Combustível

Distribuidor de GLP quer retomar espaço

Valor Econômico
15/08/2005 00:00
Visualizações: 1105

A decisão da Petrobras de começar a negociar com as distribuidoras um aumento de 19% no preço do gás boliviano ou a "retirada dos descontos", como prefere a estatal, foi bem recebida por outro representante do setor, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás). O setor de GLP enxerga espaço para um aumento no consumo do produto - que caiu 10,29% entre 2000 e julho de 2005 - e a retomada do terreno perdido com a entrada do gás natural.
O presidente do Sindigás, Sérgio Bandeira de Mello, costuma dizer que o GLP é visto como "o patinho feio" da matriz energética mas acha oportuno começar a discutir o futuro desse insumo no momento em que o país ruma para a auto-suficiência do petróleo ao mesmo tempo em que a Bolívia decidiu elevar os preços do seu gás, forçando o Brasil a colocar um freio no crescimento do consumo de gás.
"O GLP pode retomar espaço perdido para o gás natural na pequena e média indústrias, não sendo apenas um `backup` do gás natural. E no momento em que o país se prepara para ser auto-suficiente, há uma necessidade de se discutir novos usos para o GLP. É hora de discutir se ele deve ser exportado para a China enquanto se usa no Brasil combustíveis que não são limpos, como o diesel", defende Mello.
Ele registra ainda que apenas 20% das empresas que usavam GLP mantiveram as instalações para armazenagem do produto, o que segundo ele significa que "80% das indústrias não estão preparadas para um apagão do gás natural".
Com a produção da Petrobras em alta, o Sindigás prevê que em 2006 o consumo de GLP e a produção interna do insumo ficarão equilibradas. Ao mesmo tempo, o executivo questiona a existência de restrições à comercialização, como a que proíbe o uso do insumo em caldeiras industriais, prevista na Lei 8.176, de 1991, que estabelece como "crime contra a ordem econômica usar gás liquefeito de petróleo em motores de qualquer espécie, saunas, caldeiras e aquecimento de piscinas, ou para fins automotivos, em desacordo com as normas estabelecidas na forma da Lei".
Adicionalmente, a resolução nº 15, da Agência Nacional do Petróleo (ANP), editada em maio deste ano e que substitui a portaria nº 4/92 do extinto DNC, também prevê em seu artigo 30, que é vedado o uso de GLP em caldeiras, saunas e aquecimento em piscinas.

Mello acha que é a hora de começar a discutir uma mudança na forma de precificação do GLP pela Petrobras e contratou o Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) para analisar a estrutura de custos. Com base nas planilhas o diretor do CBIE, Rafael Schechtman, afirma que o botijão de 13 quilos é "subsidiado sob qualquer ótica que se analise". Já o gás vendido a granel segue a fórmula de paridade de importação, o que torna seu preço 9% mais alto do que se fosse calculado com base na paridade de exportação, como defende o Sindigás. Caso se trocasse a fórmula do cálculo, sempre tomando-se como base o preço internacional praticado em Mont Belvieu (EUA), o preço ficaria 21% abaixo.
Mello lembra que fazia sentido usar a paridade de importação quando o país importava 40% do consumo. Mas segundo ele, agora o Brasil importa apenas 3% do consumo, rumando para o superávit. "É miopia dos que não gostam do GLP não enxergar que estamos às vésperas do superávit na produção e nem o papel na matriz energética. Estão mantendo restrições extemporâneas", afirma.
"Quando o consumo era insuficiente para atender o mercado, entendíamos o uso da paridade de importação para fixar o preço. Mas agora, não se justifica tanto. Parece claro que os outros consumidores de GLP estão subsidiando o consumidor residencial", afirma Schechtman.
É inegável que o segmento é visto com desconfiança no mercado e pelo próprio governo, carregando a fama de ser cartelizado e ineficiente. Um dos que não vêm com bons olhos o segmento é o secretário de Energia do Rio, Wagner Victer, que ressalta o fato de o GLP para uso industrial ser aproximadamente 30% mais caro que o gás natural, o que implica mais custo e menos competitividade para as empresas.
Para Victer também não é correto imaginar que haverá aumento da produção de GLP no rastro da elevação da produção de petróleo. "Nossa auto-suficiência será volumétrica, já que cerca de 300 mil barris/dia terão que ser exportados", lembra o secretário.
O tema é polêmico. O GLP é precificado pela Petrobras de forma diferenciada, de acordo com o uso. Para as retiradas do botijão de 13 quilos, a ANP estabelece um sistema de cotas. Ele é mais barato do que o do GLP vendido em cilindros e a granel. Mas não há como fiscalizar, por exemplo, se condomínios utilizam o gás de cozinha, mais barato, para aquecer piscinas.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
GNLink recebe autorização da ANP e inicia operação da pr...
02/02/26
Gás Natural
Firjan percebe cenário positivo com redução nos preços d...
02/02/26
Etanol
Anidro e hidratado fecham mistos na última semana de jan...
02/02/26
GNV
Sindirepa: preço do GNV terá redução de até 12,5% no Rio...
30/01/26
Descomissionamento
SLB inaugura Centro de Excelência em Descomissionamento
30/01/26
Apoio Offshore
Wilson Sons lança rebocador da nova série para atender d...
30/01/26
Gás Natural
Firjan lança publicação e promove debate sobre futuro do...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 terá programação diversa e foco na pro...
28/01/26
Internacional
Petrobras amplia venda de petróleo para a Índia
28/01/26
Offshore
Projeto Sergipe Águas Profundas tem plano de desenvolvim...
28/01/26
Royalties
Valores referentes à produção de novembro para contratos...
28/01/26
Gás Natural
Petrobras reduz preços do gás natural para distribuidoras
28/01/26
Gás Natural
Renovação das concessões de gás no Rio exige transparênc...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 antecipa grandes debates e inicia cont...
27/01/26
Gás Natural
Firjan: Rio de Janeiro consolida papel de "hub do gás" e...
27/01/26
Combustíveis
Petrobras reduz preços de gasolina em 5,2% para distribu...
26/01/26
Brasil-Alemanha
PMEs Go Green realiza ciclo de workshops gratuitos com f...
26/01/26
Etanol
Hidratado registra valorização no mercado semanal e diário
26/01/26
Logística
Terminais Ageo captam R$ 450 milhões em debêntures incen...
23/01/26
Petrobras
Alta eficiência amplia refino e aumenta produção de comb...
22/01/26
Combustíveis
IBP: Decisão da ANP garante segurança de abastecimento e...
22/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.