Internacional
Valor Econômico/ag.
A inflação nos EUA registrou em fevereiro a maior alta em quatro meses, fomentando mais preocupações de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vá acelerar o ritmo do aumento da taxa básica de juros. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) cresceu 0,4%, mais do que o previsto, informou ontem o Departamento do Trabalho, em Washington.
O núcleo do índice - o chamado "core index" em inglês, que exclui preços de alimentos e energia - subiu 0,3%, o maior patamar desde o último setembro. No acumulado de 12 meses, a inflação foi de 2,4%, se comparada com o mesmo período do ano anterior, configurando também a maior alta de agosto de 2002. Boa parte da alta nos preços ao consumidor foi puxada pelos custos de energia.
O relatório de inflação é mais um subsídio à política de aumento dos juros adotada pelo Fed. Anteontem, o órgão elevou os juros americanos pela sétima vez, para 2,75%, alegando que a pressão inflacionário vem crescendo. A decisão, mais o indicador divulgado ontem, repercutiu de forma negativa nos mercados internacionais e elevou o risco-país dos países emergentes, inclusive o Brasil.
Os preços de energia em fevereiro subiram 2%, mas tratamentos médicos também tiveram uma alta significativa de 0,6%, e os de carros e caminhões subiram 0,1%.
Com o crescimento econômico americano e a indústria trabalhando em sua capacidade máxima, as pressões inflacionárias mencionadas pelo Fed deverão se intensificar. Economistas dizem que a inflação parece estar se aproximando agora do teto de tolerância admitido pelo órgão de política monetária americano.
No entanto, alguns economistas dizem também que essas pressões não são tão preocupantes assim. Primeiro, argumentam, o crescimento do núcleo da inflação, de 0,3%, foi um arredondamento de 0,251%. Segundo, a alta de preços foi um fator isolado em alguns setores. "Parece que a inflação está confinada a algumas áreas problemáticas", disse Ryan Wang, economista do HSBC em Nova York.
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