O anúncio oficial da norte-americana Devon feito no final do ano passado de que vai deixar seus ativos em Exploração e Produção (E&P) no mundo todo, inclusive no Brasil, para se concentrar nestas atividades apenas nos Estados Unidos e Canadá está movimentando os bastidores do setor com interessados em entrar no País.
Não há nenhum investidor formalmente anunciando o interesse no negócio, mas fontes confirmam que a disputa deverá ser acirrada e o volume de investimentos pode atingir entre US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão pelos ativos. No mundo todo, a estimativa da Devon é chegar a um valor total de US$ 4 bilhões por seus ativos. Entre os estrangeiros, os principais interessados são os chineses, com a Sinopec, a estatal angolana Sonangol, e a colombiana Ecopetrol. No Brasil, mesmo sem confirmações oficiais estão na disputa Petrobras, OGX e Vale.
Já produzindo no Brasil, no campo de Polvo, desde 2007, a petroleira possui um total de dez ativos no País, dos quais seis são operados pela própria petroleira. A maior parte dos blocos está localizada em Campos, onde se concentram cinco áreas. A seguir vêm Parnaíba (dois), Barreirinhas (dois) e Camamu-Almada, com um projeto.
mapeamento. Em Campos, já foram mapeados 20 prospectos na região de pré-sal, um portfólio interessante para empresas que ainda não entraram no País ou querem ampliar sua participação em território brasileiro ainda sob o sistema de concessão e não sob as novas regras de partilha que estão sendo discutidas no Congresso Nacional.
Em avaliação recente feita pela própria empresa, essas áreas podem ter um volume entre 2 bilhões e 4 bilhões de barris de óleo. "É uma das carteiras mais interessantes entre as que possuem as petroleiras estrangeiras no Brasil", comentou fonte de uma das empresas interessadas, que vem avaliando o portfólio de outras companhias de pequeno porte existentes no País, destacando a variedade de possibilidades, que vão do pré-sal de Campos às áreas de alta potencial de óleo leve de Camamu-Almada.
Mesmo com seus ativos à venda, a petroleira norte-americana continua fazendo as perfurações previstas no programa exploratório das áreas sob sua concessão, e na sexta-feira anunciou uma descoberta no pré-sal da parte capixaba da Bacia de Campos.