Combustíveis

Combustíveis sobem 2,1% no 1º semestre

Etanol acumulou queda de 0,6% no período.

Valor Econômico
06/08/2013 09:18
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Na contramão da ajuda dada aos índices de preços pela revogação dos aumentos de transporte coletivo, outro segmento que compõe o grupo transportes está pressionando mais a inflação este ano. Os combustíveis acumulam alta de 2,1% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre janeiro e junho. Em igual período de 2012, a variação do subgrupo foi negativa em 2%.
Esse movimento, no entanto, não é considerado fator de preocupação ao cenário inflacionário em 2013, tendo em vista outros importantes pontos de alívio aos preços, como o corte das tarifas de energia elétrica e o cancelamento dos reajustes de ônibus.
Com peso de 0,93% no IPCA, o etanol acumulou queda de 0,6% neste primeiro semestre, depois de recuo de 4% de janeiro a junho de 2012. A gasolina, que marcou retração de 1,8% na primeira metade do ano passado e representa quase 4% do índice, subiu 2,5% no mesmo período de 2013. O diesel, cujo impacto no IPCA é indireto e defasado e, portanto, mais fraco, avançou 8,9% este ano de acordo com a inflação oficial, ante 1,2% em igual comparação de 2012.
Esses últimos dois combustíveis têm os preços controlados pela Petrobras e foram reajustados este ano, devido ao aumento da defasagem entre os preços externos e internos. No fim de janeiro, as correções nos preços do diesel e da gasolina foram de 5,4% e 6,6%, respectivamente. Em março, o diesel teve novo reajuste, de 5%. No ano passado, o governo zerou a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis para reduzir o impacto das altas nas refinarias ao consumidor, artifício que não estava mais disponível este ano.
Fabio Romão, da LCA Consultores, calcula que os combustíveis irão contribuir com 0,18 ponto percentual da alta de 5,6% projetada para o IPCA em 2013. Em 2012, lembra, o impacto desse conjunto de preços no indicador foi negativo em 0,04 ponto percentual. Segundo Romão, a forte deflação do etanol foi uma importante ajuda à variação dos dois combustíveis em 2012. No ano passado, o percentual de álcool anidro na mistura da gasolina era de 20%, parcela elevada para 25% em maio deste ano.
Os reajustes da gasolina e do diesel aos distribuidores, por sua vez, também fizeram diferença na inflação desse segmento de preços este ano, diz o economista da LCA. "O ano passado foi ano de eleições municipais, o que pode ter postergado novos reajustes para 2013. Com as passagens de ônibus, isso acontece com mais clareza", afirma Romão. Além da questão eleitoral, ele menciona a defasagem maior em relação aos preços internacionais, o que, no caso do diesel, motivou dois aumentos em um curto espaço de tempo.
Segundo Adriana Molinari, da Tendências Consultoria, o aumento da gasolina nas refinarias provocou avanço de 4,1% desse item no IPCA de fevereiro, o que não ocorreu no ano passado, quando a desoneração da Cide zerou o repasse ao consumidor. Em 2013, diz Adriana, a transmissão da alta da gasolina ao varejo deu margem para que os usineiros elevassem os preços do álcool hidratado.
"O congelamento da gasolina funciona como barreira artificial aos preços do álcool, que não podem ultrapassar 70% do litro do combustível concorrente. O reajuste da gasolina este ano permitiu um aumento do etanol sem afetar tanto o consumo", diz Arthur Viaro, analista de agronegócios da Tendências. Outro fator de pressão, afirma, vem da participação maior do álcool anidro na mistura da gasolina, que reduz a oferta de álcool.
Pelo lado da safra, aponta Viaro, não há vetores de aceleração para os preços do etanol em 2013. No fim de maio, as chuvas afetaram a colheita da cana-de-açúcar, mas a primeira quinzena de julho já mostrou melhora da produção. Ele destaca que as usinas têm mais incentivos para produzir álcool este ano, devido às cotações pouco atrativas do açúcar no mercado internacional e também à desoneração da cobrança de PIS e Cofins sobre o biocombustível.
Mesmo com o comportamento mais desfavorável dos combustíveis nos índices de preços, Adriana ressalta que os itens administrados devem subir apenas 0,7% em 2013, após avanço de 3,6% em 2012, em função de MP 579, que reduziu os preços da energia elétrica, e da reversão dos reajustes de transporte público.

