Economia

Eraí Maggi fará terminal de grãos no porto de Santarém

Maior produtor individual de soja do mundo e dono da maior área plantada de algodão no Brasil, o megaprodutor Eraí Maggi Scheffer planeja fechar o ciclo produtivo ao investir R$ 50 milhões na construção de um terminal graneleiro no porto de Santarém (

Valor Econômico
28/06/2010 06:01
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Maior produtor individual de soja do mundo e dono da maior área plantada de algodão no Brasil, o megaprodutor Eraí Maggi Scheffer planeja fechar o ciclo produtivo ao investir R$ 50 milhões na construção de um terminal graneleiro no porto de Santarém (PA), na confluência dos rios Tapajós e Amazonas.

 


Em parceria com outras empresas, cuja identidade preserva por cláusulas de confidencialidade, o empresário busca fazer de seu grupo Bom Futuro uma referência na nova rota de escoamento de grãos do Centro-Oeste. O novo terminal, que começa a ser construído em 2011, terá capacidade para movimentar 3 milhões de toneladas de grãos por ano e 1,5 milhão de toneladas de cargas em contêineres.



Estimulado pelo avanço do asfaltamento da BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém, o produtor de 358 mil hectares disputará a licitação da Companhia Docas do Pará (CDP) para arrendar uma área de quase 40 mil m², onde será erguido um novo terminal portuário. A Cargill já opera um controverso terminal privado para 1,2 milhão de toneladas de grãos por ano no porto de Santarém.



Nos planos de Eraí, cujo império espalha-se por 70 fazendas de 15 municípios de Mato Grosso, estão a construção de cinco silos com capacidade estática para armazenar até 150 mil toneladas de grãos. O volume seria suficiente para abastecer ao menos três navios tipo Panamax por mês. "É interessante ter um porto em Santarém. Me preocupa sair a BR-163 e não ter porto lá", diz ele. "Isso vai ser fundamental". O terminal exportará soja, algodão, milho e carne em contêineres. Eraí lembra que um terminal da Terfron, em Barcarena (PA), seria uma alternativa para os grãos.

A primeira fase do projeto de Santarém terá área de 23 mil m² e três silos com capacidade para 96 mil toneladas ao custo de R$ 30 milhões. Na segunda, R$ 20 milhões devem elevar mais 15 mil m² de área portuária para atingir armazenagem de 150 mil toneladas.

O edital do novo terminal deve ser aprovado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) até o fim do ano, informa a Administração do Porto de Santarém. Quem ganhar a licitação, terá que operar cargas de terceiras empresas. Multinacionais como ADM e Bunge têm interesse em participar, diz o administrador do porto, Celso Lima. "Deve haver disputa". Ele afirma que, além da BR-163, a hidrovia do rio Madeira também demandará serviços em Santarém. "A BR-163 vai sair, mas a hidrovia do Madeira é quem abastecerá de forma mais volumosa o porto".



Diante da nova oportunidade, a CDP investirá R$ 68 milhões na ampliação da plataforma de atracação, rampa fluvial, além das áreas de contêineres e carga geral do porto de Santarém. Com isso, serão movimentados até 6 milhões de toneladas de grãos ao ano, estima Lima. A Cargill, diz o administrador, também elevará sua operação de 1,2 milhão de toneladas para até 5 milhões de toneladas. "Eles vão triplicar a operação aqui", diz.



Antes disso, uma decisão deve balizar os investimentos na região. No dia 14, uma audiência pública debaterá os estudos de impacto ambiental (EIA-Rima) do terminal graneleiro da Cargill. "A audiência será determinante para definir o volume de investimento privados nos portos do Pará", diz Lima. A Cargill teve de realizar os estudos por determinação judicial. O Ministério Público Federal questionou a decisão da secretaria estadual sobre a dispensa do EIA-Rima. Na Justiça, o MPF reverteu a decisão. "A audiência não deve embargar o porto da Cargill", diz Lima.
 
 

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