Combustíveis

Efeitos sobre inflação ocorrem este ano e diferença menor alivia 2005

Valor Econômico
26/11/2004 00:00
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O impacto sobre a inflação do reajuste dos combustíveis realizado nesta quinta-feira (25/11) pela Petrobras deve se concentrar no mês de dezembro. Economistas ouvidos pelo Valor avaliam que o aumento alivia a pressão sobre a inflação em 2005, pois quase liquida a defasagem entre os preços internos e internacionais da gasolina.
Os especialistas estimam que a nova alta do preço dos combustíveis significa um aumento entre 0,1% e 0,2% para o IPCA, indicador utilizado pelo governo para estabelecer as metas de inflação. Os cálculos foram feitos com base no reajuste praticado pela Petrobras a partir de hoje de 4,2% para a gasolina e 8% para o diesel. O boletim Focus, do Banco Central, estima alta de 7% para o IPCA em 2004 e 5,9% em 2005.
Na avaliação dos economistas, o governo só conseguiu minimizar a defasagem dos preços internos e externos por conta da queda acentuada do preço do petróleo e da valorização do real ante o dólar. Entre 14 de outubro - data do reajuste anterior dos preços dos combustíveis - e ontem, a cotação do barril de petróleo tipo Brent caiu 16,8%, de US$ 51,2 para US$ 42,58. Já o dólar recuou 4%, de R$ 2,86 para R$ 2,74.
Apesar das discussões públicas entre a Petrobras e o Banco Central, o novo reajuste deve levar os preços da gasolina a encerrar o ano bem próximos dos 9,5% de alta estimados pelos economistas do banco. Até outubro, o preço da gasolina acumulava alta de 6%. O reajuste de hoje significa mais de 3% de valorização.
"O impacto do reajuste é limitado ao curto prazo", diz Simino, da MS Consult 
Com a ameaça da gasolina sobre controle, as atenções do mercado estarão voltadas para o patamar do câmbio, para o comportamento do preço das commodities e para o impacto residual do reajuste do diesel - cuja defasagem é superior ao registrado na gasolina.
"A inflação agora é 100% câmbio", opina Carlos Thadeu de Freitas Gomes Filho, economista da UFRJ. Segundo ele, o reajuste dos combustíveis "limpa os ruídos" da inflação para 2005, mas "amarra" o BC na manutenção do atual patamar do dólar. "Se o BC deixar o real perder valor no próximo ano, esse ajuste dos combustíveis vai por água abaixo".
Para o economista, o anúncio de que o Tesouro Nacional comprará dólares no mercado não deve ter impacto significativo no câmbio e na inflação. Gomes Filho reviu a previsão para o IPCA no ano de 7% para 7,3%, por conta do impacto de 0,17 ponto percentual do reajuste dos combustíveis.
A GRC Visão não descarta um outro reajuste nos combustíveis. Para o economista Alex Agostini, além da alta do petróleo, caso ocorra valorização do dólar frente demais moedas no próximo ano, a defasagem dos preços no mercado internacional e doméstico alcançará novamente um patamar elevado.
Para a MS Consult, o aumento da gasolina terá impacto de 0,12% no IPCA. A consultoria calcula que a defasagem dos preços internos e externos da gasolina fica em 6,2% e do óleo diesel em 8,3%. "O impacto é pequeno e está limitado ao curto prazo. E boa parte das expectativas negativas para 2005 foram retiradas", avalia o economista Jorge Simino.
Fernando Fenolio, da Rosenberg & Associados, também vê diminuição da defasagem. De acordo com seus cálculos, com o aumento anunciado pela Petrobras, a defasagem passou de 22,9% em outubro para 3,6% agora em novembro. "Dessa forma, o impacto será absorvido até o final de dezembro e não contaminará a inflação de 2005", diz.
No entanto, a defasagem dos preços do diesel ainda é elevada e está em torno de 15%. Isso terá influência principalmente sobre o setor de transportes de carga e também sobre o transporte público. No primeiro caso, o aumento espalha-se por toda a cadeia e "respinga nos produtos que são transportados". "As passagens de ônibus também devem ser reajustadas", afirma Fenolio. Ele acha que após três reajustes no diesel neste ano - junho, outubro e agora novembro - "fica difícil segurar preços" do transporte público.

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