O consórcio Grupo Unido pelo Canal (GUPC), responsável pela ampliação do Canal do Panamá – que havia ameaçado parar os trabalhos ontem, se o governo não aceitasse aumentar o valor de seu contrato em US$ 1,6 bilhão, devido a gastos não previstos – continuou as obras nessa segunda-feira.
Mas o ritmo dos trabalhos diminuiu, informou o presidente da Autoridade do Canal do Panamá (ACP), Jorge Quijano. “Seguem trabalhando em um ritmo reduzido, como na semana passada”, afirmou o executivo. Nos últimos dias, nos canteiros de obras, era possível observar enormes gruas, andaimes, caminhões e equipamentos pesados em atividade, mas a quantidade de trabalhadores tinha caído consideravelmente.
Os acessos aos locais das construções estão restritos em Cocolí, na região do Pacífico. Mas os trabalhos podem ser observados por mirantes nas proximidades de Colón, no lado do Atlântico. Na semana passada, o administrador do Canal disse que o ritmo da obra estava abaixo de 30%. Segundo sindicatos e autoridades federais, dos mais de 5 mil profissionais que deveriam atuar nesta etapa do empreendimento, restavam menos do que a metade.
No domingo passado, Jorge Quijano afirmou que “os níveis de produção na obra são pobríssimos há duas semanas”. No mesmo dia, representantes do consórcio GUPC, chefiado pela construtora espanhola Sacyr, anunciaram que não pretendem paralisar os trabalhos, pois este era “um cenário que não estava sendo considerado no momento”. Mas destacaram que poderiam reavaliar a situação “e tomar uma nova decisão a qualquer instante”.
O grupo deve se reunir hoje com a ACP e com representantes das companhias de seguro da obra para discutir o futuro do projeto. A ampliação do Canal do Panamá, que engloba a construção de um terceiro conjunto de eclusas ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, está orçada em US$ 5,25 bilhões.
Somente a implantação das novas eclusas, serviço para o qual o GUPC foi contratado, é estimada em US$ 3,2 bilhões. Segundo a ACP, a obra, no geral, está 72% concluída, enquanto a parte das eclusas teve 65% de seus trabalhos realizados. O empreendimento deveria ser entregue no ano passado, quando o canal comemora seu centenário. Mas atrasos levaram as autoridades a prever a inauguração para o fim deste ano.