Petroquímica

BNDES pode ser sócio na refinaria do Rio

Valor Econômico
22/08/2006 00:00
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem pressa na construção da unidade petroquímica básica e está disposto a abrir os cofres para viabilizar o empreendimento. O complexo petroquímico vai operar a partir de uma refinaria de óleos pesados que a Petrobras, o grupo Ultra e o próprio banco vão construir em Itaboraí (região metropolitana do Rio). O banco admite bancar, como capital e financiamento ou só como financiamento, 50% do investimento total de US$ 6,5 bilhões, o que representa US$ 3,25 bilhões.

O número representaria um desembolso inédito na história do banco para um só empreendimento. Segundo o Valor apurou, nas discussões do grupo de trabalho entre as três partes envolvidas, a hipótese mais aventada é de uma participação acionária equivalente a 25% do projeto, entrando os outros 25% na forma de empréstimo. Mas o banco não tem nenhum impedimento para elevar sua participação direta até o limite de um terço do capital, visto como teto, embora não seja um limite legal.

Os responsáveis pela área petroquímica do banco admitem a prioridade do projeto, mas preferem não falar em números. "A gente quer que ele se resolva o mais rápido possível, dada a sua importância para o país. Mas ainda não podemos falar em números porque eles estão em fase de negociação, principalmente a participação acionária", disse Cynthia Moreira, chefe do Departamento de Indústria Química do banco.

Segundo ela, "há muito tempo que a petroquímica brasileira não tem uma expansão de grande porte" e, além disso, o complexo tem características que o tornam estratégico para o crescimento industrial como um todo.

Gabriel Gomes, gerente do mesmo departamento do banco, enumera as virtudes: inovador, na medida que trás uma tecnologia inédita para produzir eteno direto do petróleo; tecnologia própria, desenvolvida pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes); resolve o problema da grande distância entre a região Sudeste e os dois pólos petroquímicos do país (Bahia e Rio Grande do Sul); e abre uma alternativa para a Petrobras reduzir as exportações de óleo pesado a preço mais barato que o óleo leve importado para completar o mix de refino das unidades atuais.

Os técnicos do BNDES entendem que se o Brasil mantiver nos próximos anos um ritmo de crescimento na faixa dos 4% ao ano, número visto como razoável por analistas de todas as tendências, daqui a dois anos o país terá que aumentar substancialmente suas importações de termoplásticos para acompanhar o aumento do consumo. "A petroquímica precisa crescer para que o Brasil possa continuar crescendo", ressalta Gomes.

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro está projetado para englobar uma refinaria com capacidade para processar 150 mil barris por dia de óleo pesado da bacia de Campos (RJ), devendo gerar 1,3 milhão de toneladas/ano de eteno, além de outros produtos da primeira e da segunda geração petroquímicas. Somada a terceira geração, a transformação de resinas em peças e artefatos de plástico, estima-se que o investimento total chegue a US$ 10 bilhões, no maior projeto industrial em gestação no país.

A fase atual é de conclusão do projeto conceitual que, segundo os técnicos do BNDES, ficará pronto até o começo de setembro. Ele vai definir tecnologia e os equipamentos necessários. A idéia é que o projeto básico, a segunda fase, fique pronto até o começo de 2007 para que o empreendimento possa de fato começar a ser construído. A equipe do BNDES mantém 2012 como prazo para entrada em operação do complexo, mas admite que pode ficar para 2013.

O Ultra já chegou a prever a inauguração para 2014. Logo depois, começaram a circular rumores, desmentidos, de que o grupo paulista estaria deixando o projeto. As divergências existentes entre os sócios operacionais são quanto ao nível de integração do complexo. Enquanto a Petrobras quer a integração total da primeira e da segunda geração, o Ultra prefere uma integração menor, de modo a fracionar os investimentos em várias partes.

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