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Cai desde 2004 participação do Sul no saldo nacional

<P>Porto Alegre - Novo cenário resulta de evolução menor das exportações do Sul em relação ao restante do País. A região Sul, que no final do primeiro semestre de 2004 garantia 44% do saldo positivo da balança comercial brasileira, fechou os primeiros seis meses deste ano com uma participa...

Gazeta Mercantil/Caio Cigana
25/07/2006 21:00
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Porto Alegre - Novo cenário resulta de evolução menor das exportações do Sul em relação ao restante do País. A região Sul, que no final do primeiro semestre de 2004 garantia 44% do saldo positivo da balança comercial brasileira, fechou os primeiros seis meses deste ano com uma participação de apenas 24%. Há dois anos o Brasil encerrava o período entre janeiro e junho com um saldo de US$ 15 bilhões, tendo US$ 6,6 bilhões sido obtidos por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Agora, os três estados asseguraram apenas US$ 4,63 bilhões do saldo de US$ 19,53 bilhões alcançado pelo Brasil.

De acordo com análise da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), o novo cenário é resultado de uma evolução menor das exportações do Sul em relação ao restante do País. Na outra mão do comércio, as importações gaúchas, catarinenses e paranaenses cresceram mais. Na comparação com os dois semestres, as exportações sulinas tiveram um incremento de somente 6,1%, somando agora US$ 12,14 bilhões. Enquanto isso, as vendas externas brasileiras evoluíram 40,6%, fechando junho em US$ 60,9 bilhões.

Nas importações, o valor apurado até junho deste ano chega a US$ 7,51 bilhões, um aumento de 55,3% ante o primeiro semestre de 2004. Se for levado em consideração todo o País, no entanto, a elevação foi de 46,6%, um total de US$ 41,36 bilhões.O presidente da Fiergs, Paulo Tigre, relaciona uma série de fatores para explicar a queda de participação da região Sul na composição do saldo positivo da balança comercial brasileira. O primeiro, observa ele, está relacionado às commodities agrícolas.

A produção de soja no Rio Grande do Sul foi prejudicada por grandes períodos de seca em 2004 e em 2005. O Paraná foi atingido em menor escala nos últimos dois anos, mas em 2006 teve uma estiagem mais grave do que os gaúchos. Além da perda de volumes, os preços da oleaginosa também tiveram uma queda brusca nos últimos dois anos. Ainda no agronegócio, o setor de carnes também teve seus percalços.

Tivemos a gripe aviária, que prejudicou as exportações de carne de frango. Agora temos um caso da doença de newcastle aqui (no Rio Grande do Sul). E também a febre aftosa no Paraná, que trouxe problemas para as exportações de carne suína e bovina, observa Tigre.

Mesmo com o vírus da gripe aviária longe do Brasil, o temor da doença fez cair o consumo de carne do frango no mundo e os três estados do Sul são os maiores exportadores brasileiros do produto. No caso da carne suína, o Paraná também é um dos maiores exportadores.

O dólar desvalorizado, acrescenta o presidente da Fiergs, afeta mais o Sul em comparação com o restante do País, pelo fato de a região ter setores mais sensíveis a variações do câmbio, como o calçadista no Rio Grande do Sul, o têxtil em Santa Catarina e o moveleiro nos dois estados. No segmento calçadista, por exemplo, a moeda americana depreciada tira a competitividade principalmente em produtos mais baratos, cedendo terreno à China. São setores de mão-de-obra intensiva, observa.

Já o Estado de São Paulo, lembra Tigre, tem a vantagem de uma pauta mais diversificada, enquanto Minas Gerais se beneficia pela grande demanda mundial de minérios e o Rio de Janeiro pela grande valorização do petróleo.

Já na parte das importações, que cresceram em função do dólar desvalorizado, a Fiergs vê um reflexo positivo e um negativo. Muita importação é de bens de capital, equipamentos que depois vão significar mais produtividade, mais competitividade da indústria. Isso é bom. Mas também há importações de bens intermediários, que antes eram adquiridos no mercado interno e agora estão sendo buscados no exterior, diz Tigre.

Fonte: Por Gazeta Mercantil/Caio Cigana

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