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Despesas e queda da produção na Petrobras colocam mercado em alerta

Estatal continua com desequilíbrio entre receitas e despesas.

Valor Econômico
29/10/2012 11:48
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Apesar do esforço da presidente da Petrobras, Graça Foster, para aumentar a eficiência operacional, o resultado do terceiro trimestre (lucro de R$ 5,567 bilhões, abaixo da expectativa do mercado) mostra que a companhia continua enfrentando um desequilíbrio entre receitas e despesas.
Além das perdas recorrentes do subsídio da gasolina e diesel no Brasil, que afetam fortemente o resultado da área de abastecimento, a produção está em queda. Caiu 3% no trimestre e 4% em setembro, quando foram produzidos apenas 1,844 milhão de barris por dia. Trata-se do pior nível desde novembro de 2008, como destacou o Deutsche Bank em um relatório distribuído no domingo.
Com menos petróleo produzido, o custo de extração do óleo (lifting cost), antes do pagamento dos royalties e da participação especial, aumentou 15% em dólares, passando de US$ 13,40 por barril no segundo trimestre para US$ 15,42 no terceiro. Apesar de explicado pelas manutenções que estão sendo feitas em alguns campos gigantes da Bacia de Campos para aumentar a produção, dentro do programa Proef, o número é uma má notícia.
Outros custos no período de janeiro a setembro também chamam a atenção, entre eles a despesa de R$ 875 milhões referente ao  acordo coletivo de trabalho (que custou R$ 596 milhões no ano passado) e os gastos de R$ 1,012 bilhão da área de relações institucionais e patrocínio, que ficaram próximos ao valor de R$ 1,178 bilhão gasto pela companhia com paradas não programadas de plataformas e gastos pré-operacionais. A Petrobras relatou ainda perdas de R$ 985 milhões com processos judiciais e administrativos.
No terceiro trimestre, a receita de vendas da companhia chegou a R$ 73,79 bilhões, mas, como os preços de venda da gasolina e diesel ainda estão defasados mesmo após os aumentos, a Petrobras continua tendo perdas cada vez que aumenta as vendas no mercado interno, um contrassenso provocado pela decisão do governo de proibir reajustes. Não por acaso, a área de abastecimento registrou mais uma vez resultado negativo de R$ 5,652 bilhões no terceiro trimestre (um pouco melhor que no trimestre anterior). Esse resultado já chega a R$ 17,28 bilhões no acumulado do ano até setembro. Essas perdas só diminuirão, segundo analistas, quando o governo decidir acabar com o subsídio.
No relatório do Deutsche Bank, o analista Marcus Sequeira acha provável que as surpresas negativas observadas no trimestre voltem a ocorrer. E cita a menor produção nacional (ressaltando ser o pior resultado de 2012), as perdas no refino e os custos mais elevados. Entre os pontos positivos no curto prazo, o Deutsche menciona o aumento de preço e, em menor medida, a recuperação da produção que virá, segundo ele, em 2013 ou até mais adiante.
“Soma de todos os medos”
O banco Credit Suisse considera o aumento de preços da gasolina e diesel e uma taxa de utilização de 98% da capacidade de refino da Petrobras como os únicos pontos positivos no balanço da companhia. Mas, segundo a instituição, não foram suficientes para alavancar o balanço da companhia, que veio repleto de dados negativos. Em um relatório entitulado “A soma de todos os medos”, escrito pelos analistas Emerson Leite e Andre Sobreira, eles mencionam uma longa lista de desapontamentos, entre eles a queda de 3% da produção e uma taxa de declínio natural dos reservatórios de 11%.
Na opinião dos analistas, “não há muito para gostar ou dizer” sobre o balanço. Eles avaliam que ainda vai demorar para os gestores da Petrobras corrigiram o curso da companhia e que “os investidores estão pagando caro por isso”. “Nós aguardamos pacientemente nos bastidores enquanto a gestão legitimamente implementa programas de eficiência e de otimização de custos (Proef e Procop)”, afirmam os analistas.
Entre as decepções do terceiro trimestre, o Credit Suisse destaca também o  aumento de 17% no custo de exploração, que cai para 11% se excluído o efeito do reajuste salarial resultante do Acordo Coletivo de Trabalho de 2012. As despesas de exploração cresceram, as importações de derivados de petróleo no trimestre para abastecer o mercado aumentaram 14% e os  custos do refino subiram 14% ou 21%, com o percentual aumentando depois de incluídos os aumentos salariais, ressalta o Credit.
Os analistas ainda perguntam no relatório se os investidores devem temer um novo aumento de preços, ou a falta dele. “Após os últimos aumentos de preços, que aconteceram com  apenas três semanas de intervalo entre si, o mercado é da opinião que é melhor não estar muito ‘underweight’ nas ações [da Petrobras], por medo de um catalisador iminente. Jogamos esse argumento por aí e perguntamos a nós mesmos: se os aumentos de 8% e 10% na  gasolina e diesel no trimestre passado não foram suficientes para gerar um crescimento dos lucros e alavancar o balanço financeiro, o  mercado não deve ter medo, ao invés disso, da falta de um novo aumento trimestral?”
Sobre o resultado do quarto trimestre, o Credit Suisse espera que seja melhor devido a melhorias de produção e menores custos de manutenção. Mas o mesmo não é esperado para 2013, ano que  temem ser um “déjà vu”, com todos os problemas começando de novo.

