Etanol

Demanda maior de etanol pede investimentos

Folha de Pernambuco
07/03/2016 15:55
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A recente valorização do preço do açúcar no mercado internacional e o crescimento expressivo das vendas de etanol, no ano passado, sinalizam a necessidade de ampliação da produção sucroalcooleira no mundo. No Brasil, embora o cenário internacional seja favorável aos negócios, os estoques nacionais, sobretudo no Nordeste, não têm acompanhado a valorização dos produtos.

No Nordeste, a safra de cana 2015/2016, que se encerrará em março, deve apresentar 23% de queda em comparação à produção da colheita anterior, apontou o Sindicato da Indústria e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE). Além das dificuldades climáticas, faltam investimentos para ampliar a produtividade. A entidade estima uma produção de 49 milhões de toneladas de cana no Nordeste para o ciclo atual, contra os 60,7 milhões do anterior. Em Pernambuco, o saldo da safra deve chegar a 11,7 milhões de toneladas, contra os 15 milhões de 2014/2015. Desse montante serão gerados 850 mil toneladas de açúcar e 315 milhões de litros de etanol, ambos os volumes inferiores ao período anterior.

Quando os preços estão favoráveis, faltam produtos. No ano passado o consumo de açúcar sobrepujou a produção mundial. Apesar disso, o Brasil - maior exportador da commodity - não tem tirado o devido proveito do momento favorável, na avaliação do presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha. "O mercado futuro do açúcar se mostra bastante promissor, porém há uma urgência em garantir políticas governamentais para alavancar a produtividade na próxima safra", ponderou.

Entraves produtivos também ameaçam o desempenho do etanol no mercado. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que, no ano passado, quando a demanda pelo etanol hidratado (combustível) subiu 37,5%, estimulada pelo aumento da gasolina e as desonerações do produto, o País atingiu o limite de sua capacidade produtiva. "Uma ampliação de volume somente acontecerá quando "houver investimentos em novas usinas e tecnologias", determinou o superintendente da ANP, Rubens Freitas.

´Falta clareza´

Para Renato Cunha, falta ainda de clareza do Governo Federal sobre a política de preços de combustíveis. "Não está definida qual serão as diretrizes da Petrobras sobre a comercialização da gasolina nacional. Nos últimos anos, o etanol foi prejudicado pelo controle de preços da gasolina", lembrou, se referindo à retenção de ajustes do combustível fóssil para controle inflacionário. "O etanol precisa participar de forma mais estável da matriz do ciclo Otto (veículos que utilizam gasolina e etanol), sendo valorizado por ser um produto limpo e de menor impacto ambiental", acrescentou.

Em 2014, o Brasil exportou 24 milhões de toneladas e a Tailândia, 7,5 milhões de toneladas. No País, os produtores da commodity recebem apoio do governo para elevar a produção e a exportação, o que levou a um crescimento rápido da participação no mercado internacional. "O Brasil vai entrar com uma ação na Organização Mundial do Comércio contra esses subsídios", comentou Cunha. A medida foi autorizada pelos ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

 

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