iniciaram trabalhos de exploração na região das Malvinas, o que gerou uma crise diplomática entre os dois países, que já se enfrentaram militarmente, na década de 80, pelo domínio desse território. Até agora, no entanto, as petrolíferas do Reino Unido declararam que os poços onde foi encontrado óleo não são viáveis comercialmente.
 

A Petrobras informou que tem investimentos previstos de US$ 1,6 bilhão em exploração e produção ""nos próximos anos", na Argentina. Desses, US$ 300 milhões são destinados a projetos offshore, com a previsão de perfurar dois poços. Quanto à venda de sua fatia acionária na Edesur, a empresa disse que "está constantemente revisando seu portfólio", mas negou que haja "negociação ou acordo" em curso com a Electroingeniería.
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