Economia
Jornal do Commércio
A entrada da Brasil Ecodiesel na primeira prévia do índice do Ibovespa repercutiu bem entre analistas, mas não eliminou preocupações em relação ao problema enfrentado pela companhia na justiça sobre o Selo Combustível Social. O presidente de Relações com Investidores da Brasil Ecodiesel, Charles Mann, destacou a importância da entrada empresa no Ibovespa, e aposta em uma decisão positiva para a disputa judicial com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Mann afirma que a expectativa é de que a entrada na Ibovespa se confirme nas próximas prévias. "Esperamos aumento no volume de investidores para a Brasil Ecodiesel, o que vai aumentar a importância da cautela por parte da diretoria da empresa." Caso a entrada da companhia conste na nova carteira, a Brasil Ecodiesel passará a integrar o índice de maio a agosto deste ano. O executivo se manifestou ainda a respeito do selo. De acordo com ele, mesmo com a perda, a Ecodiesel poderá continuar produzindo para venda nos leilões da ANP por meio de duas de suas quatro usinas produtoras de biodiesel. "Caso a perda aconteça, o que é uma visão pessimista, não é o fim do mundo para a empresa."
João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, afirma que o mercado de biodiesel é promissor, mas ainda existem dúvidas sobre investir na empresa, por conta do selo. A Brasil Ecodiesel não terá direito à participar por um ano dos leilões da Agência nacional de petróleo, gás natural e biocombustíveis (ANP), caso perca no Superior Tribunal de Justiça o recurso contra o MDA. Os leilões da ANP dentro do selo são 80% de todo o volume comercializado. "Por enquanto, a recomendação é manter um pé atrás."
O analista da SLW Corretora, Erik Scott, afirma que o processo está em vias de resolução, podendo ser decidido nos próximos dias. "O juiz pediu já um parecer do Ministério Público, quando for entregue ele deverá dar sua decisão." Scott prevê que valorização rápida nos papéis da companhia caso a decisão seja positiva.
Mesmo com a possível perda do selo, Scott qualifica a perspectiva da empresa como boa para este ano. O analista afirma que os resultados apresentados, de prejuízo líquido de R$ 88 milhões no ano de 2009, não são sinal de dificuldades financeiras. "O prejuízo aconteceu porque a empresa limpou o seu balanço em 2010, é resultado do processo de reestruturação", explicou. O quarto trimestre foi o primeiro no qual a companhia conseguiu cumprir seus contratos de venda de biodiesel para a Petrobras, mostrando uma tendência de recuperação.
Analistas acreditam que a perda do selo pode levar a companhia a adotar posição mais agressiva, investindo fortemente nos leilões que não estão dentro do selo para compensar as perdas do 17° Leilão da ANP, cujo volume contratado seria perdido. Victor Figueiredo, analista da Planner Corretora, afirma que o prejuízo correspondente aos 24 mil metros cúbicos vendidos seria de R$ 54 milhões. "É uma incógnita se a empresa se recuperaria destas perdas nos dois últimos trimestres de 2010." O analista lembra que no ano passado a empresa mudou sua diretoria e modelo de negócios, que estava focado na produção de biodiesel por meio de mamonas. "A Brasil Ecodiesel está reescrevendo sua história."
Em reunião com investidores no dia 25 de março, na Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Rio de Janeiro (Apimec-Rio), o diretor-presidente da companhia, Mauro Cerchiari, já havia antecipado que a entrada da companhia no índice Ibovespa era uma possibilidade. A integração das ações ordinárias da Brasil Ecodiesel no índice — em conjunto com as da Agre Empreendimentos Imobiliários — valorizou as ações da empresa na quinta-feira.
Existe ainda, de acordo com a Brasil Ecodiesel, uma tendência nos próximos anos de liberalização do modelo de vendas por meio de leilões. Isso significaria, caso se torne realidade, o possível fim da existência do selo, abrindo espaço para a comercialização do biodiesel diretamente para distribuidores, sem intermediação da ANP.
Por Fábio Ferreira | Jornal do Commercio
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