Empresas

Concessões geram encomendas em cadeia

E devem injetar mais de R$ 80 bilhões na economia.

Valor Econômico
31/01/2014 14:32
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As recentes concessões de rodovias, aeroportos, terminais portuários e o leilão do megacampo de Libra, na camada pré-sal, deverão injetar mais de R$ 80 bilhões ao longo do prazo das concessões, que variam de 20 a 35 anos. Por conta de obrigações contratuais, a maior parte desses investimentos será realizada nos próximos cinco anos, segundo estudo da Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE), que aponta que R$ 7 bilhões serão aplicados em aeroportos, R$ 2,4 bilhões em portos, R$ 28,7 bilhões em rodovias, R$ 26,6 bilhões em geração de energia, R$ 8,7 bilhões em linhas de transmissão e R$ 6,9 bilhões em petróleo e gás.
Isso deverá abrir um conjunto bilionário de oportunidades para micro, pequenas e médias empresas. Estimativas apontam que a cada R$ 1 bilhão licitado nos grandes projetos de infraestrutura cerca de 5% podem ser direcionados a pequenas e médias empresas. No entanto, esse percentual tem potencial de ser elevado em até seis vezes.
"Os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vão produzir impactos consideráveis nos pequenos negócios. Estimativas nossas em conjunto com grandes construtoras indicam que, por exemplo, a cada R$ 1 bilhão licitado em uma obra, em torno de R$ 50 milhões são destinados a compras de produtos e serviços prestados pelos pequenos negócios", afirma o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto.
Ele ressalta que essa participação, no entanto, tem forte potencial de crescimento, pois as compras externas realizadas por essas grandes corporações são equivalentes a aproximadamente 30% do custo da obra. "Ou seja, desse R$ 1 bilhão de nosso exemplo, estamos falando então de R$ 300 milhões em fornecimento externo".
Segundo o último balanço do PAC 2, divulgado em outubro, R$ 665 bilhões já foram executados, 67,2% entre 2011 e 2014. Mas cabe ressaltar que outros investimentos em infraestrutura deverão ganhar espaço a partir do próximo ano, como o desenvolvimento do megacampo de Libra, cuja exploração poderá envolver mais de US$ 100 bilhões.
A hidrelétrica de São Luiz dos Tapajós (PA) é outro projeto que pode sair do papel. Por conta desse potencial, o Sebrae vem trabalhando desde 2004 em um programa de encadeamento produtivo, no qual já foram atendidas mais de 15 mil empresas que se tornaram fornecedoras ou ampliaram seu fornecimento a gigantes dos setores onde atuam.
"Até o próximo ano, a expectativa sinalizada em termos de negócios pelas grandes empresas compradoras nas mais de 100 rodadas com micro e pequenas empresas ofertantes é superior a R$ 5 bilhões", afirma Barretto.
O Sebrae tem atualmente um portfólio de 84 projetos para promover o encadeamento produtivo entre grandes e pequenas empresas, onde estão sendo investidos por parte do Sebrae e das empresas parceiras aproximadamente R$ 95 milhões. Atualmente participam do programa juntamente empresas como a Petrobras, Braskem, Vale, Gerdau, Odebrecht, Consórcio Guarulhos Airport e Nestlé.
No setor rodoviário, foram concedidos 4,2 mil quilômetros em estradas nos últimos três meses, um número considerável, que representa quase um quarto do total concedido em 16 anos. Isso deverá trazer uma série de negócios. "Seguramente haverá oportunidades para os pequenos negócios, principalmente no fornecimento de equipamentos de proteção individual, material de construção, elétrico e hidráulico, como tintas, ferragens, blocos de concreto, cimento", diz.
Para fornecer para grandes empresas, os pequenos negócios precisam investir e melhorar as áreas financeira, gerencial e tecnológica. "A burocracia da Lei 8.666 excluiu muitas pequenas e médias empresas de licitações no aeroporto de Guarulhos, ao mesmo tempo havia um alto grau de informalidade e havia falhas de gestão em muitos empreendedores, que desconheciam noções de fluxo de caixa, qualidade dos produtos e importância do prazo de entrega", destaca o presidente da concessionária que administra o aeroporto de Cumbica, Antônio Miguel Marques, que tem trabalhado para aumentar a participação de pequenos empreendedores nas compras do empreendimento.
Até o momento foram mapeados 104 fornecedores locais na base de compras do aeroporto de Guarulhos em 42 categorias com potencial de fornecimento. Destes, cerca de 50 estão em processo de negociação com a área de compras do aeroporto visando a sua contratação. "O potencial de aumento nas compras locais é da ordem de R$ 23 milhões, sendo que atualmente R$ 42 milhões já são comprados localmente pelo aeroporto", aponta Barretto, presidente do Sebrae Nacional.
Além de ter melhor gestão, a inovação é uma parte essencial da equação das pequenas que querem fornecer para esses grandes projetos. Uma parte da estrutura de pré-moldados das escadas e das arquibancadas dos estádios Arena Fonte Nova e Arena Pernambuco foi construída pela IBPC Premoldados de Concreto, que, para assumir a tarefa, teve de contratar cerca de 50 funcionários. Para participar das obras, a empresa buscou inovar.
O concreto das arenas esportivas é de um tipo especial, que reduz vibrações nas estruturas e nunca tinha sido utilizado em uma construção desse porte na Bahia. "Tivemos de ir a feiras em São Paulo, estudar a literatura técnica sobre o assunto e fazer testes com os fornecedores, aí passamos a incorporar essa nova tecnologia na Bahia, internalizando a tecnologia regionalmente que não era usada por aqui", diz o gerente-técnico da empresa, Jarilson de Andrade. A adoção da solução diferenciada trouxe redução de custos e um aumento de 30% da produtividade.
Para o diretor da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, há uma grande incógnita em relação aos impactos que esses investimentos bilionários terão sobre pequenas, médias e grandes empresas brasileiras. "Esse mercado será do Brasil ou dos concorrentes externos?", questiona. Por conta do custo Brasil, uma máquina fabricada aqui sai 37%, em média, mais cara que uma americana ou alemã. Além da logística deficiente e pesada carga tributária, um outro ingrediente reduz a competitividade: a defasagem cambial. Em 12 anos, a inflação chegou a 120% em reais, sem correção do dólar. "Esse é o grande problema, e as pequenas empresas têm um grau de sofisticação e inovação menor", destaca.
Para ele, um dos problemas são os cálculos que envolvem o conteúdo nacional de alguns equipamentos da indústria naval. "Em uma refinaria, esse cálculo inclui a parte de obra civil e montagem de equipamentos, o que infla o resultado, mesmo que grande parte das máquinas e equipamentos venha de fora. Em estaleiros, o casco é feito aqui e montado aqui, mas grande parte das coisas vem do exterior", aponta Pastoriza.
Em 21 e 22 de maio, em São Paulo, o Sebrae irá realizar um fórum nacional de discussões com o intuito de debater a ampliação de parcerias e oportunidades de negócios entre maiores companhias brasileiras e os pequenos empreendimentos de uma mesma cadeia produtiva. A intenção é reunir grandes companhias que já são parceiras do Sebrae, como Petrobras, Vale, Odebrecht, Gerdau, GE, entre outras e as pequenas empresas envolvidas nesses projetos.

