Biocombustíveis

Demanda faz preço do etanol ter alta, garantem as usinas

DCI
30/11/2010 09:40
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O setor sucroalcooleiro, que prevê fechar o ano com uma produção de aproximadamente 26 bilhões de litros de etanol, contra os 23 bilhões de 2009, não atribui as usinas à culpa dos atuais aumentos nos valores do produto. A informação é da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica).
 

Após as declarações do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que durante a inauguração das obras de um alcooduto no interior paulista, que alertou os usineiros em relação às altas seguidas do preço no etanol nos postos, o representante da Unica em Ribeirão Preto, Sérgio Prado, defendeu os usineiros afirmando que essas altas são decorrentes do aquecimento da demanda, que atualmente está próxima a 2 bilhões de litros por mês, e também da entressafra.
 

Para Prado as usinas têm um custo superior a R$ 0,80 por litro de etanol produzido e vendem o produto por R$ 1 em média. "O preço do etanol não subiu tanto nas últimas semanas nas usinas. Ele está há um bom tempo na faixa de R$ 1, sem considerar frete e impostos, livre de tributação. O restante do valor cobrado nas bombas é formado pelo reflexo na cadeia, parte de lucro é da distribuição, do varejo e os impostos", garantiu ele.
 
 
Já o representante da usina Santa Cruz, do interior paulista, João Pereira Pinto, afirmou que a tendência é que os postos comecem a trabalhar com preços muito próximos ao coeficiente de 70% do valor da gasolina. "Com essas altas todos os postos vão aproveitar e colocar o preço do etanol naquele coeficiente que chamo de cabalístico, para saber qual o combustível é mais vantajoso. Antigamente tudo era culpa dos usineiros", disse ele. O diretor da Unica garantiu que apesar dos excelentes resultados obtidos pelo açúcar no mercado externo, as usinas ainda mantém 45% da cana para a produção da commodity, e o restante para o combustível. "Daqui para frente o etanol sempre terá uma participação maior nas usinas. A maioria das usinas inauguradas recentemente é exclusivamente para a produção do álcool. Os atuais preços do açúcar são decorrentes da quebra da safra indiana principalmente, quando os mercados se reestruturarem os preços serão derrubados". disse.
 

A aposta do mercado é que o preço do etanol ainda siga em alta até março do ano que vem, principalmente porque o setor está em pleno período de entressafra. Para Camila Machado, analista da Safras & Mercado, a competitividade do etanol em relação a gasolina reduziu bastante nas ultimas semanas. "Estamos em período de entressafra, que é normal ver os preços subirem um pouco. No ano passado eles estavam em patamares superiores ao vistos este ano na mesma época, e a demanda também caiu bastante", disse.
 

Para ela, os preços têm subido aos poucos, e isso é uma tendência. "O aumento dos preços estão acontecendo aos poucos, e o repasse para o varejo também será aos poucos, mas a tendência é continuar sempre em alta, não tem outra alternativa para o mercado por enquanto, até que a nova safra entre", frisou Camila.
 

Sérgio Prado alertou que é necessário que o varejo fique atento às recorrentes altas no preço do etanol, pois se o consumidor não vislumbrar a vantagem, o etanol pode permanecer nas bombas de estocagem nos portos. "Se um estabelecimento não tiver vantagem de preço o combustível ficará no tanque do posto, ele não será consumido. Isso aconteceu em janeiro deste ano, quando o preço ficou muito elevado", comentou.
 

A Unica confirmou que ainda existem algumas usinas moendo cana-de-açúcar, mas e que a safra deste ano será maior que a anterior. Entretanto, Prado contou que apesar da produção maior, o consumo de etanol está em linha com o ano passado, mas isso não é um resultado ruim. "O consumo é crescente, e quem regula o mercado é o carro flex. Quanto mais carros são vendidos, maior será o consumo".
 
 
Hoje, o etanol hidratado sai da usina por R$ 1,05 o litro, sem impostos. Há um ano, o valor era de R$ 0,96, sendo que a maior média foi vista em janeiro deste ano, quando o preço atingiu R$ 1,23 por litro, segundo dados levantados pela analista.
 

A safra da cana-de-açúcar termina com 26 milhões de litros de etanol produzidos no Brasil. Mas a demanda crescente deve manter os preços altos nos primeiros meses de 2011.
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