Internacional

Escassez de energia põe em risco a economia do Japão

Valor Econômico
24/03/2011 09:43
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O fornecimento de energia no Japão deve continuar insuficiente nos próximos meses, um problema que ameaça a atividade econômica, o planejamento das empresas e o consumo no país.
 

A oferta de energia para Tóquio durante os meses de verão poderá ficar mais de 30% abaixo da demanda. No governo, devem crescer a pressão para a adoção de horário de verão e de turnos flexíveis de trabalho para ajudar na redução do consumo de energia.


A capacidade de fornecimento do Japão foi reduzida com o fechamento de algumas usinas nucleares depois do terremoto do dia 11 e, desde então, diversas empresas, incluindo algumas gigantes japonesas, suspenderam a produção ou operam de modo reduzido.


Além dos danos provocados pela falta de energia, o país enfrenta o risco de contaminação radioativa de produtos agrícolas e pescados e também da água fornecida até para Tóquio.


Ontem, a Tokyo Electric Power (Tepco) - que é dona da usina nuclear de Fukushima, onde há o vazamento nuclear - disse que atualmente é capaz de fornecer 37.500 megawatts e que, até o fim deste mês, conseguirá acrescer 2.000 megawatts. Nesse ritmo, a capital japonesa terá 34% menos energia nos meses de verão do que precisou no durante o mesmo período do ano passado - cerca de 20.500 megawatts a menos. No verão passado, o consumo em áreas atendidas pela empresa chegou a 60.000 megawatts; em 2009, foram 55.000 megawatts.


Ao ser questionado sobre a situação, o porta-voz da Tepco, Naoyuki Matsumoto, se recusou a apresentar uma estimativa da demanda de energia para este ano e se a empresa tem algum plano para cobrir a provável diferença entre demanda e oferta. Matsumoto também preferiu não responder se a Tepco terá de reduzir o fornecimento de energia a empresas e a residências durante o verão - quando a demanda sobe.


Os problemas de energia poderão não somente comprometer a atividade econômica no Japão como provocar danos em cascata em outras economias asiáticas, segundo avaliação feita na semana passada pela Standard & Poor's.


Sony e Toyota são algumas das empresas japonesas que suspenderam suas operações depois que o terremoto seguido de um tsunami danificou infraestrutura de geração de energia no norte da ilha. Pelos cálculos da Goldman Sachs, o país perdeu 11% de seu capacidade de geração.


Até abril, cinco áreas da capital japonesa continuarão sofrendo apagões. Cerca de 25% de Tóquio e arredores sofrem cortes diários.


"Devemos aproveitar a oportunidade para fazermos uma revisão básica nas contas de energia e também para adotarmos horário de verão e horários de trabalho flexíveis", defendeu ontem o ministro Renho Murata, da conservação de eletricidade.


Mas, para a realidade japonesa, avançar o relógio na tentativa de poupar energia pode não ser muito eficiente. "Em regiões como a Europa, o horário de verão pode reduzir o consumo de energia, mas nos Estados Unidos e na Ásia, as coisas podem ser diferentes", disse Jerzy Grynblat, diretor da área de energia nuclear da empresa sueca de gestão de risco Relcon Scandpower. "Os Estados Unidos e a Ásia usam mais ar condicionado que a Europa, e por isso a economia de energia tende a ser menor".
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