Economia

Atraso na instalação da coqueria teria levado à revisão do contrato com a Citic

Valor Econômico
12/04/2010 10:16
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O grupo alemão ThyssenKrupp reviu, no fim de 2009, o contrato com a chinesa Citic, responsável pela instalação da coqueria do complexo siderúrgico de Santa Cruz, no Rio. A gestão da obra foi repassada à brasileira UTC, depois de sucessivos atrasos no cronograma de instalação das três baterias de coque. Haveria também problemas de qualidade na obra, o que teria desagradado ainda mais os alemães. A ThyssenKruppCSA (TKCSA) não quis se manifestar sobre a mudança, sob o argumento de que "o contrato com a Citic tem cláusula de confidencialidade".

 

Embora a informação sobre a alteração na condução da obra da coqueria tenha sido confirmada por várias fontes ligadas aos setores siderúrgico e da indústria de máquinas e equipamentos, a UTC preferiu não se pronunciar. No site da UTC consta apenas contrato para construção de dois alto-fornos da usina da TKCSA e obras adjacentes, com previsão de entrega para fevereiro deste ano.
 

 

O contrato original com a Citic para construir a coqueria no projeto do complexo siderúrgico no Brasil foi assinado em novembro de 2006 e continha cláusula de sigilo por envolver segredos tecnológicos. O documento tinha a originalidade de prever não apenas a importação de equipamentos, mas também de mão de obra para trabalhar na instalação das três baterias de coque da usina. O plano inicial era trazer 2 mil chineses para morar e trabalhar em Santa Cruz. Após negociações com autoridades brasileiras, o número foi reduzido para 600, a maioria engenheiros, que começaram a chegar ao país no fim de 2006.

 

A contratação da Citic foi cercada de grande polêmica com a indústria nacional de bens de capital. O principal argumento dos alemães para contratar a multinacional chinesa foi o domínio da tecnologia do coque e o preço competitivo, uma vez que os chineses produziam equipamentos de alto-forno e coquerias em larga escala que, praticamente, dispunham deles em prateleiras para pronta entrega. O contrato comportava um dos maiores pacotes de compra de equipamentos para montagem da usina no Rio, no valor de US$ 425 milhões à época. O cronograma inicial previa a conclusão da coqueria em novembro de 2008.

 

As obras apresentaram atrasos e, em meados do ano passado, começaram a surgir rumores de problemas de qualidade. As fundações e o assentamento da estrutura teriam sido mal feitos, propiciando o surgimento de rachaduras nas paredes dos fornos, revestidas de tijolos refratários chineses. Teriam sido usados também materiais reutilizados na montagem das estruturas metálicas. Os chineses argumentaram que os atrasos decorreram da insuficiência de mão de obra própria para a execução dos trabalhos.

 

Na semana passada, um especialista da indústria do aço chegou a dizer que "o barato saiu caro", referindo-se à competitividade inicial do equipamento chinês. Informações obtidas pelo Valor apontam que ainda em maio de 2009 os dirigentes da TKCSA manifestavam preocupação com a obra e pediram a especialistas que fizessem um estudo para replanificá-la.

 

A solução para os desafios que vinham sendo enfrentados foi a contratação da UTC para dar suporte aos chineses, que hoje são apenas 200 na coqueria. No momento, a bateria A está em fase final de conclusão, devendo entrar em operação no fim de junho. Nesse mês o complexo siderúrgico deverá entrar pôr em operação sua primeira fase, com funcionamento de um dos dois altos-fornos.

 

Parte do atraso para a entrada em operação da TKCSA, maior investimento do grupo alemão no mundo, de € 5,3 bilhões, deveu-se também à crise econômica que reduziu fortemente a demanda internacional por aço. As dificuldades enfrentadas pelo grupo ThyssenKrupp durante a crise levaram a Vale, sua parceira nacional, a ampliar sua participação na CSA de 10% para 26,87%, por conta de uma injeção de € 965 milhões. Segundo fontes no setor, o investimento é considerado um dos mais caros do mundo: quase US$ 1,6 mil por tonelada instalada. Está prevista a produção de 5 milhões de toneladas de placas por ano.

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