Internacional

Aporte de 1 bilhão de euros em etanol na França

Valor Econômico
06/04/2006 00:00
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Empresas francesas de açúcar já começaram a investir 1 bilhão de euros para produzir etanol. Segundo levantamento do sindicato de produtores de álcool agrícola daquele país (SNPAA), os aportes prevêem a construção de seis usinas com capacidade total para cerca de 1,1 bilhão de litros do combustível - quase o mesmo volume que o Brasil pede como cota - para exportar sem tarifas - nas negociações entre União Européia e Mercosul.

Atualmente, a produção européia de etanol chega a 2,5 bilhões de litros por safra. Mas está em curso uma verdadeira revolução envolvendo o combustível no velho continente, paralelamente a pressões para a que Comissão Européia limite a entrada do etanol brasileiro no mercado comunitário.

"Precisamos examinar a possibilidade de sobretaxar combustíveis baratos como o bioetanol do Brasil, a exemplo do que fizeram os Estados Unidos", afirma Neil Parish, deputado conservador britânico e autor de um recente relatório do Parlamento Europeu sobre a promoção do biocombustível.

Até agora, porém, a Comissão Européia tem resistido, insistindo que a construção do mercado de etanol europeu deve ter como base produção local e importações.

Na França, a nova capacidade industrial de 1,1 bilhão de litros por safra deverá estar disponível em 2009, segundo os projetos.

Somente o grupo açucareiro francês Tereos, segundo maior na União Européia - e controlador da Açúcar Guarani no Brasil -, está construindo duas usinas com capacidade de produção de 305 milhões de litros. Cristal Union, Roquete, Soufflet e ABB são as outras empresas que estão investindo no ramo na França.

Na Alemanha, outras três usinas estão em construção, em um investimento total calculado em 600 milhões de euros. O governo alemão estimula o mercado por meio de isenção fiscal ou apoio à criação de unidades locais de produção, ligadas a culturas produzidas no país.

A Suécia, maior país europeu importador de álcool combustível brasileiro, tem enorme interesse no uso do combustível e também vem ampliando seus investimentos. A Espanha, por sua vez, quer aumentar a produção, mas sofre com a carência de matéria-prima.

A meta da UE é que as fontes renováveis representem 12% de seu consumo de energia em 2010. Isso incluindo a mistura de 5,75% de biocombustíveis no diesel voltado ao setor de transporte. Mas Parish alerta que não vê perspectivas de que a a fatia das fontes renováveis supere 10% em 2010.

Segundo ele, o biocombustível (etanol e diesel) representa hoje 1,4% de todos os combustíveis utilizados no transporte.

O sindicato francês de produtores de álcool agrícola confirmou que a capacidade industrial para produzir etanol ainda é "tímida". Por isso, insiste que a UE só abra com "equilíbrio" o mercado para os estrangeiros, dando tempo para o desenvolvimento da industria nacional. O sindicato calcula em dois anos o tempo necessário para a construção das usinas.

Enquanto isso, a UE negocia tanto na OMC como com o Mercosul, o que inevitavelmente levará à concessão de cotas (sem tarifas) para o Brasil.

O Brasil é, hoje, o maior exportador de etanol para a UE. É seguido pelo Paquistão, cujo produto entra livre de tarifas graças ao regime que prevê isenção tarifária em troca de combate a drogas. O sindicato estima que metade do etanol brasileiro entra na UE com outra classificação tarifária para pagar alíquota menor, distorcendo as estatísticas.

Como vislumbra redução das reservas mundiais de petróleo e de gás nos próximos 15 anos, com reflexos sobre a produção, Parish pede ao Executivo europeu mais estímulos para os produtores de energias renováveis nos 25 Estados membros. Ele lembrou que a simples mistura de 5,75% de biocombustível no diesel equivalente a 40 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

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