Negócios

Assessor de segurança de Obama faz pressão contra Petrobras no Irã

Valor Econômico
11/08/2009 03:16
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À semelhança de seu antecessor, George W. Bush, o governo do presidente Barack Obama advertiu as autoridades brasileiras que os Estados Unidos desaprovam os negócios da Petrobras no Irã. O aviso foi feito pelo general James Jones, assessor de segurança nacional da Casa Branca, numa reunião que ele teve na semana passada com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Jones disse abertamente que “desestimulava” a atuação da estatal brasileira no Irã. O general também provocou certo constrangimento ao afirmar, em meio a uma explanação de Gabrielli sobre as atividades da Petrobras na Nigéria, que o país não tinha “grande futuro” e se tornará um ambiente “perfeito” para terroristas, em dez anos.

 


Detalhe: no dia 29 de julho, menos de uma semana antes dos comentários reservados do general americano, o presidente da Nigéria, Umaru Yar’Adua, esteve no Brasil em visita de Estado, almoçou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assinou novos acordos na área de energia.

 

No Ministério de Minas e Energia, menos afeito à linguagem diplomática e onde a atuação internacional da Petrobras é vista mais como negócio do que como instrumento de política externa, a postura de Jones causou incômodo. Também foi lida, fora do Itamaraty, como ameaça velada de que a manutenção dos investimentos da estatal no Irã poderá criar complicações para os negócios da subsidiária americana da Petrobras, que explora áreas no Golfo do México.

 

No encontro com Lobão e Gabrielli, acompanhado por assessores de ambos os lados, Jones ouviu do presidente da Petrobras que ele conhecia as preocupações americanas com o Irã, mas que a empresa tem a intenção de manter suas atividades no país, sem ampliá-las por enquanto, mas sem fechar nenhuma porta.

 

Para contemporizar, Gabrielli mencionou que os próprios iranianos não entendiam bem o papel da Petrobras, que não se move por interesses políticos, mas por oportunidades comerciais. O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad deverá fazer ao Brasil sua primeira viagem internacional depois de vencer as controversas eleições. Apesar dos acenos conciliadores de Obama, Ahmadinejad acusou-o de “interferência”.

 

Pouco depois, ao continuar falando sobre os negócios da Petrobras, Gabrielli citou a “atividade crescente” da estatal na Nigéria, onde está presente desde 1999. Em junho, a produção média da empresa brasileira no país africano foi de 44 mil barris por dia – a segunda maior fora do Brasil, só atrás da Argentina. Apesar de todas as dificuldades internas, Gabrielli demonstrou aos americanos otimismo com a expansão no país.

 

Jones, então teria dito que não vê “grande futuro” na Nigéria. No relato detalhado de um dos presentes, assinalou: “Em um período de dez anos, será um Estado falido.” De acordo com esse relato, o general disse temer que a deterioração das condições políticas e sociais na Nigéria seja tão forte que a transforme no “ambiente perfeito para recrutar terroristas”. Os brasileiros permaneceram em silêncio até o fim do comentário e seguiram adiante na apresentação, sem rebatê-lo.

 

Em 2007, o embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Clifford Sobel, já havia conversado com Gabrielli sobre o Irã. Na época, comentou-se que os investimentos estrangeiros no país preocupariam os americanos por duas razões – além de minarem os esforços do próprio governo dos Estados Unidos e da comunidade internacional para isolar o Irã e conter suas atividades nucleares, a atividade da Petrobras incomodaria as empresas americanas, proibidas de fazer negócios no Irã.

 

Em parceria com a espanhola Repsol, a Petrobras assinou em 2004 um contrato com o governo do Irã para fazer pesquisas em um bloco chamado Tusan, no Golfo Pérsico. No mês passado, informou que declararia a inviabilidade comercial do bloco, onde investiu US$ 100 milhões.

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