Meio ambiente

Brasil cai no ranking de energia limpa

Folha de Pernambuco, 16/06/2017
16/06/2017 12:17
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Apesar do grande potencial de geração de energia limpa, o Brasil caiu cinco posições na pesquisa da WWF que avalia o uso e a criação de tecnologias sustentáveis no mundo, o CleanTech Innovation Index. O País foi ultrapassado por Espanha, Itália, Portugal, República Tcheca e Índia nos últimos três anos, ficando apenas na 30ª posição do relatório, que avaliou 40 países em 2017. E esta queda, segundo a WWF, reflete a redução dos investimentos no setor.

"É verdade que, por ser abastecido por hidrelétricas, o Brasil sai na frente de quem usa fontes fósseis para a geração de energia. Porém, esse estudo mostra que vários países estão dedicando esforços no desenvolvimento de tecnologias limpas e a gente parece ter parado nesse processo", explicou o analista de conservação do WWF-Brasil%B, Ricardo Fujii, lembrando que são consideradas energias limpas a solar, a eólica e a biomassa. Ele contou também que os países que mais se destacam neste nicho de negócios são Dinamarca, Finlândia e Suécia.

O analista acredita, porém, que a queda brasileira reflete a conjuntura econômica. "Perdemos competitividade para atrair tecnologias limpas porque nossa economia está em recessão e essa crise faz com que o investidor pise no freio até no desenvolvimento de tecnologias que podem propagar a chamada economia de baixo carbono", completou Fujii, lembrando que o Brasil ainda sofre com barreiras burocráticas para colocar em prática novas ideias.

"É um País com muitas iniciativas em estágio inicial, mas que não cria condições para que as empresas transformem essas ideias em tecnologias", revela Fujii, dizendo que esse incentivo poderia fomentar a economia local, gerando negócios sustentáveis.

Como exemplo disso, Fujii citou o etanol. "Além de contribuir para a redução das emissões dos gases de efeito estufa, o etanol gera empregos. É uma oportunidade de gerar riqueza sem aumentar o impacto sobre o meio ambiente", disse o analista, dizendo que o etanol já responde por 25% dos combustíveis consumidos por veículos leves no Brasil, mas ainda tem potencial para crescer.

Presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha explicou que a produção deste combustível limpo não tem apresentado grandes crescimentos devido a problemas burocráticos. "As regras para o etanol são imprevisíveis e o empreendedor deixa de investir quando não vê regras claras no horizonte", explicou Cunha, lembrando que, para resolver esse problema, o setor sucroalcooleiro trabalha junto com o Governo Federal na criação do Renova Bio.

"O programa vai criar regras que estabilizem o setor para que o Brasil cresça nos biocombustíveis e faça face aos compromissos assumidos na Conferência de Paris", explicou Cunha.

 

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