<P>Armadores que atuam no Porto de Santos já começam a desviar seus navios para outros portos em razão da falta de profundidade do canal de navegação do complexo. A informação é do presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Eduard...
A Tribuna (Santos)Armadores que atuam no Porto de Santos já começam a desviar seus navios para outros portos em razão da falta de profundidade do canal de navegação do complexo. A informação é do presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Eduardo Lopes, que denuncia falhas na execução do serviço de dragagem no cais santista.
Conforme o executivo do Sindamar, a profundidade do canal foi assoreada em, pelo menos, 30 centímetros nos últimos dois meses. Tal situação impede a recepção de grandes navios no complexo e, consequentemente, a utilização da capacidade total de embarque daqueles que conseguem operar. O problema eleva o custo das operações e compromete a competitividade das cargas escoadas pelo porto no exterior.
Lopes não soube precisar os prejuízos que a prática tem causado aos armadores, mas argumentou que os custos maiores recaem sobre a credibilidade do Porto de Santos que, mais uma vez, está sendo marginalizado perante o comércio internacional. Sobre os prejuízos, a gente já aprendeu a lidar. O problema é que estamos nos tornando motivo de piada para os nossos clientes.
A constatação de Lopes pode ser entendida, por exemplo, devido à ausência de informações que a categoria obtém para repassar aos proprietários de navios. Eles ficaram sabendo que três empresas (Bandeirantes, Dragaport e Enterpa) fazem a dragagem do porto, mas eles não conseguem entender, como ninguém consegue, como um porto dragado por tantas empresas draga, draga, draga e, mesmo assim, tem profundidade inferior àquela do início do serviço, lamentou.
O Sindamar comunicou à Codesp, através de carta, as dificuldades operacionais, mas segundo Lopes, não houve resposta.
Na avaliação do Sindamar, a Codesp - Autoridade Portuária de Santos - Deveria exigir que as firmas contratadas para o serviço disponibilizassem mais dragas para recuperar a profundidade o mais rápido possível. Os armadores e exportadores assumiram o compromisso de utilizar o Porto de Santos porque a dragagem seria feita e não haveria problema de calado. Isso não ocorreu, então eles já começaram a cortar cargas e mandar os navios para outros portos, alertou o presidente da entidade, sobre a possibilidade de os desvios continuarem se medidas emergenciais não forem tomadas.
Lopes criticou, ainda, a interrupção dos trabalhos da draga Boa Vista, da Dragaport, destacada pela empresa para realizar o aprofundamento do canal de acesso ao estaleiro Brasfels, no Rio de Janeiro. Enquanto a Codesp permite que as dragas saiam daqui para operar em outros lados, o calado do porto parte de 12,8 metros para 12,5 metros. Hoje, a profundidade diminuiu de 42 pés para 41 pés. Logo, vai passar a ser menor ainda.
A Praticagem de Santos informou que o calado máximo dos navios praticado atualmente no porto é de 12,5 metros, sendo o trecho entre a Fortaleza da Barra Grande, em Guarujá, e a bóia 1, o mais difícil de navegação.
Atraso
A Codesp afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a redução da profundidade de fato ocorreu. A empresa disse, porém, que o gargalo é decorrente da limitação da retirada de 300 mil metros cúbicos por mês, imposta pela Cetesb, a agência ambiental do Estado.
Para a estatal, o limite ao volume de material dragado impede que as dragas permaneçam operando no complexo durante todo o mês, simultaneamente e sistematicamente. E argumentou, também, que a situação faz com que a Autoridade Portuária libere estas embarcações eventualmente para outros serviços, sob pena de a administradora do porto ter que pagar pela ociosidade dos equipamentos no complexo.
A assessoria admitiu que o serviço no canal está atrasado em uma semana, justamente porque a referida draga se encontra em manutenção no Rio de Janeiro, devendo retornar a Santos neste final de semana, para recomeçar os trabalhos em seguida.
Fonte: A Tribuna (Santos)
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