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Brasil e UE acertam acordo para pesquisa em fusão nuclear

A Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) e o governo brasileiro acertaram nesta sexta-feira (5) os termos de um acordo na área de pesquisa em fusão nuclear que deverá ser assinado na próxima cúpula Brasil-União Europeia, em outubro, em Estocolmo.

Agência Lusa
08/06/2009 09:50
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A Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) e o governo brasileiro acertaram nesta sexta-feira (5) os termos de um acordo na área de pesquisa em fusão nuclear que deverá ser assinado na próxima cúpula Brasil-União Europeia, em outubro, em Estocolmo.

 

"O Brasil interessa-nos, porque é um sócio muito importante dos pontos de vista técnico, tecnológico, científico e político", afirmou no sábado (6) o diretor da Euratom, Octavio Quintana, durante uma conferência de imprensa em Brasília.

 

O objetivo das pesquisas em fusão nuclear é encontrar uma forma mais rápida e eficaz para resolver a escassez energética no mundo e substituir os combustíveis fósseis.

 

"É como se uma banheira de água e uma pilha de lítio produzissem energia suficiente para uma família de quatro pessoas durante 30 anos", citou Quintana, destacando a importância da geração de energia limpa.

 

No lugar da divisão do átomo, assim como fazem as atuais centrais nucleares, que utilizam o processo da fissão nuclear, as pesquisas em fusão nuclear visam reproduzir as reações do sol, fundindo os núcleos atômicos.

 

"O acordo com a Euratom é um passo importante nas negociações para a entrada do Brasil no Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER)", um projeto para gerar energia limpa e barata, destacou o diretor do Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos do ministério brasileiro das Relações Exteriores, Hadil da Rocha Vianna.

 

Participam no projeto ITER, além da União Europeia, os Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Índia, Japão e Rússia.

 

Segundo Vianna, o acordo de cooperação entre o Brasil e a Euratom foi negociado durante sete meses e engloba troca de informações científicas e técnicas, intercâmbio de cientistas e engenheiros, organização de seminários e realização de estudos e projetos.

 

O Brasil já possui duas pequenas máquinas de fusão nuclear - uma na Universidade de São Paulo e outra no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, Estado de São Paulo.

 

Mas para que possa ingressar o projeto ITER, que visa construir um grande reator de fusão nuclear em Cadarache, no Sul de França, é necessário que o país construa antes um laboratório nacional em fusão nuclear, admitiu o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Odair Dias Gonçalves.

 

Este laboratório, orçado em R$ 10 milhões será criado ainda este ano em Cachoeira Paulista, a cerca de 200 quilômetros de São Paulo, devendo entrar em funcionamento dentro de um ano e meio.

 

Gonçalves salientou que o Brasil é um dos poucos países do mundo que não vivem hoje uma crise de energia mas constata-se que o país precisará de ter uma matriz energética mais diversificada a partir de 2040.

 

"O próximo passo, portanto, é mais investimentos na matriz nuclear brasileira", defendeu Odair Gonçalves.

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