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Disputa pelo controle da Santos Brasil pune acionistas

A Santos Brasil Participações, holding da área portuária que controla o principal terminal de contêineres do país, confirma a ideia segundo a qual companhias com brigas internas entre os sócios tendem a se desvalorizar. Desde o início do ano, a

Valor Econômico
28/06/2010 05:30
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A Santos Brasil Participações, holding da área portuária que controla o principal terminal de contêineres do país, confirma a ideia segundo a qual companhias com brigas internas entre os sócios tendem a se desvalorizar. Desde o início do ano, a empresa está no meio de uma disputa societária entre os controladores: o grupo Opportunity e a Multi STS, da família Klien. Na sexta, a ação da Santos Brasil acumulava queda de 13,06% no ano, abaixo do Ibovespa, que caía 5,49%.

 

 

 A situação preocupa os investidores, que só veem solução para a empresa via separação dos sócios, o que pode demorar. Em uma disputa prolongada, a empresa poderia ter dificuldades de decidir temas de seu interesse. Relatório do Bank of America Merrill Lynch mostra que a principal preocupação entre os investidores da empresa tem sido com os resultados potenciais da disputa societária, que tornou-se alvo de uma arbitragem.


Assinado por Sara Delfim e Renato Mimica, o relatório do banco, de 16 de junho, diz que o mercado tem indicado que veria com melhores olhos se o controle da Santos Brasil ficasse nas mãos da Multi STS pelo fato de esse acionista ser um investidor estratégico no setor. A percepção de risco seria maior caso o Opportunity venha a ganhar a disputa, dizem os analistas no relatório.


Na visão deles, se a Multi STS ficar com a Santos Brasil, o movimento poderia valorizar a ação da empresa, considerando-se o potencial de consolidação no setor. A família Klien controla um terminal de contêineres e outros ativos logísticos no Rio. Uma versão para explicar o desentendimento entre os sócios, já manifestada pelo Opportunity, é de que na origem do conflito estaria uma tentativa de fusão da Multiterminais, empresa da família Klien, com a SBPar, em condições supostamente prejudiciais à última.


A Multi STS também já negou, por meio de seus advogados, que esse seja o problema. A questão estaria na tentativa do Opportunity de negar a validade de uma cláusula de compra ou venda prevista no acordo de acionistas da SBPar. A cláusula prevê que os grupos Multi e Opportunity têm o direito de convocar o outro a comprar ou vender ações das respectivas titularidades.


O relatório do BofA coloca o Opportunity como vendedor e a Multi STS como compradora na Santos Brasil. Procurado para comentar o relatório, o Opportunity disse, por meio de um porta-voz, que não é comprador, nem vendedor da Santos Brasil. E acrescentou que o desejo da Multi STS de exercer a cláusula de compra e venda não encontra respaldo em seus direitos contratuais. Ainda segundo o Opportunity, desde sua criação, a Santos Brasil opera com níveis de eficiência elevados. E acrescentou que sua administração deveria estar focada na obtenção de melhorar ainda mais esses resultados, e não ser distraída por manobras.


A Multi STS informou, por sua vez, que não se manifestaria por respeito à confidencialidade prevista na arbitragem.
Os analistas do Bank of America Merrill Lynch consideram ainda que a disputa societária poderia disparar gatilhos positivos para a ação, entre os quais direitos de "tag along" (venda conjunta de ações para os minoritários) ou uma oferta pública de ações pela SBPar. Na opinião de especialistas, se no desfecho da disputa societária uma fatia superior a 20% da empresa for vendida para um novo acionista, abriria-se a possibilidade de os minoritários venderem suas ações pelo mesmo preço. Hoje, cerca de 32% do capital total da SBPar está em mãos de minoritários.


Há, porém, quem entenda, com base em decisões anteriores da Comissão de Valores Mobiliários, que no caso da Santos Brasil o rearranjo societário levaria a uma consolidação de controle e não a uma mudança de controle acionário. Neste caso, não haveria "tag along".



Fonte: Valor Econômico/Francisco Góes, do Rio

 

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