Internacional

Contêineres vazios expõem a ''desglobalização''

<P>No porto&nbsp;de Shenzhen, na China, comerciantes de commodities europeus levaram um susto nesta semana, quando desembarcaram para fazer negócios: nada menos que 400 mil contêineres vazios se acumulavam no local. Foi um sinal assustador. Depois de 20 anos de avanço sem precedentes na integraç...

O Estado de S. Paulo
02/03/2009 21:00
Visualizações: 624

No porto de Shenzhen, na China, comerciantes de commodities europeus levaram um susto nesta semana, quando desembarcaram para fazer negócios: nada menos que 400 mil contêineres vazios se acumulavam no local. Foi um sinal assustador. Depois de 20 anos de avanço sem precedentes na integração dos mercados, expansão do comércio, aumento de investimentos e de fluxos de capitais, a atual crise coloca pela primeira vez um freio, mesmo que temporário, na era de ouro da globalização.

Os investimentos das maiores economias despencaram, o comércio internacional sofre a pior retração em três décadas e até o número de imigrantes nos países ricos começa a cair.

Para o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), o Produto Interno Bruto (PIB) mundial deve encolher pelo menos 1,1% em 2009. A queda poderá ser a maior da história moderna, segundo a entidade que reúne os maiores bancos privados do planeta.

Dados oficiais já mostram que a primeira recessão simultânea do Japão, dos Estados Unidos e da Europa desde a 2ª Guerra Mundial está revertendo anos de integração de mercados. Entidades, governos e especialistas temem os impactos sociais e políticos desse freio e apelam para que o G-20, que se reúne no início de abril, dê sinais claros de que haverá coordenação mundial contra a crise.

A falta de atividade nos portos é a parte mais visível do freio na integração de mercados. Segundo uma pesquisa do jornal Straits Times, de Cingapura, o número de navios vazios nunca foi tão grande. No total, 392 cargueiros estariam parados em portos de todo o mundo.

De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo, o volume de cargas transportado em janeiro já encolheu 23%. Dados provisórios da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que a retração no fluxo de bens em 2009 poderá ser de 3%, o pior índice em mais de 30 anos.

PROTECIONISMO

Indicadores de atividade divulgados esta semana mostraram que, de fato, o cenário já é inédito. O Japão registrou uma queda de quase 46% em suas exportações em janeiro e acumulou o maior déficit comercial de sua história. A maior exportadora do mundo, a Alemanha, também sofre. Nos últimos três meses de 2008, a queda das vendas foi de mais de 7%, o suficiente para gerar uma retração de 2% no PIB do país.

Segundo um estudo elaborado pela European Economic Advisory Group, a Alemanha será o único país da zona do euro que, em 2010, continuará encolhendo, por causa da grande dependência das exportações.Sem ter compradores assegurados, as grandes economias começam a somar déficits. O comércio entre a Europa e os Estados Unidos caiu em 5%.

Para completar o cenário, um número cada vez maior de governos adota medidas protecionistas ou que distorcem os mercados. Para o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, a proliferação de barreiras poderia agravar a crise. Esse não é o caminho, afirmou Lamy, em um discurso em Tóquio.

Estamos vendo um aumento na retórica antiglobalização; a questão é se essa retórica vai se traduzir em força política. Se isso ocorrer, as consequências podem ser negativas para todos, afirmou Donald Boudreaux, professor de economia na Universidade de Virgínia.

O segundo pilar da globalização, o fluxo de investimentos, também já desabou. Dados divulgados pelas Nações Unidas apontaram que os investimentos diretos no planeta caíram US$ 400 bilhões apenas em 2008 e a queda será ainda mais forte neste ano. O cenário mais pessimista diz que o crescimento pode voltar só em 2012. O ano de 2008 marca o fim de um ciclo de investimentos internacionais, disse a entidade.

A crise também está gerando outro fenômeno: o freio sem precedentes nos fluxos de capitais para países emergentes. Em dois anos, o volume de recursos passou de cerca de US$ 1 trilhão para US$ 165 bilhões, uma redução de 86%.

Para os mais críticos, já se poderia falar em anos de desglobalização, diante da queda nos fluxos de comércio e investimentos. Esse é o caso do economista filipino Walden Bello. Seu livro Desglobalização. Ideias para uma Nova Economia Mundial teria cunhado o novo termo. É verdade que a globalização trouxe riscos, mas hoje o maior risco é a desglobalização, afirma Joaquin Almunia, comissário de Economia da União Europeia.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pessoas
John Crane nomeia Jesper Østerlund como vice-presidente ...
04/11/26
Santa Catarina
Workshop sobre competitividade no mercado de gás natural
04/11/26
Tributação
ANP e executivos do mercado debatem temas urgentes em se...
04/11/26
Refinarias
Consórcio TEM Boaventura realiza içamento do primeiro r...
04/11/26
Etanol
ORPLANA leva visão do setor canavieiro ao Agro World Fórum
04/11/26
Firjan
Maior disponibilidade de gás natural fortalece cadeia pe...
03/11/26
Estudo
Firjan lança estudo Petroquímica e Fertilizantes no Rio ...
03/11/26
Resultado
Com 6,120 milhões de boe/d, produção de petróleo e gás n...
03/11/26
Pré-Sal
Com 180 mil barris por dia, P-78 (Búzios 6) atinge topo ...
03/11/26
Combustíveis
ANP enviará ao Cade processos contra distribuidoras por ...
03/11/26
Etanol
Etanol encerra a semana em alta, com valorização do hidr...
03/11/26
Leilão
Neoenergia arremata lotes 1 e 7 em Leilão de Transmissão...
30/10/26
SOG 2027
Sergipe Oil & Gas 2027 apresenta nova estrutura e amplia...
30/10/26
Margem Equatorial
Mais uma descoberta de petróleo em águas ultra profundas...
30/10/26
PPSA
Petrochina, CNOOC e Petrobras e vencem 10º Leilão Spot d...
30/10/26
Parceria
ABPIP e Sebrae/RN firmam parceria para impulsionar inova...
29/10/26
Aviação
ANP fará consulta pública sobre regulamentação do Progra...
29/10/26
Investimentos
PD&I - aprovada abertura de consulta e audiência pública...
29/10/26
ANP
Aprovada resolução sobre cessão de contratos de E&P
29/10/26
Resultado
Foresea registra receita líquida de US$179 milhões e ele...
29/10/26
Resultado
Com crescimento de 11,7% em um ano, produção própria de ...
29/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.