Energia Eólica

Bionergy aporta garantias financeiras e participa com 153 MW eólicos no leilão A-3

Pela primeira vez na história do setor energético brasileiro usinas eólicas participarão efetivamente dos leilões de energia organizados pelo governo. Em meio a um grupo de 60 usinas termelétricas, que utilizam derivados de petróleo como combustível, se destacam quatro empreendimentos eólic

Assessoria
12/09/2008 15:23
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Pela primeira vez na história do setor energético brasileiro usinas eólicas participarão efetivamente dos leilões de energia organizados pelo governo. Em meio a um grupo de 60 usinas termelétricas, que utilizam derivados de petróleo como combustível, se destacam quatro empreendimentos eólicos com 203 MW de capacidade instalada, que vão ofertar eletricidade no próximo leilão de energia nova A-3, marcado para o próximo dia 17 de setembro.

 

A Bioenergy, empresa nacional de geração por meio de fontes alternativas, é a responsável por três dos quatro empreendimentos eólicos do pregão - Portos dos Ventos I e II e Rei dos Ventos I -, com 153 MW de capacidade instalada total. São projetos que vão demandar investimentos de aproximadamente R$ 600 milhões em áreas do Rio Grande do Norte.

 

A participação efetiva da Bioenergy no leilão de energia nova é um marco no setor e reforça a seriedade do empreendedor em oferecer energia limpa e renovável na composição da matriz energética nacional. Inicialmente, foram habilitados pela EPE 2,5 mil MW de eólicas para o leilão, restando apenas os 203 MW que estarão disponíveis para contratação no próximo dia 17.

 

”Nossa intenção é mostrar ao governo que os empreendedores eólicos estão presentes e efetivamente interessados em ter sua energia contratada”, adianta Sergio Marques, presidente da Bioenergy.

 

Marques aposta em um ciclo virtuoso para a energia eólica no Brasil, apesar do cenário tomado por usinas térmicas movidas a derivados de petróleo inscritas no leilão A-3, que sequer possui uma única hidrelétrica concorrendo. Ele alerta para o aumento do preço da energia no futuro, já que a geração térmica movida a óleo combustível corresponde ao triplo do valor da eólica.

 

O preço irreal das térmicas

 

A energia térmica normalmente é contratada nos leilões do governo a um preço médio de R$ 145 MWh, que considera o custo de operação efetivo e o custo em que as térmicas ficam apenas em stand by para atender a uma eventual demanda. O custo do período de stand by reduz, teoricamente, o valor da energia térmica.  Na contratação, parte-se da premissa de que ela é utilizada em período equivalente a 15% do ano.

 


Contudo, na prática, as térmicas têm sido usadas por período muito maior, por causa do baixo regime hidrológico, conforme foi registrado, por exemplo, em 2008. Isto eleva consideravelmente o custo total de operação, que chega a atingir o equivalente a R$ 700 MWh – valor três vezes maior do que o da energia eólica.

 

“O preço médio de contratação das termelétricas nos leilões é irreal. Na realidade, ele é muito superior ao da eólica, pelo fato de que centrais térmicas têm operado por um período bem superior ao previsto na composição da tarifa média, o que eleva o preço final da eletricidade aos consumidores”, explica Marques.

 

A prova desta irrealidade, segundo ele, é que, somente no ano passado - o maior período de operação das térmicas a óleo combustível - houve uma diferença de aproximadamente R$ 1,5 bilhão entre o valor previsto pelo governo, com base nos termos do leilão, e o efetivamente gasto. Para cobrir essa diferença, o valor foi rateado na conta dos consumidores e contabilizado como Encargos de Serviços do Sistema (ESS).

 

Sérgio Marques reforça sua aposta na evolução do ambiente de contratação de energia eólica no Brasil e na implementação de um círculo virtuoso de energia sustentável, incluindo a realização de leilões exclusivos de eólica em 2009. “A eólica não precisa de incentivos. É necessário apenas o governo deixar de incentivar as térmicas a óleo combustível e prover isonomia entre as fontes”, conclui.

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