Mercado

Barril sobe mais 2% em Londres e em Nova York

Subida de preços é sustentada pela crescente percepção de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) irá ratificar seu plano de redução da oferta.

Jornal do Commercio
31/03/2004 00:00
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Os contratos futuros de petróleo subiram mais de 2% em Londres, na International Petroleum Exchange (IPE), e Nova York, na New York Mercantile Exchange (Nymex), sustentado pela crescente percepção de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) irá ratificar seu plano de redução da oferta.
Embora os comentários de um número cada vez maior de representantes de membros da Opep em Viena sinalizem a disposição do cartel de seguir adiante com o plano de cortar a produção em 1 milhão de barris/dia em abril, analistas observaram que o baixo volume negociado exacerbou a alta dos preços.
Na Nymex, os contratos de petróleo para maio fecharam em US$ 36,25 o barril, em alta de US$ 0,80 (+2,26%); a mínima foi de US$ 35,85 e a máxima de US$ 36,45. Na IPE, os contratos de petróleo Brent para maio fecharam em US$ 32,45 o barril, em alta de US$ 0,71 (+2,24%); a mínima foi de US$ 31,75 e a máxima de US$ 32,70.
Declarações de ministros da Arábia Saudita, Argélia, Venezuela e Líbia parecem indicar que o grupo tende em direção ao corte na produção na reunião de hoje, o que levou os traders a comprarem contratos adicionais de petróleo e gerou a alta dos preços ao longo do dia. O ministro de petróleo da Arábia Saudita, Ali Naimi, fez um terrível alerta de que o crescimento dos estoque comerciais dos EUA para 310 milhões de barris resultará em "preços muito baixos". Em fevereiro, a Opep anunciou seu plano de reduzir sua produção a 23,5 milhões de barris/dia a partir de 1º de abril.
As declarações do representante da Arábia Saudita, que é o maior produtor dentro do cartel, resume o grande vigor do mercado ontem, disse Michael Cambria, vice-presidente da Master Trading Inc., em Nova York. "Sempre que você tem comentários dos sauditas, eles irão ter uma grande influência real aqui", disse Cambria. Contudo, os traders mantêm uma desconfiança em relação às declarações usuais da Opep, desde que o grupo anunciou um corte de 900 mil barris/dia em novembro, que nunca foi implementado, e passou a gerar um excesso de mais de 1 milhão de barris/dia. "Dizerem que vão cortar e cortar são duas coisas diferentes", disse Michael Guido, diretor de estratégia de commoditiy da Societe Generale em Nova York.

Organização decide hoje sobre corte de produção

Afetados pela tensão internacional, os mercados do petróleo esperam com nervosismo a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) hoje, em Viena, sobre o forte corte da produção previsto para entrar em vigor no dia seguinte. Aparentemente, a maioria dos membros apóia a redução das cotas, apesar de alguns ministros importantes terem pedido seu adiamento.
A cotação média do barril até o momento é de US$ 35, muito acima da margem estabelecida pela Opep em 2000, de entre US$ 22 e US$ 28. Segundo os analistas, a redução de um milhão de barris diários (mbd), decidida em fevereiro em Argel e que deve entrar em vigor no dia primeiro de abril, fará o preço continuar subindo, em especial em um contexto de aumento da violência no Oriente Médio.
Alguns países, entre eles os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait declararam apoiar um adiamento do corte da produção decidido pelo cartel.
Mas dois países-chaves da Opep - Arábia Saudita, principal produtor e exportador de petróleo do mundo, e Venezuela, o quinto exportador mundial - declararam ontem que apóiam a redução para defender os preços. "Colocar mais petróleo no mercado seria destrutivo para todo o mundo", afirmou em Viena o poderoso ministro saudita, Ali Naimi, que reiterou que a redução busca impedir "um colapso" dos preços.

EUA pressionam Opep

Vinte e cinco senadores do Partido Democrata enviaram ontem uma carta ao presidente americano, George W. Bush, pedindo que ele pressione a Opep a aumentar a produção de petróleo, de modo a fazer caírem os preços da gasolina nos Estados Unidos.
A Opep se reúne hoje em Viena para resolver se mantém a decisão de reduzir a produção em 1 milhão de barris por dia. Vários ministros de petróleo dos países-membros do cartel já deram a entender que pretendem implementar a redução.
Na carta a Bush, os senadores dizem "que é inaceitável que os caprichos dos ministros da Opep continuem a exercer influência imprópria" nos EUA. "Nós simplesmente não podemos permitir que nossa economia, e a economia mundial, sejam colocadas em risco por um cartel de petróleo estrangeiro. Nós o exortamos a pressionar agressivamente a Opep para que ela abandone os cortes planejados na produção e aumente a oferta global de petróleo", prossegue o documento.

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