Na contramão da ajuda dada aos índices de preços pela revogação dos aumentos de transporte coletivo, outro segmento que compõe o grupo transportes está pressionando mais a inflação este ano. Os combustíveis acumulam alta de 2,1% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre janeiro e junho. Em igual período de 2012, a variação do subgrupo foi negativa em 2%. Esse movimento, no entanto, não é considerado fator de preocupação ao cenário inflacionário em 2013, tendo em vista outros importantes pontos de alívio aos preços, como o corte das tarifas de energia elétrica e o cancelamento dos reajustes de ônibus.


Com peso de 0,93% no IPCA, o etanol acumulou queda de 0,6% neste primeiro semestre, depois de recuo de 4% de janeiro a junho de 2012. A gasolina, que marcou retração de 1,8% na primeira metade do ano passado e representa quase 4% do índice, subiu 2,5% no mesmo período de 2013. O diesel, cujo impacto no IPCA é indireto e defasado e, portanto, mais fraco, avançou 8,9% este ano de acordo com a inflação oficial, ante 1,2% em igual comparação de 2012.



Esses últimos dois combustíveis têm os preços controlados pela Petrobras e foram reajustados este ano, devido ao aumento da defasagem entre os preços externos e internos. No fim de janeiro, as correções nos preços do diesel e da gasolina foram de 5,4% e 6,6%, respectivamente. Em março, o diesel teve novo reajuste, de 5%. No ano passado, o governo zerou a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis para reduzir o impacto das altas nas refinarias ao consumidor, artifício que não estava mais disponível este ano.



Fabio Romão, da LCA Consultores, calcula que os combustíveis irão contribuir com 0,18 ponto percentual da alta de 5,6% projetada para o IPCA em 2013. Em 2012, lembra, o impacto desse conjunto de preços no indicador foi negativo em 0,04 ponto percentual. Segundo Romão, a forte deflação do etanol foi uma importante ajuda à variação dos dois combustíveis em 2012. No ano passado, o percentual de álcool anidro na mistura da gasolina era de 20%, parcela elevada para 25% em maio deste ano.


Os reajustes da gasolina e do diesel aos distribuidores, por sua vez, também fizeram diferença na inflação desse segmento de preços este ano, diz o economista da LCA. "O ano passado foi ano de eleições municipais, o que pode ter postergado novos reajustes para 2013. Com as passagens de ônibus, isso acontece com mais clareza", afirma Romão. Além da questão eleitoral, ele menciona a defasagem maior em relação aos preços internacionais, o que, no caso do diesel, motivou dois aumentos em um curto espaço de tempo.


Segundo Adriana Molinari, da Tendências Consultoria, o aumento da gasolina nas refinarias provocou avanço de 4,1% desse item no IPCA de fevereiro, o que não ocorreu no ano passado, quando a desoneração da Cide zerou o repasse ao consumidor. Em 2013, diz Adriana, a transmissão da alta da gasolina ao varejo deu margem para que os usineiros elevassem os preços do álcool hidratado.



"O congelamento da gasolina funciona como barreira artificial aos preços do álcool, que não podem ultrapassar 70% do litro do combustível concorrente. O reajuste da gasolina este ano permitiu um aumento do etanol sem afetar tanto o consumo", diz Arthur Viaro, analista de agronegócios da Tendências. Outro fator de pressão, afirma, vem da participação maior do álcool anidro na mistura da gasolina, que reduz a oferta de álcool.



Pelo lado da safra, aponta Viaro, não há vetores de aceleração para os preços do etanol em 2013. No fim de maio, as chuvas afetaram a colheita da cana-de-açúcar, mas a primeira quinzena de julho já mostrou melhora da produção. Ele destaca que as usinas têm mais incentivos para produzir álcool este ano, devido às cotações pouco atrativas do açúcar no mercado internacional e também à desoneração da cobrança de PIS e Cofins sobre o biocombustível.


Mesmo com o comportamento mais desfavorável dos combustíveis nos índices de preços, Adriana ressalta que os itens administrados devem subir apenas 0,7% em 2013, após avanço de 3,6% em 2012, em função de MP 579, que reduziu os preços da energia elétrica, e da reversão dos reajustes de transporte público.

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