Economia

CNI espera ritmo menor de crescimento

Valor Econômico
15/12/2010 10:20
Visualizações: 544
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta desaceleração da economia no próximo ano, com a previsão da taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) passando de 7,6% em 2010 para 4,5% em 2011. Bem mais modesta também é a estimativa de crescimento do setor industrial, que passaria de uma alta de 10,9% neste ano para 4,5% no próximo ano.


As projeções foram apresentadas ontem pelo presidente da entidade, Robson Andrade. Durante balanço do ano, ele voltou a apontar o câmbio valorizado como principal problema do setor industrial que, em níveis cada vez maiores, disputa nichos do mercado interno com as importações.


O outro entrave aos negócios, frisou Andrade, é o uso exclusivo da taxa básica de juros pelo governo no controle da inflação. "A taxa de juros não pode ser a única âncora da estabilidade", criticou. Para a CNI, 2011 começa sob a égide da inflexão da política monetária como forma única de inibição do IPCA.


Nas projeções apresentadas, a entidade estima que a taxa Selic passará de 10,75% ao ano para 12% em 2011. Ao elevar a taxa em 1,25 ponto percentual, a CNI antevê um ciclo curto de recrudescimento da política monetária, sintetizada em altas decididas em três encontros do Comitê de Política Monetária (Copom).


O cerne dessa previsão está na interpretação da CNI sobre o governo Dilma Rousseff (PT). Para Andrade, a presidente eleita tende a não concentrar o controle da inflação na política monetária, reforçando a política fiscal por meio do corte de despesa pública. "O próximo governo tem uma visão desenvolvimentista. Acho que teremos a oportunidade de mudarmos um pouco as coisas", comentou ele ao se referir a uma eventual opção da próxima administração federal em não usar exclusivamente a calibragem da taxa Selic para monitorar a variação de preços.


Ainda assim, o economista da entidade, Flávio Castelo Branco, lembra que a possibilidade de um ciclo de alta de 1,25 ponto percentual na taxa de juros só será crível se o governo mudar a proposta orçamentária em tramitação no Legislativo e anunciar um efetivo programa de eliminação de despesas. "Com esse Orçamento que está no Congresso, não há chance de ciclo curto de alta na Selic", advertiu. A CNI também estima que a taxa média de juros passará de 9,90% para 11,84% ao ano em 2011.


Ao abordar a estabilidade, Robson Andrade informou que a CNI vai elaborar um estudo aprofundado sobre "mecanismos de preços" no país, como forma de qualificar o debate sobre inflação na interlocução com o governo.


Nesse estudo, a entidade pretende analisar a complexidade da indexação, os efeitos da memória inflacionária na variação dos preços e as recomposições das margens de lucratividade das empresas. Para a CNI, o IPCA chegará ao fim do próximo ano em 5%, acima do centro da meta de 4,5%.


Andrade lembra que no passado, a recomposição das margens de lucratividade era a forma usada pelas empresas para se capitalizar e compensar a inexistência da estabilidade monetária e uma economia desorganizada, na qual as projeções de crescimento não se confirmavam. "Hoje há um cenário que permite planejar negócios, embora haja algumas incertezas", afirmou.


A CNI não antevê soluções pontuais para o câmbio, que tende a seguir valorizado. A solução é, segundo o dirigente da entidade, o governo reforçar as medidas tributárias, estabelecendo quarentena para a permanência dos capitais de curto prazo no país e novos aumentos do IOF. Ele também defende a adoção de medidas de defesa comercial e barreiras técnicas não-tarifárias.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Brandend Content
Brasil Aços amplia estoque de tubos de aço carbono NACE...
24/09/26
ROG.e 2026
Lideranças apontam o Brasil como pilar de segurança ener...
24/09/26
ROG.e 2026
Firjan SENAI e Sebrae Rio conectam MPEs a grandes empres...
24/09/26
ROG.e 2026
Estudo da PPSA identifica boas práticas para apoiar deci...
24/09/26
ROG.e 2026
EAS participa da ROG.e 2026
24/09/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 reforça agenda de DE&I no setor de energia co...
24/09/26
ROG.e 2026
Programa Offshore do Futuro deve chegar a Sergipe para f...
24/09/26
ROG.e 2026
Shell Energy Brasil destaca oportunidade de ampliar inte...
24/09/26
PPSA
A parcela de petróleo da União foi de 328 mil barris por...
24/09/26
Apoio Offshore
Afretado pela Petrobras, o PSV Starnav Elektra é batizad...
24/09/26
ROG.e 2026
SONDA aposta em IA e Drones para operações críticas no s...
24/09/26
ROG.e 2026
O papel da Lumina e o impacto da ROG.e 2026 para a indús...
23/09/26
Negócios
Avanço acompanha expansão da cadeia de petróleo e gás e ...
23/09/26
ROG.e 2026
A energia inteligente no poço
23/09/26
ROG.e 2026
Como o profissional de Química impulsiona a inovação e a...
23/09/26
ROG.e 2026
IBP lança caderno de Projetos e Iniciativas de Responsab...
23/09/26
ROG.e 2026
Gigantes do setor e produtores independentes aceleram pr...
22/09/26
PPSA
PPSA publica pré-edital do 1º Leilão de Gás Natural da União
22/09/26
ABPIP
ABPIP terá programação própria de debates durante a ROG....
22/09/26
ROG.e 2026
MODEC debate desafios para um offshore mais eficiente na...
22/09/26
ROG.e 2026
Cladtek foi selecionada para desenvolver tecnologia que ...
22/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25