Etanol

ANP vai projetar demanda de álcool e sugerir ações

Reuters
14/07/2006 00:00
Visualizações: 483

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pretende finalizar em 30 dias um inédito estudo do mercado de álcool que deve permitir ao governo ter um retrato mais claro da situação e atuar, se preciso for, para tentar evitar problemas ligados à oferta na entressafra.

O trabalho, que incluirá projeções para a demanda do combustível, servirá também como uma orientação para o setor produtor, afirmou Roberto Ardenghy, superintendente de abastecimento da ANP.

"Esse estudo vai mostrar o que pode ser feito. O que a gente quer realmente é evitar o que aconteceu no ano passado e que tem acontecido nos últimos anos (na entressafra): a excessiva pressão de preços, consumidores irritados, o consumo caindo", afirmou ele à Reuters, numa entrevista por telefone.

O material abrangerá três aspectos: dados de produção, projeções de demanda e as medidas que o governo e os produtores/associações precisam tomar para evitar a sazonalidade de preços, explicou Ardenghy.

"É uma questão de fazer primeiro um planejamento no sentido da orientação e de repente um mix das medidas", disse.

Entre estas medidas estariam a exigência de contratos de longo prazo (quatro, cinco anos) entre distribuidoras e usinas -- hoje a comercialização é feita no mercado "spot"--, e a retirada de certas tributações que hoje inibem a consolidação de um mercado futuro do produto na BM&F.

Também estão sendo consideradas iniciativas antigas mas que até agora não foram implementadas regularmente: a securitização dos estoques (governo garante juros menores para que as usinas se estoquem) e a formação de estoques reguladores (com o governo comprando). Estas medidas dependeriam de recursos do governo.

Deve ser incluída ainda uma ação considerada "de último caso" por Ardenghy: a apreensão de estoques pela Polícia Federal diante de uma crise de abastecimento.

"Hoje em dia o governo tem um arsenal na mão que pode utilizar ou não porque a lei do petróleo permite", afirmou.

TEMOR A MUDANÇAS

A ANP, que regulamenta o mercado de petróleo e derivados, ganhou no fim do ano passado a atribuição de monitorar também o de álcool -- a agência inclusive mudou de nome, passando a incluir gás natural e biocombustíveis.

A mudança gerou muita preocupação no setor de álcool, inclusive de clientes internacionais, ao ser vista como um passo do governo para um maior controle do mercado, que foi desregulamentado no fim da década de 90.

Desde o fim de 2005, a agência vem implementando uma série de medidas de regulamentação para o derivado de cana.

Uma portaria obrigou as usinas a enviar todo mês dados de produção e venda de estoques. Hoje 80 por cento das unidades (300 unidades) no país já fazem esse trabalho, que servirá como base para o estudo da ANP, disse o superintendente.

Outras medidas foram a determinação de que as distribuidoras só podem comprar produto de usinas cadastradas na agência e a adição de corante no álcool anidro, para coibir a fraude do "álcool molhado" (adição de água no álcool anidro para vendê-lo como álcool hidratado).

Segundo Ardenghy, a medida reduziu em 90 por cento a prática, que era usada comumente para sonegação de ICMS.

"O que nós estamos preocupados agora é com a questão do acompanhamento dos estoques já que agora temos números bem mais confiáveis com relação à produção de álcool", disse.

EXPORTAÇÕES MONITORADAS

Mas o trabalho deixa de fora um aspecto cada vez mais importante no mercado: as exportações. Os embarques cresceram fortemente nos últimos meses (atingiram um recorde em junho), acendendo o sinal amarelo do setor pois podem reduzir substancialmente a oferta interna na entressafra.

"Não vamos nos aventurar nisso porque (o comportamento do mercado internacional) é bola de cristal", disse Ardenghy.

Ele reconheceu que, se continuarem aquecidos, os embarques afetarão a oferta na entressafra, mas disse que é necessário levar em conta o "aumento impressionante" da produção.

"Você tem uma resposta do mercado muito boa, muito positiva, por isso que a gente diz que não há problema de oferta, porque mesmo que o mercado externo esteja aquecido, a produção brasileira é muito impressionante", disse.

Ardenghy citou que o governo tem poder para impedir os embarques mas descartou a princípio uma "medida mais radical". Segundo ele, a ANP está "acompanhando" as exportações, que estariam rendendo 30 por cento mais que o mercado interno.

"Evidentemente que é compreensível que as empresas se voltem um pouco para a questão da exportação. Se isso acontecer de modo normal, sem problema de desabastecimento, podem continuar exportando a quantidade que quiserem", afirmou.

"Agora, se houver realmente indícios de que poderia faltar álcool ou se os preços estiverem acima de qualquer parâmetro aceitável, aí claro que o governo tem medidas (a tomar), inclusive a própria redução administrativa de exportações, que pode ser aventada", acrescentou ele, lembrando que o governo sempre vai "privilegiar" o abastecimento do mercado interno.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Brandend Content
Brasil Aços amplia estoque de tubos de aço carbono NACE...
24/09/26
ROG.e 2026
Lideranças apontam o Brasil como pilar de segurança ener...
24/09/26
ROG.e 2026
Firjan SENAI e Sebrae Rio conectam MPEs a grandes empres...
24/09/26
ROG.e 2026
Estudo da PPSA identifica boas práticas para apoiar deci...
24/09/26
ROG.e 2026
EAS participa da ROG.e 2026
24/09/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 reforça agenda de DE&I no setor de energia co...
24/09/26
ROG.e 2026
Programa Offshore do Futuro deve chegar a Sergipe para f...
24/09/26
ROG.e 2026
Shell Energy Brasil destaca oportunidade de ampliar inte...
24/09/26
PPSA
A parcela de petróleo da União foi de 328 mil barris por...
24/09/26
Apoio Offshore
Afretado pela Petrobras, o PSV Starnav Elektra é batizad...
24/09/26
ROG.e 2026
SONDA aposta em IA e Drones para operações críticas no s...
24/09/26
ROG.e 2026
O papel da Lumina e o impacto da ROG.e 2026 para a indús...
23/09/26
Negócios
Avanço acompanha expansão da cadeia de petróleo e gás e ...
23/09/26
ROG.e 2026
A energia inteligente no poço
23/09/26
ROG.e 2026
Como o profissional de Química impulsiona a inovação e a...
23/09/26
ROG.e 2026
IBP lança caderno de Projetos e Iniciativas de Responsab...
23/09/26
ROG.e 2026
Gigantes do setor e produtores independentes aceleram pr...
22/09/26
PPSA
PPSA publica pré-edital do 1º Leilão de Gás Natural da União
22/09/26
ABPIP
ABPIP terá programação própria de debates durante a ROG....
22/09/26
ROG.e 2026
MODEC debate desafios para um offshore mais eficiente na...
22/09/26
ROG.e 2026
Cladtek foi selecionada para desenvolver tecnologia que ...
22/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25