Petrobras

Estatal lança licitação para construção de 24 navios de apoio

<P>A Petrobras confirmou as expectativas do mercado e já preparou a primeira fase de um programa de construção e afretamento de navios de apoio às plataformas de petróleo e gás natural. Serão licitadas até 24 embarcações offshore de diferentes modelos cujo custo total pode alcançar US$ 1,...

Valor Econômico
07/05/2008 21:00
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A Petrobras confirmou as expectativas do mercado e já preparou a primeira fase de um programa de construção e afretamento de navios de apoio às plataformas de petróleo e gás natural. Serão licitadas até 24 embarcações offshore de diferentes modelos cujo custo total pode alcançar US$ 1,5 bilhão. As empresas interessadas têm prazo até 30 de julho para entregar as propostas. Os navios fazem parte de um pacote maior que inclui 146 embarcações a serem feitas no Brasil, com aumento do conteúdo nacional, até 2014, investimento estimado em cerca de R$ 10 bilhões.

O Valor apurou que a primeira etapa do programa será lançada oficialmente pela Petrobras na segunda-feira. A estatal foi procurada pela reportagem mas disse que não iria comentar o assunto. Estaleiros e armadores já estão com o pacote licitatório em mãos.

Executivo de uma empresa disse que a licitação inclui a construção de dois navios de apoio offshore nunca antes feitos no Brasil. São os chamados ORSVs (sigla em inglês de Oil Recover Supply Vessel), navios que atuam no combate a derramamento de óleo mas que têm outras aplicações. Além dos ORSVs, a licitação inclui quatro PSVs (Plataform Supply Vessel), tipo de navio offshore mais construído nos estaleiros nacionais; e 18 AHTS (Anchor Handling Tug Supply). Quem ganhar a licitação, assinará contrato de oito anos, renovável por igual período, para prestar serviços à Petrobras.

O programa busca renovar a frota offshore em operação no Brasil e atender ao aumento da produção de petróleo e gás. Os projetos dos navios a serem licitados levam em conta os desafios de produzir petróleo cada vez mais longe da costa e a maiores profundidades. É o caso dos campos de Tupi e Júpiter na área conhecida como pré-sal da bacia de Santos. Um executivo afirmou que os novos navios contemplam redução com gastos de combustível e aumento da velocidade.

As embarcações também terão de ser equipadas com sistemas de tanques para segregar resíduos da perfuração. Na maioria dos navios, hoje em operação, este tipo de material é colocado a bordo em recipientes como contêineres. É um sinal da maior preocupação com questões ambientais, disse o executivo.

Um empresário do setor afirmou que a licitação prevê conteúdo nacional de 70% para os AHTS e ORSVs e de 80% para os PSVs. Os índices excluem os itens mais sofisticados e caros dos navios como sistemas de propulsão e motorização, entre outros. A iniciativa do programa é excelente, disse Ronaldo Lima, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam). Ele reconheceu que os estaleiros terão de se preparar para atender a demanda, assim como a Marinha terá a tarefa de aumentar a formação de pessoal para tripular um maior número de navios. Um PSV exige duas tripulações com cerca de 13 pessoas cada uma.

Uma das dúvidas levantadas pelo programa da Petrobras é se os estaleiros terão capacidade instalada para atender a demanda a ser colocada pela estatal. Há hoje pelo menos cinco estaleiros no país focados na construção de navios para o segmento offshore: Promar, Aliança e Mac Laren, todos de Niterói (RJ); Navship, de Navegantes (SC); e Wilson, Sons, do Guarujá (SP). Juntos eles têm capacidade para construir cerca de 19 embarcações por ano e estão com grande número de encomendas em curso.

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