Internacional

Espanha pode barrar metade da exportação argentina de biodiesel

Valor Econômico
18/05/2012 09:26
Visualizações: 1153
O agronegócio argentino deve começar a pagar na próxima semana o preço da expropriação da petroleira YPF. A Espanha ameaça parar de importar biodiesel.

No dia 21 vence o prazo de 30 dias dado pelo governo do premiê espanhol, Mariano Rajoy, para que produtores da Espanha e do resto da União Europeia se inscrevam para fornecer ao menos 2 milhões de toneladas de biodiesel ao país anualmente, até 2014. Caso a capacidade produtiva dos interessados atinja essa meta, dentro de seis meses deverão estar extintas as exportações de biodiesel da Argentina para a Espanha, que renderam US$ 1,1 bilhão no ano passado.

O total representa 51,6% de toda a receita argentina com a venda do produto, uma estrela em ascensão na balança comercial do país, tendo as exportações passado de US$ 1,2 bilhão para US$ 2,1 bilhões entre 2010 e 2011. O produto responde ainda por pouco mais de um terço dos US$ 2,9 bilhões que a Argentina vendeu à Espanha no ano passado, num intercâmbio comercial em que o país sul-americano teve superávit de US$ 1,5 bilhão.

A medida de Rajoy era esperada em Buenos Aires, em retaliação à expropriação da YPF, que até 16 de abril era controlada pela espanhola Repsol.

Desde 2009 os produtores espanhóis de biocombustível tentam bloquear o biodiesel argentino, e três semanas antes da expropriação, quando a atrito entre Argentina e Espanha já era evidente, a Associação de Produtores de Energia Renovável da Espanha (Appa) divulgou balanço em que afirmava que 50 indústrias locais operavam com capacidade ociosa de 86%.

Do 1,6 milhão de toneladas de biodiesel consumidos pela Espanha, 1,2 milhão vieram do exterior em 2011, sendo 720 mil toneladas da Argentina. "A indústria espanhola de biodiesel entrou numa fase terminal, que se concluirá com a sua desaparição, a não ser que o ministério da Indústria [da Espanha] publique no diário oficial a ordem de reserva para a produção local", afirma o documento logo em seu início. Com a expropriação, o argumento protecionista pesou mais alto que o custo adicional que a Espanha poderá ter para produzir o biodiesel.

Na Argentina, espera-se para os próximos dias um decreto da presidente Cristina Kirchner elevando de 7% para 10% a mistura do biocombustível no diesel, medida aguardada desde o ano passado.

"É uma medida que irá atenuar a possível perda do mercado espanhol, mas não será suficiente para sanar a redução das exportações. Além do impacto na balança, haverá efeito na produção", disse o economista Mauricio Claveri, da consultoria Abeceb, especializada em comércio exterior. Para ele, a elevação não mudará o panorama do consumo interno. O país consome só 31% das 2,5 milhões de toneladas de biodiesel que produz. Com a conclusão de novos investimentos, a capacidade de produção da Argentina deve atingir este ano 3,2 milhões de toneladas.

Apontar o mercado interno como saída foi a primeira reação de Cristina quando a Espanha anunciou a retaliação, em 20 de abril. Com ironia, a presidente questionou a lógica econômica da medida. "O país está em condições de absorver esta produção. Se a Espanha quer pagar mais caro pelo biocombustível que usa, essa é uma decisão soberana".

Na última segunda, porém, a Argentina protocolou uma queixa na UE em que acusou a medida espanhola de discriminatória. O governo alega que a Espanha já tomou a iniciativa de retaliar ao buscar medidas contra a Argentina em organismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio e o Banco Mundial.

"Esta semana a Argentina também começou a ser demandada em outro nível pelo mesmo motivo. A petroleira Repsol apresentou formalmente anteontem uma "declaração de controvérsia". É o primeiro passo para a abertura, em 60 dias de um processo no Ciadi, o tribunal de arbitragem do Banco Mundial, foro em que a Argentina é o país que enfrenta mais processos, muitos ainda decorrentes do fim do regime de paridade cambial e da moratória unilateral, declarados em janeiro de 2002".
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
Bacia de Santos
Bacalhau completa primeiro ano de produção nos 25 anos d...
15/10/26
Firjan
Fim da escala 6x1: Firjan fará propostas que garantam se...
15/10/26
Bacia de Santos
Acordos de equalizações referentes às Jazidas Compartilh...
15/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.