Combustíveis

Consumo de gasolina sobe no país e embarque cai

Valor Econômico
12/01/2010 09:57
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A maior demanda por gasolina C (misturada com álcool anidro) no mercado interno, estimulada pela forte alta dos preços do etanol no país, deverá comprometer as exportações brasileiras de gasolina A (pura) em 2010. Em 2009, os embarques realizados pela Petrobras já indicam uma pequena queda. A expectativa para este ano é de que as exportações possam recuar até 10%.

 

As exportações brasileiras de gasolina A devem ficar em cerca de 2,45 bilhões de litros em 2009, segundo fontes ouvidas pela Valor. Se confirmadas as estimativas, será uma queda de 5% em relação a 2008. Até novembro, os embarques totalizaram 2,32 bilhões de litros, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Os países da África e América Central são os principais importadores do combustível nacional.

 

A venda do excedente de gasolina A no mercado externo ganhou mais força a partir de 2003, quando os carros flexfuel foram lançados no país, estimulando o consumo de álcool hidratado. Em 2008, o consumo de álcool combustível ultrapassou o da gasolina C no país, favorecendo as exportações.

 

"A demanda por gasolina em dezembro cresceu 6% comparado ao mesmo período do ano anterior. Nos últimos meses, havia uma queda de consumo em torno de 4% a 5% porque os preços do álcool estavam mais atraentes", afirmou Alísio Vaz, vice-presidente do Sindicom (Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis), que representa 75% das companhias que comercializam gasolina no Brasil.

 

A migração do consumo nos postos de combustíveis ocorreu porque os preços do álcool hidratado, que até meados de novembro era considerado a melhor opção de combustível, começou a registrar forte alta, como reflexo das chuvas no Centro-Sul do país, que inibiram a moagem de cana, e também com a proximidade da entressafra na região. Em 2009, os preços do hidratado acumularam valorização de aproximadamente 50%, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

 

Em 2003, quando os carros flexfuel foram lançados no mercado interno, as vendas de etanol hidratado no país foram de 4,37 bilhões de litros, enquanto o da gasolina A atingiram 14,6 bilhões de litros. Considerando a mistura de 25% de álcool anidro na gasolina, o consumo total de álcool combustível foi de 11,5 bilhões de litros em 2003. Já no ano passado, com os volumes recordes de carros flexfuel comercializados no mercado interno, as vendas de hidratado encerraram em 16,11 bilhões de litros e as da gasolina A somaram 18,38 bilhões. Somando o anidro, o consumo de álcool combustível ficou em 22,39 bilhões de litros, de acordo com Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro. "O carro flexfuel dá a opção ao consumidor de utilizar o combustível mais atraente", afirmou Nastari.

 

A recente elevação dos preços do álcool levou o governo a reduzir o índice de mistura de anidro na gasolina, dos atuais 25% para 20%, a partir de 1º de fevereiro. A medida valerá por 90 dias.

 

Em São Paulo, maior Estado produtor e consumidor de álcool, abastecer com etanol não é mais vantajoso desde a semana passada, segundo a ANP. A paridade é atraente quando os preços do etanol representam 70% dos da gasolina. Em apenas seis Estados este índice está abaixo de 70%.

 

Para as distribuidoras de combustíveis, a migração do álcool para gasolina é vantajosa, uma vez que as margens líquidas do produto ficam em cerca de 3%, enquanto a do etanol, neste momento, está em até 1%. O Sindicom observa que a sonegação de imposto de cerca de 1 bilhão de litros do produto por ano afeta as margens das distribuidoras. Durante o início da safra de cana, quando os preços do álcool estavam abaixo dos custos de produção, as distribuidoras trabalharam com margens negativas de até 1%, segundo uma fonte.

 

Segundo José Alberto Gouveia, presidente do Sindicato do Comércio de Derivados de Petróleo de São Paulo (Sincopetro), a demanda por gasolina em algumas regiões do Estado cresceu cerca de 30%, mas na média está 20% maior. "Para os postos de combustíveis, tanto faz vender álcool ou gasolina." Para Gouveia, a redução do álcool elevará os preços da gasolina entre 8 e 10 centavos de real. O Sindicom estima um aumento mais tímido, entre 4 e 5 centavos por litro.

 

A maior rede de distribuição de combustíveis do país, a BR, que pertence à Petrobras, bateu em dezembro volume recorde de vendas de combustíveis, com 2,02 bilhões de litros, superando a marca alcançada em outubro, de 1,95 bilhão. As vendas de gasolina somaram 822,297 milhões no mês passado, alta de 24% sobre dezembro de 2008. Na rede AleSat, as vendas de gasolina também cresceram, segundo o presidente do grupo Marcelo Alecrim. "A migração é comum na era do flexfuel", afirmou.

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