Indústria Naval

Estaleiros do Rio já demitiram 10 mil

<P>Na contramão da expansão da indústria naval em todo o País, a falta de novas encomendas a estaleiros do Rio de Janeiro provocou a demissão de, pelo menos, 10 mil trabalhadores no estado desde abril, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos local. Os sindicalistas apontam a concorrência ofereci...

Jornal do Commercio
31/07/2008 21:00
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Na contramão da expansão da indústria naval em todo o País, a falta de novas encomendas a estaleiros do Rio de Janeiro provocou a demissão de, pelo menos, 10 mil trabalhadores no estado desde abril, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos local. Os sindicalistas apontam a concorrência oferecida por estaleiros de outros estados como a principal causa dessas demissões na região, que até hoje concentrava quase 98% das atividades.

De acordo com o sindicato, o quadro de trabalhadores nos estaleiros fluminenses já estava próximo dos 40 mil, número atingido na época áurea da indústria naval, na década de 70. Com a derrocada do setor, este número caiu para até menos de 4 mil trabalhadores, quadro que se reverteu a partir de 2002, com a retomada das encomendas da Petrobras, principalmente de plataformas de exploração e produção de petróleo. O sindicato, no entanto, alega que o ritmo de encomendas poderia ter sido maior. Das 18 que entraram em operação desde aquele período, apenas seis foram encomendadas ao mercado nacional. As demais foram afretadas.

Os sindicalistas programam uma grande manifestação para a próxima semana, em protesto contra o que classificam como descaso da Petrobras e do governo do estado com o setor naval. Entre as principais reivindicações estão a liberação da encomenda da plataforma P-62, ao estaleiro Mauá; e ainda o arrendamento da área do antigo estaleiro Ishibrás - hoje pertencente ao grupo Iesa - para viabilizar a construção de navios no Rio.

A área do Iesa estava arrendada ao consórcio Rio Naval - formado pela construtora MPE e pelo estaleiro Sermetal - e serviria de base para a construção de nove navios encomendados pela Transpetro em sua primeira fase do Programa de Renovação da Frota. Porém, com a alta nos preços de equipamentos de petróleo, movida pela elevação do preço do barril no mercado internacional, o Grupo IESA reajustou o arrendamento em mais de três vezes o valor inicial, o que inviabilizou a permanência das obras na área.

Segundo o presidente da MPE, Renato Abreu, estão sendo avaliadas áreas para a instalação de um novo estaleiro da MPE para a realização das obras no Maranhão e no Espírito Santo. O diretor-superintendente do sindicato, Luiz Chaves, argumenta que a Petrobras já arrendou um terreno no Rio Grande do Sul para a construção e manutenção de plataformas e que poderia fazer o mesmo no Rio. A Petrobras não comenta o assunto.

Já no caso da plataforma, o diretor da Área de Serviços da estatal, Renato Duque, disse que a opção está em análise, mas não há definição sobre o assunto. A possibilidade estudada é a de clonar uma unidade que já havia sido construída pelo Mauá, a P-54. A construção de uma unidade idêntica à outra é uma estratégia adotada pela Petrobras em outras ocasiões, para acelerar projetos, porque dispensa a necessidade de uma licitação.

O Mauá hoje está concluindo a construção da plataforma de Mexilhão e depois ficará sem novas encomendas, tendo que demitir os atuais 4 mil trabalhadores. Segundo Chaves, o Mauá também pode abrigar obras de pelo menos quatro navios encomendados pela Transpetro ao consórcio Rio Naval, que ficou desalojado esta semana.

O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, afirmou que o consórcio Rio Naval tem prazo até 15 de agosto para que encontrar uma nova área para a construção dos navios licitados, que somam investimentos de US$ 1,1 bilhão. Caso isso não ocorra, o contrato pode ser cancelado.

Ele admitiu que a construção destas embarcações já está atrasada em um ano, já que o consórcio responsável pela obra sequer comprou o aço para a construção dos navios. Segundo ele, desde a assinatura do contrato 12 meses atrás, vinham sendo feitos esforços para que as obras permanecessem no Rio. O que não podemos é ficar esperando. Há prazos para serem cumpridos, disse Machado.

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