As recentes concessões de rodovias, aeroportos, terminais portuários e o leilão do megacampo de Libra, na camada pré-sal, deverão injetar mais de R$ 80 bilhões ao longo do prazo das concessões, que variam de 20 a 35 anos. Por conta de obrigações contratuais, a maior parte desses investimentos será realizada nos próximos cinco anos, segundo estudo da Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE), que aponta que R$ 7 bilhões serão aplicados em aeroportos, R$ 2,4 bilhões em portos, R$ 28,7 bilhões em rodovias, R$ 26,6 bilhões em geração de energia, R$ 8,7 bilhões em linhas de transmissão e R$ 6,9 bilhões em petróleo e gás.

Isso deverá abrir um conjunto bilionário de oportunidades para micro, pequenas e médias empresas. Estimativas apontam que a cada R$ 1 bilhão licitado nos grandes projetos de infraestrutura cerca de 5% podem ser direcionados a pequenas e médias empresas. No entanto, esse percentual tem potencial de ser elevado em até seis vezes.

"Os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vão produzir impactos consideráveis nos pequenos negócios. Estimativas nossas em conjunto com grandes construtoras indicam que, por exemplo, a cada R$ 1 bilhão licitado em uma obra, em torno de R$ 50 milhões são destinados a compras de produtos e serviços prestados pelos pequenos negócios", afirma o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto.

Ele ressalta que essa participação, no entanto, tem forte potencial de crescimento, pois as compras externas realizadas por essas grandes corporações são equivalentes a aproximadamente 30% do custo da obra. "Ou seja, desse R$ 1 bilhão de nosso exemplo, estamos falando então de R$ 300 milhões em fornecimento externo".

Segundo o último balanço do PAC 2, divulgado em outubro, R$ 665 bilhões já foram executados, 67,2% entre 2011 e 2014. Mas cabe ressaltar que outros investimentos em infraestrutura deverão ganhar espaço a partir do próximo ano, como o desenvolvimento do megacampo de Libra, cuja exploração poderá envolver mais de US$ 100 bilhões.

A hidrelétrica de São Luiz dos Tapajós (PA) é outro projeto que pode sair do papel. Por conta desse potencial, o Sebrae vem trabalhando desde 2004 em um programa de encadeamento produtivo, no qual já foram atendidas mais de 15 mil empresas que se tornaram fornecedoras ou ampliaram seu fornecimento a gigantes dos setores onde atuam.

