Internacional

CNOOC desiste da Unocal

A CNOOC argumenta que abandonou relutantemente a disputa e critica a oposição política que se estabeleceu nos Estados Unidos desde o anúncio de sua proposta.

Redação c/ ag. int
03/08/2005 00:00
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A China Nacional Offshore Oil Company (CNOOC) desistiu, nesta terça-feira (02/08), da compra da petroleira norte-americana Union Oil Company of California (Unocal). Em nota oficial publicada na quarta-feira, a CNOOC argumenta que abandonou relutantemente a disputa e critica a oposição política que se estabeleceu nos Estados Unidos após o anúncio de sua proposta.
A companhia chinesa disputava o controle acionário da Unocal com a norte-americana Chevron Corporation e chegou a oferecer US$ 1 bilhão a mais do que a concorrente. No entanto, a Unocal recomendou aos acionistas que votassem pela aprovação da proposta da Chevron na reunião especial dos acionsitas, marcada para o dia 10 de agosto. A oferta da CNOOC foi de US$ 18,5 bilhões, enquanto a da Chevron chegou a US$ 17,5 bilhões.
Na mais recente revisão das ofertas feita pelo Instituto de Seviço aos Acionsitas (ISS - sigla em inglês) dos Estados Unidos, a oferta da Chevron foi considerada mais segura e, inclusive, mais rentável uma vez que a empresa chinesa enfrentaria muito mais disficuldades políticas e burocráticas para realmente fechar o negócio. A diretoria da Unocal concordou com a visão do ISS e, inclusive, expressou satisfação pelo Instituto ter decidido em favor da petroleira norte-americana. "Estamos agradecidos de que o ISS reconheça que o acordo com a Chevron é no melhor interesse dos acionistas da Unocal", disse Charles R. Williamson, presidente e CEO da Unocal.
"A oferta da CNOOC não é suficiente para compensar os acionistas da Unocal pelo alto risco da transação. Assumindo um adicional de seis meses para fechar o acordo com a CNOOC e um custo para o capital do investidor de 5%, a oferta de US$ 67 pode ser descontada a aproximadamente US$ 65,38 por ação", afirma o informe do ISS.
Em uma reportagem do The Wall Street Journal, especialistas do setor analisam que a possibilidade de transferência de controle de uma companhia americana estratégica para mãos chinesas acirrou os ânimos no Congresso dos Estados Unidos.
Segundo o Wall Street, a chinesa seria considerada menos valiosa pelos investidores por causa de fragilidades institucionais e riscos políticos. A oposição de deputados e senadores americanos e os atrasos decorrentes de exigências regulatórias fariam com que a concretização do negócio com a CNOOC demorasse meses a mais do que com a Chevron. "Os investidores americanos iriam exigir compensação financeira pela demora", afirma a reportagem.
Por outro lado, a CNOOC lamenta a decisão da Unocal em recomendar que os acionistas votem pela oferta da Chevron e assegura que sua proposta é claramente mais vantajosa e que eles até poderia elevar a propostas se não fosse a forte oposição política enfrentada. "Esse ambiente político fez essa situação muito difícil para nós apurarmos nossa chance de sucesso. Ela criou um nível de incerteza que resultou em um risco inaceitável para nossa capacidade de assegurar a transação", afirmou a CNOOC em um informe.
Na nota de desistência a CNOOC afirma que "a combinação entre CNOOC e Unocal criaria uma companhia forte e exitosa, enfocada no rápido crescimento da Ásia, para beneficiar acionistas e empregados das duas companhias. Nós entramos no processo de disputa pela Unocal em boa-fé, seguindo todos os procedimentos impostos pela empresa."
A investida da companhia chinesa foi considerada como caso de segurança nacional por parlamentares norte-americanos, que chegaram a exigir intervenção governamental para a paralisação do processo. "Como o panorama de energia global se altera,  acreditamos que é fundamental  entender as implicações dos interesses norte-americanos e mais específicamente, no que se refere à busca do governo chinês por recursos energéticos mundiais. Os Estados Unidos precisa atingir suas necessidade de energia de acordo com o contexto de nossa agenda de política externa, segurança nacional e segurança econômica", escreveram os deputados republicanos da Califórnia Richard W.Pombo e Duncan Hunter, em carta enviada ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, segundo informa o The Wall Street Journal.
Por outro lado, a Unocal possui grande participação na Ásia e a Chevron investe na compra da companhia por cobiçar, justamente, este mercado. Grande parte das reservas provadas da Unocal, 73% de gás natural e 27% de petróleo, estão na Ásia, região onde Chevron e CNOOC tem, inclusive negócios em comum, como o contrato de transporte de GNL da Austrália para China no valor de US$ 35 bilhões, para os próximos 25 anos. 
Os rumores sobre a compra da Unocal pela CNOOC comerçaram no início deste ano, quano o consultor Jean Paul Prates, da consultoria Expetro Internacional, afirmou que a aquisição permitiria a remoção de um dos últimos obstáculos para a expansão internacional da companhia chinesa, representado pela defasagem tecnológica. Entre os ativos a serem incorporados com a Unocal, um deles certamente seria o capital tecnológico acumulado pela companhia independente, atualmente listada na 9ª colocação no ranking americano, pelo critério de reservas.
Turbinada pela aquisição, a CNOOC poderia começar a participar, por exemplo, das rodadas de licitação de áreas promovidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).  "Hoje isso não se mostra possível pela falta de experiência da CNOOC no segmento de E&P", justifica o consultor.

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