Combustíveis

Donos de postos acham que preço do álcool não cairá; consumidores acreditam em redução

Com a redução de 25% para 20% do percentual de adição de etanol na gasolina, o mercado de Brasília vive um clima de expectativa. Os gerentes de postos de combustíveis não acreditam que a diminuição da mistura, anunciada ontem (11) pelo governo, vá provocar uma queda no preço do produto. O

Agência Brasil
12/01/2010 09:13
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Com a redução de 25% para 20% do percentual de adição de etanol na gasolina, o mercado de Brasília vive um clima de expectativa. Os gerentes de postos de combustíveis não acreditam que a diminuição da mistura, anunciada ontem (11) pelo governo, vá provocar uma queda no preço do produto. Os consumidores torcem, entretanto, para que o etanol fique mais barato, a partir de fevereiro, quando a medida passará a vigorar.
 

Para os donos dos postos de combustíveis da capital, a medida do governo pode resultar num aumento dos preços do álcool e da gasolina. “Já nas primeiras semanas de fevereiro poderemos ver essa diferença nas tabelas”, disse Bruno Dias, representante de um posto na área central de Brasília.

 

Éverton Souza, gerente de outro posto da zona central da cidade, disse que outras medidas deveriam ter sido adotadas para proteger o álcool, porque a escolha entre o etanol e gasolina depende do consumidor. “Apenas alguns motoristas pensam na economia do combustível na hora de abastecer. Outros pensam no motor e no desempenho do carro. Acho que a procura [por etanol] não diminuirá tanto assim. São apenas expectativas”.

 

Luís Gomes dos Santos, representante de um posto na Asa Norte, afirma que a gasolina sempre tem o preço maior que o do álcool. Ele acha que o governo decidiu reduzir a mistura para fazer com o mercado de combustíveis voltasse a viver situação semelhante a de meses atrás, quando o preço do álcool era mais vantajoso para os donos de veículos flex. “O problema é que dependemos de uma série de fatores, como o aumento das exportações do açúcar [quando as cotações internacionais do produto estão mais atrativas a indústria canavieira prefere produzir mais açúcar a partir da cana do que fabricar álcool combustível] e o clima.”

 

 

De acordo com diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, é necessário que se respeite o prazo de 90 dias, que vai de 1º de fevereiro até 1º de maio de 2010, para ver como o mercado se comporta. “A disponibilidade de álcool anidro dará segurança ao consumidor por conta de migração do etanol hidratado para gasolina”. Segundo a Unica, a redução pode resultar num oferta adicional de 100 milhões de litros do produto por mês.

 

O estudante Carlos Botelho, dono de um veículo biocombustível, disse que quando comprou o seu carro era vantagem abastecer com etanol, mas com o tempo o preço foi se aproximando da cotação da gasolina. “A diferença é pouca na hora de escolher entre o álcool e a gasolina. Nas últimas semanas, até preferi abastecer com a gasolina por conta do preço”, disse ele.

 

O professor Carlos Magno, proprietário de um carro flex, contou que abastece de acordo com a tabela do posto. “Duvido muito que dê pane no veículo por usar só um tipo de combustível. Não posso me dá o luxo de abastecer só com álcool. Espero que a medida do governo ajude não só os postos, mas os consumidores.”

 

Pesquisa realizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostras que apenas em sete estados era mais vantajoso abastecer os veículos com álcool.

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