"Até o próximo ano, a expectativa sinalizada em termos de negócios pelas grandes empresas compradoras nas mais de 100 rodadas com micro e pequenas empresas ofertantes é superior a R$ 5 bilhões", afirma Barretto.

O Sebrae tem atualmente um portfólio de 84 projetos para promover o encadeamento produtivo entre grandes e pequenas empresas, onde estão sendo investidos por parte do Sebrae e das empresas parceiras aproximadamente R$ 95 milhões. Atualmente participam do programa juntamente empresas como a Petrobras, Braskem, Vale, Gerdau, Odebrecht, Consórcio Guarulhos Airport e Nestlé.

No setor rodoviário, foram concedidos 4,2 mil quilômetros em estradas nos últimos três meses, um número considerável, que representa quase um quarto do total concedido em 16 anos. Isso deverá trazer uma série de negócios. "Seguramente haverá oportunidades para os pequenos negócios, principalmente no fornecimento de equipamentos de proteção individual, material de construção, elétrico e hidráulico, como tintas, ferragens, blocos de concreto, cimento", diz.

Para fornecer para grandes empresas, os pequenos negócios precisam investir e melhorar as áreas financeira, gerencial e tecnológica. "A burocracia da Lei 8.666 excluiu muitas pequenas e médias empresas de licitações no aeroporto de Guarulhos, ao mesmo tempo havia um alto grau de informalidade e havia falhas de gestão em muitos empreendedores, que desconheciam noções de fluxo de caixa, qualidade dos produtos e importância do prazo de entrega", destaca o presidente da concessionária que administra o aeroporto de Cumbica, Antônio Miguel Marques, que tem trabalhado para aumentar a participação de pequenos empreendedores nas compras do empreendimento.

Até o momento foram mapeados 104 fornecedores locais na base de compras do aeroporto de Guarulhos em 42 categorias com potencial de fornecimento. Destes, cerca de 50 estão em processo de negociação com a área de compras do aeroporto visando a sua contratação. "O potencial de aumento nas compras locais é da ordem de R$ 23 milhões, sendo que atualmente R$ 42 milhões já são comprados localmente pelo aeroporto", aponta Barretto, presidente do Sebrae Nacional.

Além de ter melhor gestão, a inovação é uma parte essencial da equação das pequenas que querem fornecer para esses grandes projetos. Uma parte da estrutura de pré-moldados das escadas e das arquibancadas dos estádios Arena Fonte Nova e Arena Pernambuco foi construída pela IBPC Premoldados de Concreto, que, para assumir a tarefa, teve de contratar cerca de 50 funcionários. Para participar das obras, a empresa buscou inovar.

O concreto das arenas esportivas é de um tipo especial, que reduz vibrações nas estruturas e nunca tinha sido utilizado em uma construção desse porte na Bahia. "Tivemos de ir a feiras em São Paulo, estudar a literatura técnica sobre o assunto e fazer testes com os fornecedores, aí passamos a incorporar essa nova tecnologia na Bahia, internalizando a tecnologia regionalmente que não era usada por aqui", diz o gerente-técnico da empresa, Jarilson de Andrade. A adoção da solução diferenciada trouxe redução de custos e um aumento de 30% da produtividade.

Para o diretor da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, há uma grande incógnita em relação aos impactos que esses investimentos bilionários terão sobre pequenas, médias e grandes empresas brasileiras. "Esse mercado será do Brasil ou dos concorrentes externos?", questiona. Por conta do custo Brasil, uma máquina fabricada aqui sai 37%, em média, mais cara que uma americana ou alemã. Além da logística deficiente e pesada carga tributária, um outro ingrediente reduz a competitividade: a defasagem cambial. Em 12 anos, a inflação chegou a 120% em reais, sem correção do dólar. "Esse é o grande problema, e as pequenas empresas têm um grau de sofisticação e inovação menor", destaca.

Para ele, um dos problemas são os cálculos que envolvem o conteúdo nacional de alguns equipamentos da indústria naval. "Em uma refinaria, esse cálculo inclui a parte de obra civil e montagem de equipamentos, o que infla o resultado, mesmo que grande parte das máquinas e equipamentos venha de fora. Em estaleiros, o casco é feito aqui e montado aqui, mas grande parte das coisas vem do exterior", aponta Pastoriza.

Em 21 e 22 de maio, em São Paulo, o Sebrae irá realizar um fórum nacional de discussões com o intuito de debater a ampliação de parcerias e oportunidades de negócios entre maiores companhias brasileiras e os pequenos empreendimentos de uma mesma cadeia produtiva. A intenção é reunir grandes companhias que já são parceiras do Sebrae, como Petrobras, Vale, Odebrecht, Gerdau, GE, entre outras e as pequenas empresas envolvidas nesses projetos.

 

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