Indústria Naval

Estaleiros entram na disputa por 40 navios da PDVSA

Valor Econômico
04/04/2005 00:00
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O Brasil está entrando na disputa pela construção de cerca de 40 navios a serem encomendados pela PDV Marina, empresa controlada pela Petróleos de Venezuela (PDVSA). Na quinta e sexta-feira desta semana, comitiva formada por estaleiros e por representantes da Petrobras e do BNDES, chefiados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), se reúnem, em Caracas, com indústrias locais e com a PDVSA para conhecer o programa de renovação da frota da estatal venezuelana.
O negócio pode representar a abertura de exportações de navios para a indústria naval brasileira. Sérgio Bacci, secretário de Fomento para Ações de Transporte do Ministério dos Transportes, admitiu que o Fundo de Marinha Mercante (FMM), principal fonte de financiamento da indústria naval brasileira, poderá apoiar a construção de navios para a exportação. Ele informou que o orçamento do Fundo para 2005 é de R$ 1 bilhão, montante ao qual é preciso somar R$ 2,5 bilhões em estoque no Tesouro Nacional. Esse dinheiro é referente à arrecadação do adicional sobre fretes e ao retorno obtido com os empréstimos no FMM.
Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Indústria Naval e Offshore (Sinaval), que reúne os estaleiros, afirmou que as empresas têm interesse na construção dos 40 navios da PDVSA, mas ainda é cedo para saber se o negócio irá evoluir. Rocha estimou que as 40 embarcações podem significar um investimento de US$ 3,7 bilhões (média de cerca de US$ 90 milhões por embarcação). Oficialmente, o governo brasileiro desconhece o valor total dos navios.
"Queremos compreender melhor essa grande encomenda", disse Maria das Graças Foster, secretária de Petróleo, Gás e Combustíveis Renováveis do MME. Ela vai chefiar a delegação, que envolverá cerca de 40 empresários ligados às diversas áreas do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás (Prominp). Também devem participar da comitiva representantes da Transpetro e da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip).
Rocha disse que a demanda de novos navios pela PDVSA atrai indústrias de vários países, como Espanha e China. O Brasil pode levar alguma vantagem em relação a esses países pela parceria estratégica acertada com a Venezuela. Os dois países assinaram memorando de entendimento na área de construção naval. Uma fonte do setor disse que o programa venezuelano é antigo e que a PDVSA já contratou, com estaleiros espanhóis, a construção de dois navios para transporte de asfalto. Ainda há demanda potencial de outras 40 embarcações, incluindo navios tipo Aframax, Panamax, para transporte de derivados, óleo combustível e gaseiros, citou a fonte. O interlocutor lembrou que as discussões ainda estão na fase de consultas.
Wagner Victer, secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio, entende que não há uma licitação marcada pela PDVSA, como ocorre no Brasil com a Transpetro, que quer encomendar no país a construção de 42 navios. O que existe na Venezuela, segundo Victer, é uma demanda potencial para a construção de navios de diferentes portes, o que interessa a diversos países. Ele informou ainda que, em maio, pretende levar à Venezuela uma comitiva de empresários dos setores de partes e peças da indústria naval.
Um ponto-chave para o bom andamento das tratativas com a PDVSA é a estruturação das garantias a serem oferecidas pelos estaleiros na construção dos navios. Essas garantias são essenciais para que os estaleiros recebam os empréstimos do BNDES, o agente financeiro do FMM. Bacci, do Ministério dos Transportes, acredita que esse não será um empecilho, e cita como alternativa a possibilidade de uso do seguro de performance da indústria naval, recém criado. O Sinaval pondera, por sua vez, que o BNDES-Exim, braço de exportações do BNDES, também poderá participar da operação. Entre os estaleiros que confirmaram participação na viagem à Venezuela estão Estaleiro Ilha S.A. (Eisa), Promar, Sermetal e Mauá Jurong, entre outros.

O repórter viajou a convite da Emap.

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