Negócios

Câmbio beneficia exportador que usa mais insumo importado, mostra estudo

<P>As indústrias exportadoras de máquinas de escritório e informática importam 4,44 vezes mais do que embarcam para o exterior. No outro extremo, os fabricantes de madeira e móveis adquirem no mercado externo o equivalente a apenas 4% do total de suas exportações.<BR><BR>O impacto da valoriza...

Valor Econômico(Raquel Landim)
20/08/2006 21:00
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As indústrias exportadoras de máquinas de escritório e informática importam 4,44 vezes mais do que embarcam para o exterior. No outro extremo, os fabricantes de madeira e móveis adquirem no mercado externo o equivalente a apenas 4% do total de suas exportações.

O impacto da valorização do real para esses setores é totalmente distinto. Os fabricantes de móveis são prejudicados, já que praticamente todos seus custos estão em reais. Já os exportadores de máquinas de escritório e informática não só possuem um hedge natural, como são beneficiados pelo real forte.

Para medir esse hedge natural, o economista Fernando Puga, assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) calculou o coeficiente de comércio exterior das firmas. O indicador mede a relação importação/exportação das empresas exportadoras de cada setor.

Por exemplo: no setor automotivo, as exportações correspondem aos veículos enviados ao exterior e, nas importações, estão incluídas compras de máquinas, componentes eletrônicos, estofamento etc.

Para obter o coeficiente, Puga identificou as empresas que exportaram em 2003 (ano mais recente para o qual as informações estão disponíveis). Foram obtidos os dados de exportação e importação de cada empresa, para, posteriormente, serem agrupados em setores. O estudo avalia a indústria da transformação e foi publicado, na sexta-feira, no boletim Visão do Desenvolvimento do BNDES.

O levantamento identificou quatro setores que são beneficiados pelo real forte: material eletrônico e de comunicações, química, instrumentos médicos e ópticos, além de máquinas de escritório e informática. No caso de material eletrônico e de comunicações, que inclui os celulares, as importações são 1,78 vez maiores que as exportações.

Como o valor adicionado nesses casos é pequeno, o impacto do câmbio também é reduzido, diz Puga. Além disso, uma parcela das importações dessas empresas é de insumos utilizados em produtos vendidos internamente. Logo, a valorização do real torna a empresa mais competitiva dentro do país.

Desses setores, dois tiveram um desempenho exportador muito bom nos últimos dois anos. Em material eletrônico e de comunicações, as exportações aumentaram 86% em 2005 ante 2004 e 33% de julho de 2005 a junho de 2006 ante julho de 2004 a junho de 2005. Na mesma comparação, as exportações de máquinas de escritório e de informática cresceram 43,2% e 29,4%.

Para Puga, esse estudo ajuda a entender porque as exportações de alguns setores são pouco sensíveis à valorização do câmbio. Empresas com volume expressivo de importações possuem um hedge natural. Não é mais possível analisar os efeitos do câmbio apenas observando o total das exportações, diz.

O levantamento também identificou os setores sensíveis à variação do real. Em quatro setores, as importações das empresas correspondem a menos de 25% das exportações: madeira e móveis, couro e calçados, alimentos e bebidas e papel e celulose. Outros segmentos também possuem coeficiente baixo. Para os fabricantes de vestuário, as importações de insumos equivalem a apenas 38% das exportações.

Com a alta da moeda brasileira, as exportações desses setores foram prejudicadas. Os embarques de vestuário subiram apenas 1,22% em 2005 ante 2004 e caíram 7,95% de julho de 2005 a junho de 2006 ante julho de 2004 a junho de 2005. Nas mesma comparação, as exportações de couro e calçados subiram 5,8% e 6,6%, respectivamente.

O estudo indica ainda que, para algumas empresas, o patamar do câmbio faz pouca diferença. Nesses casos, as indústrias possuem um hedge quase perfeito, pois os insumos importados equivalem às exportações. É o caso dos fabricantes de materiais elétricos e produtos de metal.

(Fonte: Valor Econômico/Raquel Landim)

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