Etanol

Brasil exporta mais para a Ásia; EUA compram menos

Reuters
20/07/2009 04:22
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Um aumento nas exportações de etanol do Brasil para a Índia, Japão e Coréia do Sul compensou parte da forte queda nos embarques para os Estados Unidos, principal mercado para o biocombustível brasileiro em 2008.


As exportações de etanol do Brasil para a Índia, que foram nulas na primeira metade de 2008, chegaram até agora neste ano a 182,5 milhões de l. A Índia, que enfrenta uma forte queda na produção de cana, comprou 66 milhões de etanol brasileiro durante todo o ano de 2008.



Os embarques para o Japão totalizaram 128,1 milhões de l entre janeiro e junho, alta de 70 milhões de l em relação ao mesmo período do ano passado.



Por outro lado, as exportações diretas para o mercado dos EUA despenceram de 498 milhões de l no primeiro semestre do ano passado para 72,6 milhões de l.



"A queda nas exportações diretas para o mercado dos EUA tem totalmente a ver com preço. A oferta está elevada lá e os preços estão baixos", disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.



As exportações totais do Brasil desde o início da safra 2009/10, em abril, até junho somaram 985 milhões de l, contra 1,1 bilhão de l no mesmo período do ano passado.



Na primeira metade do ano, as exportações totalizaram 1,45 bilhão de l, contra 1,97 bilhão no mesmo período de 2008.



Enquanto a maior parte do etanol embarcado para os EUA é para mistura com gasolina, as exportações para a Ásia são de álcool industrial, para uso em bebidas e produtos farmacêuticos.



O aumento na demanda da Índia tem relação com uma escassez de melaço no mercado local, após a queda na produção de cana. Isso deu ao Brasil uma chance de elevar sua fatia de mercado em países asiáticos que tinham a Índia como fornecedor nos últimos anos, disse Pádua.



As exportações de etanol para o Caribe, onde o produto hidratado é reprocessado e embarcado para os EUA, ficou no mesmo patamar do ano passado.



As vendas para a região, totalizaram 366 milhões de l entre abril e junho, contra 394 milhões no ano passado. De acordo com um pacto comercial, o Caribbean Basin Initiative, a região está isenta de uma tarifa de importação cobrada pelos EUA.



A Unica prevê uma queda de 20% nas vendas externas de etanol do Brasil, para 3,6 bilhões de l nesta safra, devido principalmente à redução nas exportações aos EUA.



Pádua afirmou ainda que o tempo mais úmido que o normal nos próximos meses na região centro-sul, que produz 88% da cana do país, pode levar a uma redução na previsão de produção de açúcar e etanol para a temporada.



"As chuvas vão prejudicar a moagem, mas o efeito mais importante será na maturação da cana (concentração de sacarose na cana)", disse Pádua.



O inverno no centro-sul é normalmente seco, permitindo que a sacarose fique mais concentrada na cana e possibilitando que as colheitadeiras trabalhem bem nos campos.



"Se as chuvas chegarem cedo neste ano (como previsto), as empresas não vão ter alternativa: a safra morre, e aquilo que se esperava (em termos de produção) não deve acontecer", disse.



A Unica estima que a moagem de cana atingirá o recorde de 550 milhões de t no centro-sul nesta temporada, contra 505 milhões em 2008/09.



A produção de açúcar está estimada em 31,2 milhões de t, alta de 17% ante 2008/09; e a de etanol, em 26,3 bilhões, alta de cerca de 5%.

 

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