ESG

Aplicação de práticas ESG tem relação direta com o futuro do agro no Brasil

Durante evento de imersão da FENASUCRO & AGROCANA TRENDS, sobre práticas mais sustentáveis, especialistas como Paulo Artaxo discutiram desafios e alternativas para o setor

Redação TN Petróleo/Assessoria
29/10/2021 06:34
Aplicação de práticas ESG tem relação direta com o futuro do agro no Brasil Imagem: Divulgação Visualizações: 2214

Adotar práticas mais sustentáveis é o principal desafio para o agronegócio e condição essencial para o futuro do setor no Brasil. Essa foi a conclusão do evento de imersão em conteúdo “A agenda ESG, a demanda por energia limpa e o agronegócio – Como associar questões estratégicas para o meio ambiente à demanda por alimentos e energia do mundo?”, promovido pela FENASUCRO & AGROCANA TRENDS nesta quinta-feira, 28.

Questões centrais como a crise climática, emissão de gases do efeito estufa e desmatamento foram debatidas entre os convidados, com a mediação de Marcos Fava Neves, consultor e professor da FEA-USP Ribeirão Preto e da FGV. “Temos uma avenida de oportunidades no agronegócio nos próximos anos, mas para isso, precisamos ter sustentabilidade, que é o nosso calcanhar de Aquiles, setor em que o Brasil é muito cobrado e criticado”, destacou na abertura da imersão.

Segundo Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos líderes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), existe solução para questões ambientais como a emissão de gases do efeito estufa, porém, o processo não será simples e trivial. “O planeta tem de reduzir, a cada ano, essa emissão em 7%, até 2050 e, a partir daí, se tornar neutro em emissões de carbono. Mas como alcançar isso se, hoje, a produção de alimentos no mundo é responsável por 30% das emissões de gás carbônico? No Brasil, aumentamos em 9% as emissões em 2021. Por isso, é preciso ações concretas focadas na sustentabilidade, melhorar nossa matriz energética e reduzir o desmatamento. Isso diminuiria a vulnerabilidade das questões climáticas, porque o setor agrícola é um dos mais impactados pelo aumento dos eventos climáticos extremos.”

 Eduardo Bastos, que é head de sustentabilidade na Bayer Crop Science, disse que vê uma movimentação positiva do setor nesse sentido, porém de maneira cautelosa. “A visão internacional ainda é muito crítica. Para outros países, ainda não estamos dialogando adequadamente com todo o setor, com todos os clientes, na outra ponta da cadeia. Assim, acabamos tendo uma visão parcial do desafio. Por isso, temos um espaço grande de melhora. Mas, tem muita coisa sendo feita. Na Bayer, endereçamos a sustentabilidade em três grandes pilares, redução de 30% das emissões de gases de efeito estufa na agricultura mundial, reduzir o impacto ambiental das tecnologias e melhorar a vida de 100 milhões de pequenos agricultores”, diz.

O subsecretário de Infraestrutura da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado de São Paulo, Cassiano Ávila, destacou a importância das ações em parceria entre o setor privado e o público para tornar essas inciativas viáveis. Ele também defendeu o planejamento a longo prazo dessas ações. “O estado tem um plano de ação climática baseado na mudança da matriz energética, tudo isso desenvolvido em parceria com a academia e o setor produtivo. Essa integração entre o público e o privado é essencial para desenvolver um trabalho a longo prazo. Pois a questão não é simples e não é possível ter mudanças nesse plano.”

Além de todos esses aspectos, o superintendente de Excelência Operacional da Tereos, Renato Zanetti destacou que a agenda ESG também se integra à economia e soluções práticas. “Ser sustentável é ser economicamente sustentável. Por isso, precisamos buscar benefício econômico nos custos operacionais. Na Tereos, o investimento em biogás da vinhaça, aplicação mais eficiente dos resíduos da produção nas lavouras para substituir fertilizantes, a potencialização de coprodutos e a substituição do combustível fóssil pelo biometano são algumas das atitudes que trazem cada vez mais sustentabilidade.”

FENASUCRO & AGROCANA

A FENASUCRO & AGROCANA (Feira Internacional da Bioenergia) realizará a sua 28ª edição entre os dias 16 e 19 de agosto de 2022, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP). O evento, realizado pelo CEISE Br e promovido e organizado pela RX Brasil, é o único da América Latina a reunir inovações e conteúdo de alto nível técnico voltados à toda cadeia de produção da indústria de bioenergia, além de profissionais das indústrias de alimentos e bebidas, papel e celulose, transporte e logística e distribuidoras e comercializadoras de energia.

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