Gás Natural

Décio Oddone aponta concentração como entrave ao mercado de gás e vê avanço em medidas para ampliar competição

Ex-diretor-geral da ANP destacou iniciativas em curso para aumentar oferta e concorrência durante Gas Connections, evento promovido pela ABRACE Energia que reuniu 146 participantes em São Paulo.

Redação TN Petróleo/Assessoria ABRACE
26/08/2026 13:00
Décio Oddone aponta concentração como entrave ao mercado de gás e vê avanço em medidas para ampliar competição Imagem: Victor Jager Visualizações: 149

A concentração da oferta ainda é um dos principais obstáculos para que o Brasil desenvolva um mercado de gás natural mais dinâmico, aberto e competitivo. A avaliação foi feita nesta terça-feira (25) pelo ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Décio Oddone, durante a primeira edição do Gas Connections – Encontro de Negócios, promovido pela ABRACE Energia, em São Paulo.

Ao fazer uma retrospectiva da evolução do setor desde a década de 1990, Oddone avaliou que a estrutura do mercado brasileiro favoreceu historicamente a concentração e destacou o peso da Petrobras na oferta de gás. Antigo executivo da própria companhia e ex-presidente da Petrobras Bolívia e da Petrobras Argentina, ele lembrou também sua experiência à frente da ANP. “A maior dificuldade que eu tive como regulador, e qualquer regulador tem, é tentar regular um agente dominante mais poderoso que você. A Petrobras é a grande empresa do Brasil”, afirmou.

Segundo Oddone, a concentração permaneceu mesmo após sucessivas mudanças no setor e foi reforçada à medida que a Petrobras ampliou sua participação na infraestrutura necessária ao escoamento do gás. “A Petrobras foi, aos poucos, se convertendo em cada vez mais dominante”, disse.

Apesar da avaliação crítica, o ex-diretor-geral da ANP reconheceu avanços recentes na agenda de abertura. Depois de acompanhar a apresentação do secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Renato Cabral Dutra, Oddone afirmou ter ficado satisfeito com o diagnóstico e as medidas em andamento. “Fiquei feliz de ver o diagnóstico e o que está acontecendo no mercado de gás. Falta ainda bastante para avançar, mas já teve muito, muito avanço e, quando o diagnóstico está feito, facilita”, afirmou.

Para Oddone, medidas como o gas release, a ampliação da oferta e a comercialização do gás da União podem contribuir para enfrentar a concentração. “Enquanto não houver o enfrentamento do controle da molécula, não vai acontecer. Então, fico feliz de ver essas medidas que estão vindo aí”, disse. Segundo ele, para reduzir estruturalmente o preço do gás é necessário ampliar a disponibilidade de molécula no mercado.

Durante o encontro, Renato Dutra apresentou as ações desenvolvidas pelo governo federal no âmbito do programa Gás para Empregar. Entre elas está a Resolução nº 15 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), publicada nesta terça-feira, que estabelece mecanismos para a comercialização do gás natural da União e amplia os instrumentos disponíveis à Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).

A expectativa é que o primeiro leilão de gás da União seja realizado entre outubro e novembro deste ano, com início da comercialização a partir de março de 2027, segundo informou no Gas Connections o diretor de Finanças e Comercialização da PPSA, Samir Passos Awad. Para o primeiro certame, a estimativa é de pouco mais de 1 milhão de metros cúbicos por dia. Em um segundo leilão, no próximo ano, o volume poderá chegar a cerca de 2 milhões de metros cúbicos diários.

Primeira edição supera expectativas

Evento inédito realizado pela ABRACE Energia, a primeira edição do Gas Connections reuniu 146 participantes e superou a expectativa inicial da organização. O encontro foi concebido para aproximar consumidores, produtores e comercializadores e criar um ambiente voltado não apenas ao debate sobre o mercado, mas à realização de negócios.

Na abertura, o presidente da ABRACE Energia, Paulo Pedrosa, destacou a ampliação da atuação da Associação para além da agenda institucional. “Cada vez mais exploramos caminhos novos e agora estamos ocupando um espaço no próprio ambiente de negócios. Estamos administrando o sucesso de um evento que foi concebido originalmente para ser um encontro de poucas pessoas conversando sobre negócios e terminou se tornando algo muito maior”, afirmou.

Idealizadora do Gas Connections, a vice-presidente da ABRACE Energia, Daniela Coutinho, ressaltou que o mercado livre de gás vive uma transformação, mas ainda tem grande potencial de expansão. “O mercado se expande quando conseguimos transformar oferta em oportunidade de consumo e oportunidade de consumo em negócios. As regras sozinhas não vão fazer o mercado. Precisamos colocar supridores e consumidores à mesa para buscar produtos que atendam às diferentes necessidades e soluções flexíveis de contratação”, afirmou.

Além dos debates sobre o cenário nacional e internacional do gás natural, a programação do Gas Connections incluiu rodadas de negócios entre consumidores e ofertantes e o Palco Talks, dedicado à apresentação de produtos, soluções e projetos voltados ao mercado.

 

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