Combustíveis

Dilma: gasolina deve cair

Jornal do Brasil
05/01/2005 00:00
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Para ministra, queda de preço depende da cotação internacional do petróleo

A ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, deu sinais de que prepara boas notícias para o consumidor. Os preços dos combustíveis poderão ser reduzidos caso seja mantida tendência de queda nas cotações internacionais do petróleo e do dólar.
- Não estou dizendo que os preços (dos combustíveis) vão cair amanhã. Estou dizendo que se o petróleo continuar baixando e o dólar continuar baixando teremos o grato prazer de reduzir os preços dos combustíveis - disse, em entrevista a uma rede de televisão.
A última diminuição nos valores cobrados pelas refinarias ocorreu em abril de 2003, quando os preços da gasolina e do diesel ficaram 6,5% e 8,6% menores, respectivamente. De lá para cá, foram só reajustes. O mais recente foi feito no dia 25 de novembro, quando a gasolina ficou 7% mais cara e o diesel subiu 10% nas refinarias. As altas compensaram a volatilidade do preço do petróleo no mercado externo. No primeiro semestre de 2004, o barril estava cotado a pouco menos de US$ 30. Ontem, após uma alta de 4,25%, o barril do óleo leve tipo americano fechou em US$ 43,91.
Apesar dos aumentos, segundo dados do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), o preço da gasolina no Brasil no ano passado ficou, na média, 5% inferior ao preço internacional. Isso foi verificado entre janeiro e outubro. A partir de novembro houve uma inversão. No momento em que o governo optou por elevar o preço dos combustíveis, coincidentemente a cotação do petróleo iniciou uma trajetória de queda no cenário externo.
No período entre 25 de novembro e o dia 31 de dezembro de 2004, o valor cobrado na venda da gasolina ficou, na média, 28% maior no Brasil na comparação com o mercado do Golfo do México, uma das referências de preço da Agência Internacional de Energia.
O economista e diretor do CBIE, Adriano Pires, apontou um descasamento entre a política de preço da Petrobras e o comportamento das cotações. Ele avalia que a companhia deveria aproveitar a tendência de recuo na cotação no cenário externo para reduzir os preços entre 6% e 7%.
- O governo poderia baixar os preços não em 28%, mas entre 6% e 7%. E se em abril e houver um aumento lá fora, aumenta-se aqui. O governo tem sido lento nas decisões, dando sinais errados.
Para 2005, o CBIE projeta que a cotação deverá encerrar o ano entre US$ 35 e US$ 37 em função da desaceleração da economia mundial e de uma menor instabilidade nos países da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), Iraque e Rússia.
O preço dos combustíveis é uma das variáveis que entram no cálculo das expectativas de inflação. E para o Banco Central, que projetou para este ano uma inflação de 5,3%, o comportamento das cotações do barril é ainda incerto. Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e que balizou a decisão de elevar a taxa básica de juros de 17,25% para 17,75% ao ano, o Banco Central apontou uma tendência de queda, mas salientou que o cenário permanece impreciso.

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