<P>A Codesp planeja aumentar em quase 60% os investimentos públicos em dragagem para o próximo ano no Porto de Santos. De acordo com o plano anual da estatal para o serviço, serão gastos aproximadamente R$ 84 milhões, entre os trabalhos de manutenção e aprofundamento do canal de navegação d...
A Tribuna (Santos)A Codesp planeja aumentar em quase 60% os investimentos públicos em dragagem para o próximo ano no Porto de Santos. De acordo com o plano anual da estatal para o serviço, serão gastos aproximadamente R$ 84 milhões, entre os trabalhos de manutenção e aprofundamento do canal de navegação do complexo. Os valores foram aprovados pelo Conselho de Autoridade Portuária (CAP), na reunião mensal do órgão, realizada na última terça-feira.
De acordo com o superintendente de Atracação e Serviços da Codesp, Pedro Mauro Lopes, a empresa deverá desembolsar R$ 29,9 milhões para executar os serviços de manutenção do canal de navegação e das bacias de evolução. Com a dragagem dos berços de atracação serão gastos R$ 14,1 milhões e, finalmente, R$ 40 milhões para o aprofundamento do canal.
O montante estimado será 58,17% maior do que o gasto previsto para este ano, quando a soma dos trabalhos programados deve atingir R$ 53,1 milhões. A quantia seria superior, mas a Codesp não conseguiu concluir os estudos necessários para iniciar a dragagem de aprofundamente.
Dentre as obras listadas para o ano que vem, somente o aumento da profundidade do estuário será custeado com recursos do Governo Federal, por se tratar de uma obra de infra-estrutura. Os dois outros trabalhos terão que ser pagos pela Codesp, pois são eminentemente de conservação da infra-estrutura portuária e, por isso, fazem parte das tarifas pagas pelos operadores.
Segundo o superintendente da Companhia Docas, durante este ano, devem ser escavados do estuário 3,6 milhões de metros cúbicos de lama. A mesma quantidade deve ser dragada no próximo ano, somente para manter a profundidade do canal. Cerca de 15% desses sedimentos devem ser retirados dos berços de atracação.
Em relação ao aumento de calado do porto, a estatal acredita ser necessária a extração de 2,5 milhões de metros cúbidos de resíduos acumulados no fundo do estuário, serviço que deve ter início no segundo semestre do próximo ano. A projeção é idêntica àquela feita pela Docas ano passado. A única diferença é o custo deste procedimento, então avaliado em R$ 37,5 milhões (hoje, seu valor é estimado em R$ 40 milhões, 6,6% a mais).
Situação
De acordo com o superintendente Pedro Mauro Lopes, a dragagem de manutenção do canal e da bacia de evolução deve ser concluída pelas empresas Enterpa e Dragaport em mais 30 dias. Essas firmas são responsáveis pelos trechos da Barra de Santos (entrada do porto) até a Torre Grande (altura do Armazém 25) e deste ponto até os terminais da Alemoa, respectivamente.
A Enterpa tem um saldo de 10% a fazer ainda e a Dragaport, de 15%, o que dá uma média próxima a 90% de conclusão, calculou Lopes.
A Bandeirantes Dragagem, que faz o serviço nos berços do porto, conseguiu atingir apenas 30% do seu contrato, estimado em 1 milhão de metros cúbicos.
O atraso da dragagem de berço, em comparação à manutenção do canal, foi causado por restrições ambientais e por desentendimentos entre a estatal e a empresa contratada, que no total retardaram o serviço nos pontos de atracação em quase seis meses, revelou o superintendente. Ele se referiu à imposição da Cetesb, determinando que as três empresas (Enterpa, Dragaport e Bandeirantes) dragassem apenas 300 mil metros cúbicos por mês em todo o traçado e, posteriormente, a divergências entre a forma de cálculo do material dragado.
Lopes afirmou que o serviço nos pontos de atracação foi retomado há cerca de 45 dias e deverá ser intensificado até o final do mês pela Bandeirantes. A contratada promete enviar uma segunda draga ao porto, além de equipamentos como batelões e grabes para acelerar a conclusão do serviço.
Para o diretor de Infra-estrutura e Serviços da Autoridade Portuária, Arnaldo de Oliveira Barreto, a forma de medição da lama dragada não será alterada, por enquanto. A medida era pleiteada pela Bandeirantes, que alegou prejuízos no serviço por causa de uma nuvem de lama muito mole e escura que confundia a contagem.
Barreto revelou que a Codesp irá contratar, nas próximas semanas, o Instituto Nacional de Pesquisas Hidrodinâmicas (INPH) para fazer um relatório sobre quanto já teria sido dragado nos berços do porto. A escolha do INPH ocorreu porque fundações sem fins lucrativos não precisam ser submetidas à licitação.
CAP
Na reunião da última terça-feira, na qual aprovou o Plano de Dragagem do Porto de Santos para 2007, o CAP determinou o envio desse programa ao Ministério dos Transportes, para sua inclusão no plano nacional a ser elaborado para o serviço. O estudo federal deve ser divulgado até novembro.
O CAP, que reúne representantes dos diversos setores da comunidade portuária, também definiu que o volume de lama que a Codesp não conseguir retirar do canal até o final deste ano, será acumulado e incluído como meta do próximo exercício.
A expectativa é que uma parcela muito pequena da lama que seria retirada dos berços de atracação do porto este ano seja transferida para o próximo, explicou o superintendente de Atracação e Serviços da Autoridade Portuária, Pedro Mauro Lopes.
Fonte: A Tribuna (Santos)
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