Apesar do esforço da presidente da Petrobras, Graça Foster, para aumentar a eficiência operacional, o resultado do terceiro trimestre (lucro de R$ 5,567 bilhões, abaixo da expectativa do mercado) mostra que a companhia continua enfrentando um desequilíbrio entre receitas e despesas.


Além das perdas recorrentes do subsídio da gasolina e diesel no Brasil, que afetam fortemente o resultado da área de abastecimento, a produção está em queda. Caiu 3% no trimestre e 4% em setembro, quando foram produzidos apenas 1,844 milhão de barris por dia. Trata-se do pior nível desde novembro de 2008, como destacou o Deutsche Bank em um relatório distribuído no domingo.


Com menos petróleo produzido, o custo de extração do óleo (lifting cost), antes do pagamento dos royalties e da participação especial, aumentou 15% em dólares, passando de US$ 13,40 por barril no segundo trimestre para US$ 15,42 no terceiro. Apesar de explicado pelas manutenções que estão sendo feitas em alguns campos gigantes da Bacia de Campos para aumentar a produção, dentro do programa Proef, o número é uma má notícia.


Outros custos no período de janeiro a setembro também chamam a atenção, entre eles a despesa de R$ 875 milhões referente ao  acordo coletivo de trabalho (que custou R$ 596 milhões no ano passado) e os gastos de R$ 1,012 bilhão da área de relações institucionais e patrocínio, que ficaram próximos ao valor de R$ 1,178 bilhão gasto pela companhia com paradas não programadas de plataformas e gastos pré-operacionais. A Petrobras relatou ainda perdas de R$ 985 milhões com processos judiciais e administrativos.


No terceiro trimestre, a receita de vendas da companhia chegou a R$ 73,79 bilhões, mas, como os preços de venda da gasolina e diesel ainda estão defasados mesmo após os aumentos, a Petrobras continua tendo perdas cada vez que aumenta as vendas no mercado interno, um contrassenso provocado pela decisão do governo de proibir reajustes. Não por acaso, a área de abastecimento registrou mais uma vez resultado negativo de R$ 5,652 bilhões no terceiro trimestre (um pouco melhor que no trimestre anterior). Esse resultado já chega a R$ 17,28 bilhões no acumulado do ano até setembro. Essas perdas só diminuirão, segundo analistas, quando o governo decidir acabar com o subsídio.


No relatório do Deutsche Bank, o analista Marcus Sequeira acha provável que as surpresas negativas observadas no trimestre voltem a ocorrer. E cita a menor produção nacional (ressaltando ser o pior resultado de 2012), as perdas no refino e os custos mais elevados. Entre os pontos positivos no curto prazo, o Deutsche menciona o aumento de preço e, em menor medida, a recuperação da produção que virá, segundo ele, em 2013 ou até mais adiante.



“Soma de todos os medos”


O banco Credit Suisse considera o aumento de preços da gasolina e diesel e uma taxa de utilização de 98% da capacidade de refino da Petrobras como os únicos pontos positivos no balanço da companhia. Mas, segundo a instituição, não foram suficientes para alavancar o balanço da companhia, que veio repleto de dados negativos. Em um relatório entitulado “A soma de todos os medos”, escrito pelos analistas Emerson Leite e Andre Sobreira, eles mencionam uma longa lista de desapontamentos, entre eles a queda de 3% da produção e uma taxa de declínio natural dos reservatórios de 11%.


Na opinião dos analistas, “não há muito para gostar ou dizer” sobre o balanço. Eles avaliam que ainda vai demorar para os gestores da Petrobras corrigiram o curso da companhia e que “os investidores estão pagando caro por isso”. “Nós aguardamos pacientemente nos bastidores enquanto a gestão legitimamente implementa programas de eficiência e de otimização de custos (Proef e Procop)”, afirmam os analistas.


Entre as decepções do terceiro trimestre, o Credit Suisse destaca também o  aumento de 17% no custo de exploração, que cai para 11% se excluído o efeito do reajuste salarial resultante do Acordo Coletivo de Trabalho de 2012. As despesas de exploração cresceram, as importações de derivados de petróleo no trimestre para abastecer o mercado aumentaram 14% e os  custos do refino subiram 14% ou 21%, com o percentual aumentando depois de incluídos os aumentos salariais, ressalta o Credit.


Os analistas ainda perguntam no relatório se os investidores devem temer um novo aumento de preços, ou a falta dele. “Após os últimos aumentos de preços, que aconteceram com  apenas três semanas de intervalo entre si, o mercado é da opinião que é melhor não estar muito ‘underweight’ nas ações [da Petrobras], por medo de um catalisador iminente. Jogamos esse argumento por aí e perguntamos a nós mesmos: se os aumentos de 8% e 10% na  gasolina e diesel no trimestre passado não foram suficientes para gerar um crescimento dos lucros e alavancar o balanço financeiro, o  mercado não deve ter medo, ao invés disso, da falta de um novo aumento trimestral?”


Sobre o resultado do quarto trimestre, o Credit Suisse espera que seja melhor devido a melhorias de produção e menores custos de manutenção. Mas o mesmo não é esperado para 2013, ano que  temem ser um “déjà vu”, com todos os problemas começando de novo.

 

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