Internacional

Argentina espera fechar negócios no setor energético com a China

Valor Econômico
08/11/2004 00:00
Visualizações: 847

A Argentina vive a expectativa do anúncio, nos próximos dias, de um pacote de investimentos provenientes da China que vem sendo tratado por funcionários do governo e pela imprensa local como o acontecimento mais importante da gestão do presidente Néstor Kirchner, iniciada em maio do ano passado. Especula-se que o valor chegaria a US$ 20 bilhões.
As notícias sobre o chamado "megaanúncio" começaram a surgir há cerca de duas semanas nos jornais, mas sem nenhum detalhe, apenas com a avaliação de fontes oficiais de que, se o misterioso plano der certo, a governabilidade do país estará assegurada pelos próximos quatro anos.
Ontem, os principais jornais argentinos publicaram simultaneamente detalhes do plano, que incluiria investimentos chineses em áreas como transporte rodoviário e ferroviário, exploração de petróleo, turismo e telecomunicações.
O montante total estaria sendo negociado. O jornal "Página 12" disse que o governo não tem ainda a garantia de que serão US$ 20 bilhões, e estaria tentando baixar um pouco as expectativas para não decepcionar a opinião pública se o valor acabar sendo menor. Além disso, até agora não foi divulgado o prazo previsto para a entrada dos recursos.
Também estaria sobre a mesa a possibilidade de Pequim conceder um empréstimo para que a Argentina cancele dívida com o FMI. Segundo a imprensa local, os detalhes devem ser conhecidos durante a visita do presidente chinês, Hu Jintao, que desembarca em Buenos Aires no próximo dia 16 como parte de uma viagem pela América Latina.
O anúncio tem grande importância para o governo porque seria o primeiro grande investimento realizado na Argentina desde a posse de Kirchner. Mais do que isso, chegaria em um momento em que o país ainda não saiu do default, declarado em dezembro de 2001. Desde o agravamento da crise que culminou no calote, a Argentina foi praticamente descartado por grandes empresas e governos estrangeiros como meta de investimentos.
Com base em declarações atribuídas a uma das quatro pessoas do governo que conheceriam o conteúdo do anúncio (o próprio Kirchner, sua mulher -a senadora Cristina Fernández-, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, e o chefe de Gabinete, Alberto Fernández), os jornais argentinos afirmaram que o presidente atribui tanta importância ao plano que chegou a dizer que, se tudo der certo, vai ser tão querido pela população como Carlos Gardel, e que passariam a pendurar seu retrato acima do de José de San Martín, herói da independência argentina.
Kirchner teria deixado de ir à cúpula do Grupo do Rio, no final da semana passada no Brasil, para trabalhar nos detalhes finais do acordo. O chanceler argentino, Rafael Bielsa, que representou Kirchner na reunião, afirmou anteontem em entrevista a uma rádio que serão anunciados nos próximos dias investimentos chineses no país, mas não quis confirmar que se trata do "megaanúncio".
Analistas alertam, entretanto, que é necessário ter cautela em relação aos possíveis benefícios de uma aliança com os chineses. "Por causa da sucessão de fracassos econômicos, na Argentina sempre tiveram boa receptividade as operações mediáticas para apoiar ações e planos que prometiam felicidade da noite para o dia", escreveu no jornal portenho "La Nación" o colunista Néstor Scibona.
Segundo a imprensa local, a contrapartida exigida pelos chineses para a realização dos investimentos ainda não está clara, embora seja evidente que a motivação principal do país asiático é garantir o suprimento de matérias-primas para seu gigantesco mercado e diversificar fornecedores.
De acordo com as informações publicadas ontem, uma das possibilidades do acordo é a exploração de petróleo em águas profundas em associação com a recém-criada estatal argentina de energia Enarsa. Os chineses também investiriam na extração de minério de ferro e financiariam obras de infra-estrutura, com ênfase na modernização da rede ferroviária. O agente financeiro para levar a cabo os diversos projetos do plano seria o banco português Espírito Santo.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Internacional
5º Congresso da Federação dos Advogados de Língua Portug...
05/11/26
Firjan
Parceria público-privada é apontada como vital para indú...
05/11/26
Drilling
Norbe VIII, da Foresea, está pronta para atuar em águas ...
05/11/26
Tubulações
Reparo a frio com material compósito recupera tubulações...
05/11/26
Resultado
Vibra mantém ritmo de crescimento no 3T26 e avança na ex...
05/11/26
Lançamento Editorial
Livro analisa os impactos da Reforma Tributária na indús...
05/11/26
Pessoas
John Crane nomeia Jesper Østerlund como vice-presidente ...
04/11/26
Santa Catarina
Workshop sobre competitividade no mercado de gás natural
04/11/26
Tributação
ANP e executivos do mercado debatem temas urgentes em se...
04/11/26
Refinarias
Consórcio TEM Boaventura realiza içamento do primeiro r...
04/11/26
Etanol
ORPLANA leva visão do setor canavieiro ao Agro World Fórum
04/11/26
Firjan
Maior disponibilidade de gás natural fortalece cadeia pe...
03/11/26
Estudo
Firjan lança estudo Petroquímica e Fertilizantes no Rio ...
03/11/26
Resultado
Com 6,120 milhões de boe/d, produção de petróleo e gás n...
03/11/26
Pré-Sal
Com 180 mil barris por dia, P-78 (Búzios 6) atinge topo ...
03/11/26
Combustíveis
ANP enviará ao Cade processos contra distribuidoras por ...
03/11/26
Etanol
Etanol encerra a semana em alta, com valorização do hidr...
03/11/26
Leilão
Neoenergia arremata lotes 1 e 7 em Leilão de Transmissão...
30/10/26
SOG 2027
Sergipe Oil & Gas 2027 apresenta nova estrutura e amplia...
30/10/26
Margem Equatorial
Mais uma descoberta de petróleo em águas ultra profundas...
30/10/26
PPSA
Petrochina, CNOOC e Petrobras e vencem 10º Leilão Spot d...
30/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.