Brasil

CNI considera acertada queda de 0,5 na taxa básica de juros

Indústria espera que, mantido o cenário de controle da inflação nos próximos meses, sejam realizados novos e mais intensos cortes na Selic nas reuniões à frente

Redação TN Petróleo, Agência CNI de Notícias
03/08/2023 07:00
CNI considera acertada queda de 0,5 na taxa básica de juros Imagem: Divulgação Visualizações: 2833

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária Copom), do Banco Central, de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual. De acordo com o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, mantido o cenário de controle da inflação nos próximos meses, é necessário que os cortes na Selic sejam mais intensos. Antes da reunião do Copom, a taxa de juros estava 4,8 pontos percentuais acima da taxa neutra, aquela não estimula nem desestimula a atividade econômica. 

“A decisão foi acertada, uma vez que não compromete o processo de combate à inflação e evita um desaquecimento maior da indústria e da economia. As expectativas de inflação têm passado por sucessivas revisões para baixo e a apreciação da taxa de câmbio, nos últimos meses, também representa mais um elemento positivo para esse cenário de controle da inflação”, avalia Robson Andrade.

A Selic em alta tem comprometido significativamente a atividade econômica em 2023. Na comparação de junho de 2023 com junho de 2022, a produção da indústria de transformação caiu 1,5%. Já o setor de serviços registrou queda de 2% em maio em comparação com dezembro de 2022, na série livre de efeitos sazonais. 

Os impactos da Selic alta também são sentidos no mercado de crédito. No primeiro semestre de 2023, na comparação com o último semestre de 2022, as concessões de crédito às empresas caíram 5,2% (queda de 8,0%, em termos reais). Além disso, tem ocorrido aumento nos níveis de inadimplência e, consequentemente, maior provisionamento pelos bancos – também por conta de eventos adversos relacionados a grandes empresas varejistas no Brasil –, o que compromete ainda mais a oferta de crédito. 

A indústria entende que a continuidade do ciclo de redução da Selic exige boa coordenação entre política monetária e política fiscal. A expectativa da CNI é que o Congresso aprove, em breve, um novo arcabouço fiscal que consiga estabilizar a dívida pública sem recorrer ao aumento da carga tributária, de modo a contribuir com o processo de cortes na taxa básica de juros.

Por que a SELIC deveria cair mais?

Desde fevereiro de 2022, a política monetária encontra-se em terreno contracionista, com a taxa Selic em nível suficiente para desaquecer a atividade econômica e, assim, controlar a inflação. Nos últimos meses, isso ficou ainda mais evidente: o IPCA desacelerou fortemente, chegando a 3,2% no acumulado em 12 meses até junho. Além disso, o IPCA-15, que visa antecipar o resultado da variação dos preços no mês, apresentou queda de 0,07% em julho, reforçando a tendência favorável da inflação.

Ainda, as expectativas de inflação têm passado por sucessivas revisões para baixo, conforme indica o Relatório Focus, do Banco Central. Para 2023, a inflação esperada caiu para 4,8%; enquanto para 2024 e 2025, caiu para 3,9% e 3,5%, respectivamente. 

Com essa queda das expectativas de inflação para os próximos 12 meses, mesmo com a Selic estável em 13,75% ao ano, a política monetária estava se tornando cada vez mais contracionista. A taxa de juros real que em janeiro estava em 7,6% ao ano, se encontrava em 9,3% ao ano, antes da reunião, o que representam 4,8 pontos percentuais acima da taxa de juros neutra, aquela que não estimula nem desestimula a atividade econômica.

A apreciação da taxa de câmbio nos últimos meses também representa mais um elemento positivo para esse cenário de controle da inflação, especialmente sobre os preços dos grupos Produtos Industriais e Alimentos.

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