Combustíveis

Consumo de petróleo no próximo ano terá recuperação parcial, avalia a S&P

Redação TN/Boletim SCA
18/12/2020 08:58
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A retomada recente do preço do barril do petróleo Brent para a casa dos US$ 50 - pela primeira vez desde o choque da demanda global, em março - reflete, em parte, o otimismo do mercado com o início da vacinação no Hemisfério Norte e seus efeitos positivos sobre a economia mundial. A S&P Global Platts Analytics, empresa que fornece preços de referência para commodities, acredita, porém, que o mercado internacional recuperará, em 2021, apenas parte das perdas decorrentes da pandemia de covid-19 e que incertezas ainda pairam sobre a indústria de óleo e gás para o próximo ano.

Institucional

Ainda que gradual, a recuperação da demanda por petróleo é notícia positiva para o Brasil, cada vez mais um exportador relevante de óleo cru no cenário internacional, principalmente para a China - economia que vem retomando as atividades de forma mais rápida.

Como exportador, o Brasil terá pela frente, em 2021, um mercado ainda em recuperação. Em relatório publicado esta semana, a S&P prevê que o consumo global de petróleo crescerá mais de 6 milhões de barris/dia no ano que vem, em relação a 2020 - mas ainda se manterá 2 milhões de barris/dia abaixo dos patamares de 2019.

InstitucionalEm entrevista ao Valor, esta semana, o chefe da equipe de análise de fluxos comerciais de produtos e preços da S&P Global Platts Analytics para a América Latina, Lenny Rodriguez, conta que uma campanha mundial generalizada de vacinas ainda é improvável até o segundo semestre de 2021 e que os preços do petróleo ainda podem ser pressionados por eventuais novos lockdowns. A S&P vê um cenário de volatilidade alta para Brent em 2021 e prevê o barril acima de US$ 50, de forma mais estável, apenas no segundo semestre de 2021.

"Os efeitos mais positivos da vacina, em termos de recuperação da demanda, se darão mais no segundo semestre de 2021, de forma mais proeminente no quarto trimestre", afirmou Rodriguez.

Segundo ele, o mercado internacional de petróleo só deve retomar os patamares pré-covid, de 2019, "mais provavelmente em 2023". Além das questões relacionadas à vacina, pairam sobre a indústria, também, as incertezas sobre o comportamento dos cortes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Ao falar das perspectivas para o Brasil, o analista destacou que o fim do monopólio da Petrobras no refino e o crescimento da produção no pré-sal devem tornar o país um mercado mais aberto ao comércio internacional de petróleo e derivados, tanto nas importações quanto nas exportações. Para Rodriguez, a entrada de novos agentes no refino deve construir uma nova dinâmica no setor, com oportunidades tanto para importadores quanto para petroleiras com produção no Brasil - que, dado o monopólio da Petrobras, preferem vender suas cargas no exterior.

Institucional"O panorama do refino no Brasil vai mudar bastante... Com competição, cada um [refinador] terá seus próprios objetivos e estratégias. Será interessante ver como esses agentes tentarão otimizar seus sistemas, eventualmente com mais importações ou comprando óleo cru de outras empresas ao invés da Petrobras", comentou.

Rodriguez vê o mercado brasileiro como atraente, o que deve gerar interesse pelos ativos da Petrobras. A estatal está vendendo oito de suas refinarias, o equivalente à metade de sua capacidade instalada. "O Brasil é um mercado enorme. Os interessados sabem do grande potencial", disse.

A S&P também acredita na consolidação do Brasil como um supridor cada vez mais relevante de petróleo no mercado internacional. O gerente de análise de produção e fornecimento de óleo e gás da S&P Global Platts, Ashutosh Singh, destaca que os embarques de óleo cru brasileiro podem dobrar em dez anos, em parte devido à qualidade do petróleo do pré-sal- com baixo teor de enxofre. "Além disso o Brasil vai continuar a ganhar Market share do óleo da Venezuela e do México [países com produção em declínio]", disse.

Em 2020, as exportações brasileiras acumulam 1,4 milhão de barris/dia, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Cerca de 60% desse volume vai para a China, onde o Brasil detém uma fatia de mercado de 8% a 9%.

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